11 novembro 2016
16 outubro 2016
O ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2017 E A MINAGEM DOS FALCÕES…
Conciliar um Orçamento Estado
com as exigências de Bruxelas, as naturais divergências políticas entre os
Partidos que suportam o Governo e as aspirações do próprio Partido Socialista,
é uma tarefa hercúlea e só possível face às cedências mútuas e à “ajuda” pela
lembrança do Governo PSD/CDS. A “lembrança” desse periodo de má memória, é uma
poderosa arma política, que vai perdurar por muito tempo.
O actual Governo, sustentado
pela política no mais nobre sentido da palavra e sem disfarçar a realidade,
como hoje os ideólogos da direita fazem, pode estar por isso tranquilo.É o
único da Europa que assenta num tipo de alianças partidárias, que permite a sua
existência, na recusa liminar a quatro, de que o PSD e o CDS governem. Esta é
pois o alicerce de um acordo, que ainda hoje estes dois Partidos, unidos no seu
desígnio neo-liberal, parece não terem dado conta.
Embora em competição
eleitoral, nada os distingue na ideologia, ainda que Passos tenha testado o
slogan “social-democracia sempre”, sem qualquer sucesso, como o demonstram as
sondagens ontem divulgadas.
Não vale portanto a pena
clamar pelo “diabo”, porque deste já o Padre Fontes tomou conta lá para as
bandas de Barroso, muito menos recorrer à metáfora das “balas”, sugerindo que
abriu a caça ao contribuinte. Uma afirmação desta natureza, proferida depois de
serem já conhecidas as linhas gerais do Orçamento de Estado, só revela uma
coisa: desconforto.
É dos livros, que quando não
se tem razão, eleva-se o tom de voz para disfarçar o vazio da argumentação. Mas
isso tráz normalmente fracos resultados - dizem também os livros.
Mas quer Passos Coelho quer
Assunção Cristas, pelos vistos não devem ter lido livros que tratem dessa
matéria - concluo eu. O primeiro, sem “ofertas de emprego” já espera pelo
epílogo, e a segunda como é ainda é uma “maçariquinha” nestas andanças, pode
ser que ainda vá a tempo de aprender alguma coisa - à sua custa, espero bem.
Dito isto, é verdade que não
deve existir nenhum cidadão português, que possa ficar completamente satisfeito
como o Orçamento de Estado, qualquer que fosse o seu conteúdo.
É também verdade, que os
burocratas de Bruxelas, feitores de outros interesses que não os do país e dos
portugueses, e agora ainda mais zangados pela quebra da teoria do “bom aluno”
ou do envio antecipado do “draft”, continuam a não querer permitir - apesar dos
compromissos que foram assumidos e devem obviamente ser cumpridos – que a
soberania dos países seja respeitada, muitos menos aqueles “que não são a
França”, e pecado dos pecados, com Governos apoiados por Partidos, às chamadas
esquerdas da esquerda.
Neste cenário, apesar da
complexidade da proposta que torna difícil abarcar todos os domínios, do que li
no documento e li na comunicação social, prefiro os princípios que informam
este Orçamento de Estado aos princípios que informaram os dos anos anteriores.
Acho até curioso, para não
dizer despudorado, que gente como Maria Luís Albuquerque, Assunção Cristas,
Passos Coelho e outros co-autores do "colossal aumento de impostos" -
que Marques Mendes baptizou de assalto à mão armada (lembram-se?!...) - que
criou a maior e mais assimétrica carga fiscal jamais sentida pelos portugueses,
venha agora falar das opções do Orçamento para 2017 em matéria de impostos.
Haja decência…
Por outro lado, acho já
normal, que os falcões do Observador e outros "especialistas da comunidade
pafista" continuem a anunciar a desgraça. Ou por outra: a antecipem!...O
que desejam isso sim, é que tudo corra mal. Um desejo que vem desde os tempos
em que se iniciou esta solução governativa. Nada que se estranhe!... A sua
agenda é outra, e é clara. Bem podem esperar sentados…
Publicada por
Domingos Chaves
ANTÓNIO GUTERRES - O MAIOR DE PORTUGAL...
Na passada quinta-feira
assistimos pela televisão, em directo de Nova Iorque, à designação de António
Guterres como novo Secretário-Geral das Nações Unidas, por unanimidade dos
seus 193 membros e por aclamação. Para os portugueses foi uma transmissão histórica.
É uma distinção rara ou mesmo única para um cidadão português que o próprio fez
por merecer, mas que também resultou de um esforço colectivo nacional que
envolveu o Presidente da República, o Governo e a oposição, a diplomacia, e certamente muitos outros intervenientes. Não é comum haver tanta unanimidade
nacional em torno de uma causa, e desde 1999, quando os portugueses aderiram à
causa da independência de Timor-Leste (curiosamente quando António Guterres era
primeiro-ministro de Portugal), que nada disto acontecia. Isso enche-nos de
orgulho e resgata-nos de muitas humilhações que nos têm feito a Comissão
Europeia de Barroso e de Juncker, bem como as senhoras Merkel e Lagarde,
mais o Dijsselbloem e o Schauble, entre outros.
O processo de selecção foi longo,
duro e transparente. António Guterres foi o melhor ao vencer todas as seis
votações, revelando uma superior preparação para o cargo e tendo, entre outras
credenciais a seu favor, o seu desempenho como alto-comissário das Nações
Unidas para os Refugiados (ACNUR). Num período de grande tensão internacional,
António Guterres teve o apoio unânime do Conselho de Segurança e conseguiu
colocar do mesmo lado os Estados Unidos e a Rússia, mas também a China, o Reino
Unido e a França.
O cargo que vai ocupar a partir
de Janeiro, é mais exigente do que qualquer outro que antes tenha desempenhado,
com muitas guerras para resolver e com milhões de refugiados para apoiar, num
contexto em que a própria ONU acumulou erros e omissões, mas também muitas
críticas. Porém, as suas declarações no sentido da gratidão, da humildade e do
sentido da responsabilidade são muito animadoras para o mundo.
A revista do semanário Expresso dedica
hoje a sua capa ao novo Secretário-Geral da ONU e escolheu o título “maior do
que Portugal”, dizendo que “é muito mais do que o rosto das duas grandes
vitórias da diplomacia portuguesa nas últimas décadas”. Sem dúvida que os olhos
do mundo estarão focados na acção deste nosso compatriota, a quem desejamos
felicidades e bons resultados.
Publicada por
Domingos Chaves
04 outubro 2016
ATÉ CAVACO “FOGE AO FISCO”!...
Segundo
o jornal Público, “a casa de Albufeira do ex-Presidente da República foi reavaliada pelas
Finanças no ano passado. O valor patrimonial quase duplicou face ao
que constava da caderneta predial em 2009. Os dados fornecidos por
Cavaco não eram verdadeiros."
Sem
grande receio de me enganar, acho que posso afirmar que dificilmente
algum de nós poderá afirmar que sempre cumpriu religiosamente com
todos os procedimentos legais e éticos, em matéria de fiscalidade,
quer nos pagamentos devidos à administração, quer na própria
relação com a administração nas suas várias funções. Dito de
outra maneira: estou mesmo em crer, que ninguém exerce uma cidadania
de santidade.
No
entanto, também é importante não esquecer, que para o melhor e
para o pior, as figuras públicas e sobretudo as lideranças, estão
sob um escrutínio bem mais apertado que o cidadão comum e quase
anónimo.
Nesta
perspectiva, é claro que eventuais irregularidades ou manchas éticas
na situação fiscal de um Presidente da República suscitam uma
atenção redobrada. Acresce, que com a arrogância que se lhe
reconhece e que nem sempre um ar discreto e sorumbático conseguia
disfarçar, Cavaco Silva afirmou em 2010 que “para
serem mais honestos do que eu, tinham que nascer duas vezes”.
A
grande verdade, é que nascemos todos apenas uma vez e todos somos
gente que se deixa tentar. O que não fazemos todos, é apregoar a
nossa superioridade e santidade. Muito embora seja verdade que muito
boa gente consiga poupar uns “cobres” iludindo o fisco, mentir ou
“vestindo pele de cordeiro” é feio – ainda por cima
tratando-se de quem se trata.
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Domingos Chaves
29 setembro 2016
QUE CANDIDATOS A SECRETÁRIO-GERAL DA O.N.U. SE PRETENDEM?!...
O
aparecimento à última hora, de uma candidatura não escrutinada, é para além de uma tremenda batota, o
resultado de interesses protegidos por negociações ocultas. A sua
eventual vitória a concretizar-se, será pois a subalternização do cargo de
Secretário-Geral da ONU. Com tal conduta, nem a nova candidata Kristalina Georgieva nem quem a patrocina saiem prestigiados, antes pelo contrário: apenas conseguem que a ONU se torne uma simples correia de
transmissão de certos interesses geo-estratégicos. Kristalina Georgieva, até pode ser uma boa
candidata para a Alemanha e para os E.U.A., mas não o é com toda a certeza para o
mundo.
A alegada transparência que as cinco votações secretas
pretendiam demonstrar, fica desde já manchada pela não aceitação do
candidato mais consensual e considerado o mais bem preparado. António Guterres, pelo seu passado, tem o perfil ideal para Secretário-Geral da ONU, mas nunca seria um
vassalo de quem quer que fosse. Não foi por acaso, que o nome defendido por Durão Barroso na última conferência de Bilderberg acabou por avançar em desespero de causa, com a bênção da senhora Merkel e do
Partido Popular Europeu.
Temeram em Guterres a coragem e
independência de um tal Dag Hammarskjöld - o maior estadista do último século. Com este tipo de condutas, não é a ONU que se
desprestigia, é pelo contrário, o mundo que fica mais vulnerável aos interesses que
patrocinam a nova candidatura.
Sabemos
que a hipocrisia é infelizmente uma arma em política. Mas, pelos vistos,
serem alguns nossos parceiros europeus a engendrarem uma candidatura
europeia contra o candidato português, claramente o melhor preparado
para desempenhar o cargo, seguindo as regras definidas pelas próprias
Nações Unidas, não é sério. Depois
de vários meses em "exames" sucessivos e de cinco
votações, em que os 15 membros do Conselho de Segurança, de forma
consistente e com grande avanço sobre todos os demais candidatos,
demonstraram a sua preferência por António Guterres, o
aparecimento desta candidatura agora e fora das regras estabelecidas
pelas Nações Unidas, tem um nome - GOLPE.
Ainda assim, se
existe lógica na lógica, a votação de Kristalina Georgieva no
Conselho de Segurança em 4 de Outubro próximo, só poderá ser de 2 - encorajamento, 12 - desencorajamento e 1 - abstenção. E Porquê?!... Nada mais simples: porque é a votação imediatamente abaixo à da candidata pior
cotada, a moldava Natalia Gherman.
Na verdade, Natalia Gherman
cumpriu as regras e esteve nas cinco votações até hoje. Não pode por isso ser ultrapassada por uma pára-quedista de última hora.
Se os membros
do Conselho de Segurança derem algum tipo de acolhimento ao
oportunismo, não só se cobrirão de ridículo face a tudo o que
disseram e votaram até hoje, como farão universalmente figura de
palhaços.
A
segurança do mundo não pode estar entregue a um circo cómico.
Publicada por
Domingos Chaves
27 setembro 2016
- AGORA SE PERCEBE A AVERSÃO DE RUI MOREIRA AO NOVO IMPOSTO ESPECIAL SOBRE O IMOBILIÁRIO...
Já
disse e repito!... Tanto se me dá que a “mãe” do alegado novo
imposto especial sobre imobiliário superior a um milhão de euros
seja a filha do Camilo, como o “pai”, algum filho ou neto de
Salazar!... É exactamente igual, apenas com uma ressalva: peca por
tardio.
E
a este propósito, não vou aqui falar dos “Robin dos Bosques”,
que agora resolveram arvorar-se em defensores da classe média. Pobre
classe média, se precisasse de tal “tralha” para os defender. A
sua receita é por demais conhecida dos trabalhadores por conta de
outrém, dos reformados e pensionistas, dos pequenos e médios
empresários, dos jovens, dos desempregados, e mais que ninguém dos
funcionários públicos. Portanto nada mais a dizer.
Do
que aqui se pretende falar, é de um tal senhor Rui Moreira – que
por acaso até é Presidente da Câmara Municipal do Porto, por se
ter “apresentado” como um dos defensores dos 8.618 milionários,
ameaçados pelo tal alegado novo imposto sobre as grandes fortunas, e
que o dito senhor designou de “saque” (ver Diário Económico de
18 Setembro).
Quer
dizer: Rui Moreira – o tal que diz que o Porto nunca se calará,
nunca abriu o bico em defesa daqueles que foram vitimas do maior
roubo fiscal de sempre, ao ponto de ocupar o primeiro lugar em termos
de impostos, entre os 34 países da OCDE durante os anos de 2014 e
2015. Agora, vem apelidar de “saque”, a tributação de um
imposto especial a milionários, quando se sabe que muitos deles não
pagam impostos, ou pagam-nos muito abaixo dos valores que deveriam
pagar, fruto da deslocalização das sedes das suas empresas para
onde mais lhes convém, ou da colocação do seu património pessoal
em nome de empresas com sede em paraísos fiscais, vulgarmente
conhecidos por offshores.
Mas
pergunta-se: o que terá este senhor a dizer, quando é o próprio
ex. Chefe da Direcção Geral dos Impostos a afirmar, que em
Portugal, “as 1.000 familias mais ricas – ou seja, as que
acumulam valores iguais ou superiores a 25 milhões de euros de
património, ou recebem 5 milhões de euros de rendimento por ano –
pagam menos impostos que a generalidade dos cidadãos”?!.... O que
terá o mesmo senhor a dizer, quando o dito ex.Chefe da DGI afirma,
que “em qualquer país que leve os impostos a sério, não é
concebível que esse grupo de cidadãos pague apenas 500 vezes menos,
do que seria suposto pagar”?!... E já agora, porque não dizê-lo,
o que terá Rui Moreira a dizer, sobre os recentíssimos relatórios
da Fundação Francisco Manuel dos Santos e da OCDE - Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Económico sobre o tema?!..
Será que os desconhece?!....
Descanse
o senhor Rui Moreira!... O autor desta linhas, não é daqueles que
pretende acabar com os ricos. Não - nada disso!...O que quer isso
sim, é que haja menos pobres. Deveria interiorizar o senhor Moreira,
que quem tem disponibilidade para saquear bancos e fazer ofertas de
milhões de euros, ou quem usufrui de rendimentos de milhões anuais,
também pode pagar mais um pouco a favor da comunidade e do país.
Sempre ouvi dizer, que onde todos ajudam, nada custa – ou custa
obviamente menos, mas esse parece não ser o pensamento do senhor
Moreira..
Dito
isto, surge porém uma pergunta: será que o dito senhor, estará
mesmo preocupado com essa gente milionária?!... Se calhar até está,
mas acima de tudo, estará muito mais preocupado consigo próprio.
No
“mundo global de hoje – tal como no de ontem - nada se perde,
tudo se transforma”. Desconfiado, fui à procura de informação e
o que é encontrei: nada mais nada menos, que uma noticia do jornal
The New York Times, que em manchete de primeira página, retrata o
Presidente da Câmara do Porto, como sendo o "rebento" de
uma das familias mais ricas do Porto, com estudos no estrangeiro, uma
passagem pela gestão da empresa familiar de transporte marítimo, e
investimentos em áreas tão diversas como uma discoteca, a
distribuição de vinhos no Brasil, e o imobiliário no Chile. Rui
Moreira chega mesmo a ser comparado pelo dito jornal norte-americano,
a Michael Bloomberg.
Perante
a comparação que segundo o jornal terá provocado o riso de Rui
Moreira, este não deixou porém de afirmar: "quem me dera ser
assim tão rico"!... Mas ainda assim, terá admitido que a sua
fortuna pessoal rondará os 10 milhões de euros, entre propriedades
e outros bens.
Então
se é assim, se não tem “despesas com passe social”; com
combustível nas suas deslocações diárias; com imposto automóvel
ou com a manutenção de veículos, tudo pago pelos contribuintes,
será que não poderia retirar do seu rendimento anual mais uns
“cobres” para pagar o tal imposto especial e mostrar-se menos
avesso ao mesmo?!... Será que a sua vontade de ser tão rico como
Michael Bloomberg - que é legitima – não poderia ocorrer de forma
mais moderada?!... Será que ainda não percebeu, que se os tais
8.618 que veio defender, pagassem o que deveriam pagar (como referiu
o tal ex.Chefe da DGI), até poderiam contribuir para que os 0,36%
que cobra de IMI aos municipes portuenses pudessem ser reduzidos e
assim desafogar as suas carteiras?!...
Dito
isto e dando o caso do senhor Moreira como exemplo, até podia dar de
barato que o património já foi taxado e que o capital que lhe deu
origem também. Mas entre o tributar mais e mais, quem ganha 600,
700, 1.000 ou 2.000 euros, ou quem tem património acima de um
milhão, que escolha deve ser feita?!...
Só
em 2014 e em 2015, a carga fiscal que atingiu as familias, foi
superior em 16,8 mil milhões de euros, comparativamente à suportada
pelas empresas durante o mesmo periodo. Dito de outra forma: segundo
os relatórios acima referidos - que hoje o senhor Coelho resolveu
vir contestar - enquanto o esforço fiscal imposto aos trabalhadores
por conta de outrém e aos reformados e pensionistas duplicou no
referido periodo, o mesmo esforço fiscal pedido às grandes empresas
estagnou, fixando-se nos valores do antecedente.
Será
que perante os factos se poderá chamar a isto equidade fiscal?!...
Para o senhor Moreira que é rico e tem parte das suas despesas pagas
pelos contrinuintes, parece que sim. Se tivesse que andar a pé, como
andam muitos dos seus municipes, porque não têm sequer dinheiro
para o passe social, certamente pensaria de maneira diferente. Haja
decência...
Publicada por
Domingos Chaves
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