09 janeiro 2017

O MEU ELOGIO A UM DOS GRANDES VULTOS DA DEMOCRACIA

O maior elogio que posso fazer a Mário Soares é aquele que poucos farão por estes dias, em que a canonização simula consensos que nunca existiram: ele está entre as figuras mais odiadas e mais amadas deste País, como sempre acontece aos políticos que fazem escolhas difíceis. E as escolhas que Soares fez, que lhe garantiram sempre novos inimigos, marcam a História de Portugal nos últimos 50 anos.
Soares escolheu o combate ao fascismo e os saudosistas não o suportam. Escolheu a descolonização e os retornados odeiam-no. Escolheu a social-democracia e a UE e os comunistas não lhe perdoam. E cada escolha sua deixou tanto ressentimento por ser quase sempre decisiva para o que somos hoje. Tem a sua quota-parte de culpa em tudo o que de bom e de mau nos aconteceu desde o 25 de Abril. Essa é a qualidade que ninguém lhe pode tirar: não é inocente de nada. Felizmente, porque não há maiores inúteis do que os políticos que se banham nas águas puras das ideias e morrem sem culpa nem obra.
Com o papel que teve na nossa história, Mário Soares nunca se pôde dar ao luxo da coerência absoluta e da mera declaração de princípios!... Isso é para os homens de religião. O seu percurso, as suas lealdades, até as suas convicções foram muitas vezes sinuosas, tendo apenas a democracia como único valor constante, o que não é pouco.
Houve o Soares da austeridade de 1983 e o que combateu a austeridade de 2011; o que meteu o socialismo na gaveta e o que tirou já na velhice o radicalismo do armário; o que escolheu o lado dos EUA na Guerra Fria e se manifestou contra os EUA na guerra do Iraque; o que se abraçou a Cunhal no Aeroporto da Portela e combateu Cunhal na Fonte Luminosa; o que fez dupla com Zenha e enfrentou Zenha; o que foi amigo de Manuel Alegre e conspirou contra Alegre; e o que foi desleal com os amigos de sempre e o que levou a lealdade para lá do limite da sanidade na prisão de Sócrates. E não foi apenas porque a realidade mudou e só os burros não mudam, foi isso sim, porque Soares sempre foi mais pragmático do que ideológico.
Enquanto o corpo deixou, Soares manteve-se em cena, sem nunca deixar que o transformassem numa figura de museu. Acreditou que todo o tempo de vida era o seu tempo. Na sua reeleição para Belém em 1991, tinha conseguido 70% dos votos. Era o pai querido da Nação, principal referência política e moral da democracia portuguesa. Mas com 80 anos, não teve medo de descer de um pedestal com que poucos poderiam sonhar para se candidatar de novo à Presidência.
A política que reencontrou era porém muito diferente, com uma comunicação social muito mais agressiva do que no passado e um escrutínio muito mais apertado. Este já não era, afinal, o seu tempo.
Não vou fingir que venho do lado de onde vem Soares. Não me revia no que na sua vida foi excesso de táctica e intuição e pouco de estratégia e convicção ou no vício da política, que valeu sempre mais do que a própria política.
Mas tenho por Soares a admiração que se tem por quem foi intransigente na defesa da democracia e nunca quis ser uma estátua de si mesmo, mesmo quando a estátua que estava encomendada e que lhe era totalmente devida, era do pai fundador da nossa democracia.
Como todas as contradições e erros que se exigem a quem faz questão de deixar uma marca da sua passagem pela vida, Soares mudou Portugal. E mudou-o para melhor. Agora sim, podemos erguer a estátua.

08 janeiro 2017

- MÁRIO SOARES (1924–2017) VIDA CUMPRIDA!...

Mário Soares faleceu esta tarde no Hospital da Cruz Vermelha em Lisboa com 92 anos de idade e o nosso país está de luto. Portugal perdeu um homem que marcou o nosso século XX e que é um dos símbolos da nossa Democracia.
Desde muito jovem que Mário Soares lutou corajosamente contra a Ditadura e por isso foi preso, deportado e conheceu o exílio, tendo sido nessa altura que fundou o Partido Socialista. Regressou a Portugal depois do 25 de Abril de 1974 e tornou-se uma figura de referência nacional, vindo a ser deputado, ministro, primeiro-ministro, Presidente da República e eurodeputado.
Portugal deve muito a este antigo Presidente da República Portuguesa, porque o seu prestígio pessoal e político a nível internacional foram um passaporte necessário para a entrada numa Europa desconfiada do que se passava em Portugal e que saíra há pouco tempo de um regime opressivo e ditatorial.
Como todos os políticos, Mário Soares não recolheu o apoio unânime dos portugueses mas todos lhe reconhecem um protagonismo decisivo na consolidação do regime democrático, na integração política e social, na Europa e na intransigente defesa da Liberdade.
As suas qualidades de coragem, de tenacidade e de persistência foram exemplares, assim como os seus valores cívicos e culturais.
As instituições não deixarão por isso de lhe prestar as homenagens que são devidas a Mário Soares, um símbolo da Liberdade e uma das mais importantes personagens do século XX português, que a Europa e o mundo admiravam.
As circunstâncias fazem mais pelos homens do que estes fazem por elas, mas são os homens - e mulheres - de excepção, que moldam o futuro e marcam a História. Aqui lhe deixo por isso o meu tributo.  

14 dezembro 2016

A AUTO ESTIMA PORTUGUESA EM ALTA

Ainda a emoção estava presente por vermos e ouvirmos António Guterres nas Nações Unidas, quando sem surpresa, foi anunciado que Cristiano Ronaldo tinha sido galardoado com a Bola de Ouro 2016, isto é, que tinha sido eleito como o melhor futebolista do mundo em 2016, segundo os critérios da revista francesa France football.
Depois das Bolas de Ouro conquistadas em 2008, 2013 e 2014, o jogador Cristiano Ronaldo apresentou-se à votação dos jornalistas de todo o mundo com credenciais de peso - uma vitória na Liga dos Campeões pelo Real Madrid, um título de Campeão da Europa que conquistou com a selecção portuguesa, e ainda, com 51 golos em 55 jogos disputados.
A votação que obteve foi esmagadora e os votos dos jornalistas mundiais traduziram-se em 745 pontos que superaram largamente os 316 e 198 pontos conquistados respectivamente pelos seus concorrentes directos, o argentino Leonel Messi da equipa espanhola do Barcelona e o francês de origem portuguesa Antoine Griezmann do Atlético de Madrid. 
Em termos futebolísticos, é curioso anotar que outros dois jogadores portugueses se destacaram este ano na lista dos melhores do mundo do France football, com Pepe do Real Madrid a conquistar 8 pontos e a classificar-se no 9.º lugar e Rui Patrício do Sporting a obter 6 pontos e a posicionar-se no 12.º lugar.
Como nota final duas referências: a primeira de que não é só em Portugal que o futebol domina e perturba as mentes, já que enquanto Cristiano Ronaldo foi notícia em quase todo o mundo, António Guterres foi ignorado em quase toda a parte. A segunda, a referência dada pela
 revista francesa que patrocina o troféu, ao escolher na sua última edição uma foto e um título sugestivos: "Sacré Cristiano Ronaldo".

13 dezembro 2016

- ANTÓNIO GUTERRES!...

Já foi dito tudo sobre António Guterres, cidadão português que a partir de ontem se tornou oficialmente como o 9.º Secretário-Geral das Nações Unidas, com inicio do seu mandato de cinco anos, agendado para 1 de Janeiro de 2017. Limito-me por isso, a documentar com a foto e as palavras por ele produzidas, o momento do seu juramento.
Com a solenidade própria do acto, disse:
“Eu, António Guterres, declaro solenemente e prometo exercer em total lealdade, discrição e consciência, as funções que me são confiadas enquanto servidor público das Nações Unidas, exercer estas funções, e pautar a minha conduta apenas tendo em mente os interesses das Nações Unidas e não procurar ou aceitar, no que respeita às minhas responsabilidades, instruções de qualquer Governo ou outra organização”.
Após o juramento, Guterres falou, e o seu primeiro discurso foi notável, ao defender como uma das prioridades do seu mandato, a necessidade de mudar e reformar internamente a organização que vai dirigir:
“É chegada a altura das Nações Unidas reconhecerem as suas insuficiências e alterar o que precisa de ser alterado. Chegou a hora da ONU mudar”, alertando igualmente para a necessidade de se desanuviar o ambiente internacional dizendo:
“É também altura de trabalhar com os líderes, e é tempo de reconstruir a relação entre os cidadãos e os líderes mundiais”.
Dito isto, o mundo espera que se cumpram as palavras e se concretizem as intenções com que Guterres concluiu o seu discurso: "Farei o meu melhor para servir a nossa humanidade".
Que bem estaria o planeta, se a energia, o humanismo, a competência e a determinação de António Guterres o contagiassem. Nunca um português atingiu tão altas funções e responsabilidades como as que assumiu ontem o melhor de todos, o mais bem preparado e o mais abnegado, que sempre fez da sua vida uma dádiva constante ao bem comum.
Apesar de “mal-amado em casa”, depois de ler uma entrevista do antigo Presidente do PSD Fernando Nogueira ao Diário de Noticias de 11 de Dezembro último, fiquei a perceber ainda melhor, as razões porque ambos bateram com a porta. A politica é mesmo um verdadeiro “pântano”. Há quem se preste a ele, e há também quem não se preste.
Que a sorte agora o acompanhe.

O ALTRUÍSMO DE UM GRANDE LIDER!...

Já foi dito tudo sobre António Guterres, cidadão português que a partir de ontem se tornou oficialmente como o 9.º Secretário-Geral das Nações Unidas, com inicio do seu mandato de cinco anos, agendado para 1 de Janeiro de 2017. Limito-me por isso, a documentar com a foto e as palavras por ele produzidas, o momento do seu juramento.
Com a solenidade própria do acto, disse:
“Eu, António Guterres, declaro solenemente e prometo exercer em total lealdade, discrição e consciência, as funções que me são confiadas enquanto servidor público das Nações Unidas, exercer estas funções, e pautar a minha conduta apenas tendo em mente os interesses das Nações Unidas e não procurar ou aceitar, no que respeita às minhas responsabilidades, instruções de qualquer Governo ou outra organização”.
Após o juramento, Guterres falou, e o seu primeiro discurso foi notável, ao defender como uma das prioridades do seu mandato, a necessidade de mudar e reformar internamente a organização que vai dirigir:
“É chegada a altura das Nações Unidas reconhecerem as suas insuficiências e alterar o que precisa de ser alterado. Chegou a hora da ONU mudar”, alertando igualmente para a necessidade de se desanuviar o ambiente internacional dizendo:
“É também altura de trabalhar com os líderes, e é tempo de reconstruir a relação entre os cidadãos e os líderes mundiais”.
Dito isto, o mundo espera que se cumpram as palavras e se concretizem as intenções com que Guterres concluiu o seu discurso: "Farei o meu melhor para servir a nossa humanidade".
Que bem estaria o planeta, se a energia, o humanismo, a competência e a determinação de António Guterres o contagiassem. Nunca um português atingiu tão altas funções e responsabilidades como as que assumiu ontem o melhor de todos, o mais bem preparado e o mais abnegado, que sempre fez da sua vida uma dádiva constante ao bem comum.
Apesar de “mal-amado em casa”, depois de ler uma entrevista do antigo Presidente do PSD Fernando Nogueira ao Diário de Noticias de 11 de Dezembro último, fiquei a perceber ainda melhor, as razões porque ambos bateram com a porta. A politica é mesmo um verdadeiro “pântano”. Há quem se preste a ele, e há também quem não se preste.
Que a sorte agora o acompanhe.

04 dezembro 2016

COMO A HISTÓRIA SE VINGOU DE PEDRO…

Os ventos não correm de feição para Pedro!... À sua volta apenas gravita um grupo de indefectíveis que estão sempre do lado do chefe - seja ele qual fôr, e de inúteis promovidos a estrelas.
O Presidente da República, tem-lhe enviado sucessivos recados, uns mais velados que outros, mas no discurso do 1.º de Dezembro não podia ser mais directo, ao afirmar-lhe de viva vóz, “que o feriado nunca devia ter sido eliminado”. Ao fazê-lo, Marcelo não manifestou apenas a sua discordância com o líder do PSD!... Disse pelo contrário e sem papas na língua - " está na hora de te ires embora".
Sentindo-se cada vez mais isolado e acossado, Pedro deposita a última esperança de sobrevivência  num resultado airoso nas autárquicas!... Sem candidato para o Porto e entalado com a candidatura de Cristas a Lisboa, restava-lhe apresentar um candidato forte que pudesse conquistar a câmara ao Partido Socialista. Foi neste contexto que fez o convite e tentou convencer Santana Lopes a candidatar-se. Santana era o tal que  poderia eliminar o efeito surpresa de Cristas, e lançaria grande preocupação no seio dos Socialistas - um trunfo de peso.
Só que Santana fez saber que não estava disposto a avançar e pretendia cumprir o seu mandato à frente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa até final do seu mandato. Perante o "não", tocaram os sinos a rebate na S. Caetano à Lapa. O 1.º de Dezembro feriado roubado por Pedro e reposto este ano por Costa e a renúncia de Santana, transformou-se num dia aziago para o ainda líder do PSD, como se a História se tivesse revoltado contra ele e aproveitasse a reposição da dignidade lusa, para lhe aplicar dois fortes correctivos nesse dia.
Passos está agora num dilema: ou apoia Cristas na procura de um mal menor, ou encontra um candidato suficientemente forte, que mesmo não ganhando a câmara de Lisboa, consiga ter  mais votos do que o CDS. Não vai ser fácil, e se perder Lisboa e Porto já é um mau resultado para o PSD, ter menos votos do que o CDS na capital, seria a humilhação total e o fim da linha para Pedro. Não espantará pois, que para salvar a pele, venha a apoiar Assunção Cristas.
A vida  está muito difícil para o homem de Massamá, e o seu fim poderá estar próximo se os resultados das autárquicas forem desastrosos, mas há sempre a hipótese de Santana Lopes dar o dito por não dito e apresentar a sua candidatura.