Durante
anos, um pacto de silêncio entre partidos e políticos, manteve em
segredo a lista de quem recebeu, recebe ou abdicou das chamadas
escandalosas pensões "douradas" ou “subvenções
vitalícias”, como prémio pela respectivas prestações ao fim de
doze anos de trabalho.
Tudo
começou em 9 de Maio de 1985, por iniciativa do PS e do PSD, por
forma a abranger os detentores de cargos públicos entre governantes,
deputados, autarcas e juízes do Tribunal Constitucional.
O
sistema foi suspenso a partir de 2005, por iniciativa do Governo de
José Sócrates. No entanto, aqueles que até àquele ano
beneficiavam das subvenções mensais vitalícias continuaram e vão
continuar a recebê-las por decisão do Tribunal Constitucional, que
deu razão a um pedido de fiscalização da Lei vetada por Sócrates
, a pedido igualmente de 23 deputados do PS e PSD.
A
lista dos priviligiados foi agora tornada pública pela primeira vez,
depois de um abnegado jornalista ter apresentado queixa à Comissão
de Acesso aos Documentos Administrativos contra o Ministério do
Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, liderado por Vieira da
Silva, que tem a tutela da Caixa Geral das Aposentações.
Consultada
a mesma, verifica-se então que são 332 os “sortudos”, e que da
mesma, para além de José Sócrates que à dita subvenção teve
agora também de recorrer quando descobriu que afinal era pobre,
fazem parte ainda nomes que se julgavam inimagináveis a beneficiar
deste “desafôro”, o qual sendo legitimo, é no mínimo pouco
ético e tremendamente reprovável, quando se exige ao vulgar dos
cidadãos muito mais de quarenta anos de carreira contributiva para
ter direito à sua reforma e num periodo de crise da qual ainda não
nos livramos.
E
quando se fala em falta de ética, também não se pode deixar de
fora a malta do PCP, que como “não podia deixar de ser é
frontalmente contra esta mordomia" com que os políticos se
auto-presentearam, mas que ainda assim também beneficia dela.
Não
foi por isso por acaso, que quando no último fim de semana um
matutino divulgou a lista e se soube que o Jerónimo de Sousa foi um
dos 75 políticos que passou a receber essa pensão antes dos 50
anos, o PCP veio logo esclarecer que não era bem assim.
E
explicou tudo “muito direitinho” argumentado que em 1993, quando
deixou funções de deputado na Assembleia da República, tendo
direito à subvenção, passou a decidir do destino dessa verba.
Quer
dizer: Jerónimo de Sousa não passou a receber a subvenção, passou
simplesmente a decidir do destino a dar-lhe, isto é: aos cofres do
Partido. Por isso se acha com legitimidade para contestar a subvenção
que não recebe, muito embora lhe dê destino, o que equivale a dizer
que sendo assim "não fáz parte do grupo de malandros”.
Aprendam
os restantes beneficiários: o segredo está pois no destino, e se
cada um lhe der um fim diferente que não seja o depósito na
respectiva conta bancária, fica desde logo “ilibado”.Enquanto
isso e segundo dados da Direcção Geral do Orçamento, os
contribuintes terão que suportar este ano cerca de 6,4 milhões de
euros para pagar a V.Ex.ªs...
Uma
palavra para os quatro antigos Presidentes da República, Mário
Soares, Ramalho Eanes, Jorge Sampaio e Cavaco Silva, e também para o
único ex. Deputado do PSD Marques Mendes que não requereram as
ditas subvenções, muito embora às mesmas tivessem direito.
Para
consulta de nomes e valores, fica a
lista: