11 fevereiro 2017

CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS - O ATAQUE A CENTENO!...

A direita mais radical e rasca de sempre, a tal que não hesitou em saltitar de cadeira em cadeira até encontrar o seu “refúgio nas estrelas”, a tal que esqueceu os principios, os valores, as causas, a ética republicana, e a politica feita com ética sempre defendida por Sá Carneiro, resolveu mais uma vez "fazer das suas" e pedir a cabeça do Ministro das Finanças Mário Centeno.

Sim!... A cabeça desse tal Ministro que lhe causa uma “dor de corno” tal, que não hà analgésico que a combata. Desse tal Ministro que foi capáz de lhe demonstrar por “A” mais “B”, quanto incompetente foi ao longo de mais de quatro anos que esteve no poder. E fé-lo, dizendo-lhe que não era necessário andar a vender o país a pataco e a cortar salários, pensões e reformas, para serem atingidas as metas do défice impostas pela União Europeia. E isso é que a apoquenta e lhe causa dôr!... Dôr, que esta tal direita radical, rasca e reacionária não perdoa tê-la atingido.

Como é que esta gente tem o descaramento de criar um “facto politico”, insurgindo-se contra Centeno e exigir a sua demissão, por alegadamente ter mentido, quando ela própria governou quase cinco anos enrodilhada em mentiras sucessivas?!...

Como é que esta “gente”, que fez recuar o país mais de 10 anos, é capaz de tudo e não olha a meios para atingir os fins, apostando tudo no “quanto pior melhor”?!... Que “direita” é esta que agora se sente tão indignada, e que nos últimos anos em que esteve no poder, só faltou usar explicitamente a FORÇA do CACETE para amplificar a sua vóz e continar a esgrimir os seus falsos argumentos repetidos até à exaustão, na esperança de que com a sua permanente repetição, pudesse manter-se no poder a qualquer preço.

Não adianta por isso poupá-la nas palavras!... Esta, é definitivamente a mesma “direita radical e rasca" que aprendeu pelos livros de Relvas, quando durante cinco anos a fio andou a preparar o “assalto” ao partido e ao “pote”. Agora quer repetir a dose...

Esta é pois a tal “direita” que esqueceu os seus “donos”, e já demonstrou não existir para ajudar ao progresso do país e ao bem comum dos portugueses. Felizmente que agora, a decência política ganhou novos contornos e a geometria eleitoral nova amplitude. Só conta, quem quiser contar. Os outros - para não usar português técnico - são dispensáveis…

07 fevereiro 2017

“PROCESSO MARQUÊS”!... ONDE COMEÇA E ONDE TERMINA O ESTADO DE DIREITO?!...

O antigo Primeiro-Ministro José Sócrates, anunciou ter processado o Estado português para contestar a forma como está sendo tratado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e pelo Tribunal Central de Investigação e Acção Penal. Disse tê-lo feito, porque o Estado se portou indecentemente, e por isso recorreu aos Tribunais Internacionais.
Sobre o assunto, tenho “ouvido cobras e lagartos”, certo é, que Sócrates agiu como devia – e certamente porque pôde fazê-lo. Sendo a arbitrariedade um pecado capital em Processo Penal, comportando-se como a consequência normal da ampla discricionariedade concedida a um qualquer Juiz neste tipo de processo, não podia nem devia agir de outra forma, sob pena do mesmo conduzir a sérias consequências, no que diz respeito aos direitos, liberdades e garantias constitucionalmente consagrados.
É que contrariamente ao que se passa no Direito Administrativo, em que teórica e praticamente há a possibilidade de impedir a execução de um acto discricionário da administração manifestamente ilegal, por via de recurso contencioso, antecedido de uma providência cautelar na qual se peça a suspensão da sua execução, no Direito Processual Penal essa garantia não existe. E não existindo, qualquer cidadão que se preze e tenha meios para o fazer, não pode nem deve ficar impávido e sereno à espera de melhores dias, e por uma razão muito simples: é que se um Juiz de Instrução Criminal, a pedido do Ministério Púbico, concede a prisão preventiva ao abrigo do seu poder discricionário, por maior que seja a ilegalidade por ele cometida ao longo do processo, por mais arbitrária que seja a sua decisão, desde que determinados requisitos formais mínimos tenham sido garantidos, não há juridicamente meio de impedir a execução dessa decisão. O arguido, suspeito da prática de crime doloso, punível com pena de prisão - em princípio superior a três anos - vai mesmo para a cadeia, e somente por via do recurso para a instância superior, poderá pôr termo à execução da medida de coacção decretada. Porém e no caso concreto, o tempo que lá passou já ninguém lho tira e o juízo que a opinião pública faz do facto que lá o levou, também não. Isto, sem esquecer que o Tribunal de instância superior, goza igualmente de grande discricionariedade na apreciação da decisão tomada pelo Tribunal inferior.
Por via de tais factos, é uma pena que às Faculdades de Direito, ainda não tenha chegado uma cadeira de Teoria do Direito, na qual a discricionariedade pudesse ser estudada como categoria autónoma, à semelhança do que sucede em Direito Administrativo a propósito da actuação da administração.
Portanto, para além da ampla discricionariedade concedida aos Juízes em Processo Penal, junta-se muitas vezes a impreparação dos juristas para atacar este específico problema, e principalmente, para criar o necessário clamor público que leve à reformulação da lei e dos princípios em que essa mesma lei até agora tem assentado.
É de facto chocante que alguém – seja quem fôr – seja, ou esteja preso, sem julgamento, sem sequer ter conhecimento dos específicos crimes de que o acusam, dos concretos factos em que os mesmos se fundamentam, e principalmente de uma ACUSAÇÃO, para assim poder eficazmente fazer a sua defesa. O regime vigente, abre desta forma a porta a todas as arbitrariedades, e permite que a luta política – como na caso em apreço - se infiltre na justiça pela porta dos fundos, sempre que o suspeito é uma personalidade da respectiva esfera.
O caso de Sócrates é por isso um exemplo!... Um exemplo, em primeiro lugar, porque o Ministério Público e o Juiz foram os responsáveis por o Processo ter vindo para a praça pública e por se ter arrastado e sem fim à vista. E em segundo, porque desde a prisão quando chegou de Paris, passando pelas buscas da Rua Braamcamp, até aos factos meticulosamente filtrados para os jornais - veículos das teses da investigação, tudo foi criteriosamente trabalhado e permitido. O que se pretendia demonstrar com este tipo de atitudes, era uma situação típica da luta política não INTEIRAMENTE COBERTA PELO DIREITO, mas de grande eficácia junto da opinião pública, capaz de gerar instintivamente um sentimento de revolta e de “Justiça de Pelourinho” perfeitamente compreensível. Ou seja: pretendeu-se demonstrar com tais comportamentos, que um ex-governante vivia muito acima das suas possibilidades e que levava um estilo de vida insusceptível de ser compreendido à luz dos rendimentos por ele declarados.
Este é pois o ponto de partida deste “Processo Marquês”, mas que constitui o facto mais facilmente demonstrável: “VIVER ACIMA DAS POSSIBILIDADES”. O que é certo, é que sendo repugnante ou não para a sociedade, NÃO CONSTITUI  CRIME no Direito Penal português, o que quer dizer, que não sendo um tipo legal de crime, ninguém poderá ser preso por viver acima das suas possibilidades ou por ser titular de um património que está muito para além dos seus rendimentos.Se o fosse, “toda” a população portuguesa estaria entre grades, quando foi acusada por Passos Coelho de termos vivido em tais moldes – isto é, acima das possibilidades de cada um.
E mais: sem o dito dramatismo e se isso fosse possível, a maior parte daqueles que em Portugal não trabalham por conta de outrem, ou seja, desde os pequenos e médios comerciantes, industriais e agricultores, passando pelas profissões liberais, pelos artífices e prestadores de serviços de todo o tipo até aos grandes patrões do comércio, da indústria, da agricultura e dos serviços, toda a gente estaria de “rabo preso” e não haveria cadeias que chegassem para albergar tanta gente. Ou será que alguém terá dúvidas desta realidade, em que grande parte dos respectivos rendimentos não batem certo com o património de que muitos deles dispõem?!...
E isto diz-nos o seguinte: para que tais situações possam ser criminalmente atacáveis, é preciso que a acusação através do Ministério Público, faça prova dos específicos crimes que podem levar àquele resultado, como por exemplo, é o caso entre muitos outros, da corrupção, da fraude fiscal, do branqueamento de capitais, ou da participação ilícita em negócio.
No caso do “Processo Marquês”, apesar de decorridos quase quatro anos de investigação, a única coisa certa que ocorreu, foi a prisão de um cidadão durante 300 dias, sem que ao fim de todo este tempo e do outro que até hoje se lhe seguiu, não tenha sido deduzida qualquer ACUSAÇÃO. Então, cabe perguntar: quais os pressupostos que conduziram à dita prisão?!...
Agora e mais uma vez, ressalta já para a opinião pública a ideia da prorrogação dos prazos de investigação – que expiram em 17 de Março próximo – tendo como fundamento a extrema complexidade do Processo, principalmente após as declarações  do senhor Battaglia (mais uma vez transmitidas para a esfera pública) que tudo indica veio dirigir para outros horizontes a investigação do “Processo” e aparentemente salvá-la de um monumental fiasco.
Que percam então a vergonha e o prorroguem!... Mas uma coisa há que já ninguém pode tirar de cima do Procurador Rosário Teixeira e do Juíz Carlos Alexandre: afinal, depois de caídos os “fortes indícios de corrupção” pelo Grupo Lena, das Auto-Estradas, da Parque Escolar, dos contratos com a Venezuela, de Vale do Lobo e do Grupo Octapharma, as verdadeiras suspeitas de corrupção de José Sócrates estão afinal no Grupo GES. Uma vergonha!... Afinal, andaram a investigar Sócrates durante quatro anos e prenderam-no durante dez meses, à conta de falsas pistas e falsas suspeitas, e foi preciso ter agora chegado um sujeitinho que havia sido impedido de sair de Angola e se deslocou a Portugal após prévia negociação com a Justiça, que à 25.ª hora os fez ver a luz ao fundo do túnel e os terá safado de nada terem para apresentar no dia 17 de Março. Mas que brilhantismo…
Ora perante as evidências destes factos, será pois pacifico concluir, que o Processo Penal tal como está regulado na nossa lei, permite que uma acusação menos escrupulosa e um Juiz parcialmente justiceiro possam prender uma pessoa, só porque alguém suspeita que um estilo de vida manifestamente acima das suas possibilidades assenta em actos criminosos. E sabem que ao fazê-lo, principalmente nos termos em que já  o fizeram, cai bem numa opinião pública sedenta de “sangue”, por força principalmente das brutais medidas de austeridade de que tem sido vitima e lhe têm sido impostas para pagar as falcatruas dos bancos, a insensatez dos governantes e os desvarios de um sistema que não olha a meios para aumentar os lucros à custa da exploração desenfreada da maior parte dos cidadãos contribuintes.Tratando-se de Sócrates, o “eterno culpado” de ter levado o país à bancarrota, a sede da “justiça de pelourinho”, é ainda maior. 
Só que isto, é nada mais nada menos que o fim do Estado de Direito. É mesmo um atentado ao Estado de Direito e quem perpetra este tipo de acções, não pode deixar de ser responsabilizado. Em Processo Penal não vale tudo e muito menos vale usar o Processo Penal como instrumento de luta política.
Os factos dados a conhecer por Sócrates na conferência de Imprensa, e de cuja existência já se suspeitava, configuram uma situação da máxima gravidade a que urge rapidamente pôr termo. A Justiça não pode prender um cidadão por suspeita de crimes não indiciados por factos específicos, negar-se a exibir perante o detido as provas em que fundamenta a sua detenção e demorar “ad eternum” uma investigação. Mais: a prisão não pode ser o instrumento primeiro de uma investigação, como tudo dá a entender ter sido o caso, muito menos poder servir para aterrorizar ou humilhar um qualquer arguido, que no caso se tratou de um ex.Primeiro-Ministro, mas poderia ser um qualquer outro cidadão . Resta pois saber por tudo quanto ficou aqui dito, onde começa e onde acaba o Estado de Direito.

04 fevereiro 2017

A REVOLTA GENERALIZADA CONTRA DONALD TRUMP!...

Quando antes da sua eleição aqui escrevi que em relação a Donald Trump era preciso esperar para ver, tinha em mente que as promessas feitas em todas as campanhas eleitorais raramente são cumpridas. Essa é quase sempre, a lógica dos vencedores que tudo prometem para ganhar votos. Afinal, com alguma surpresa, verifica-se que no caso do novo Presidente dos Estados Unidos nem foi preciso esperar para ver, porque numa simples semana ele encarregou-se de cumprir as suas promessas mais reacionárias, mais agressivas e mais ousadas, pondo em risco a estabilidade do seu país e a própria estabilidade do mundo. 

As medidas tomadas contra os refugiados estão a agitar a América, e milhões de americanos têm vindo protestar para as ruas. Até Barack Obama, que era suposto não se meter na vida do Donald, já veio criticar algumas das medidas presidenciais que denunciam um homem arrogante e fanfarrão, envolto em dinheiro e ignorância, sem princípios nem valores e sem qualquer respeito pelos Direitos Humanos. É caso para perguntar, como foi possível ter sido escolhido um indivíduo destes para a Casa Branca.

Fora dos Estados Unidos, também cresce a preocupação quanto ao rumo que este impreparado timoneiro está a dar ao Governo de uma tão grande nau, e como vem referindo a imprensa um pouco por todo o mundo, o repúdio é generalizado. É verdade que o mundo não vai bem, e até será necessário criar uma nova ordem mundial mais justa e mais equilibrada, mas não é isso o que o Donald está a fazer, com as suas políticas social e economicamente restritivas, que devido às interdependências que a globalização criou, vão acabar por prejudicar os americanos.

A América merecia melhor, e no actual estado de conflitualidade mundial, não era preciso ninguém para atirar mais gasolina para uma fogueira que arde em várias regiões do planeta. Vamos ver o que vem por aí, mas obviamente que não será coisa boa… 

03 fevereiro 2017

CRÓNICA NO NOTICIAS DE BARROSO DE 31JAN17

À semelhança do ocorrido na edição 503 deste jornal relativamente ao Governo da “geringonça”, chegou agora também o momento de avaliar o desempenho de Marcelo Rebelo de Sousa neste seu primeiro ano após a sua eleição para a Presidência da República, ocorrida como se sabe em 24 de Janeiro do ano transacto.Tal como o fiz relativamente a António Costa, fá-lo-ei agora, e com o mesmo rigor, em relação ao actual Presidente.

Dito isto e depois deste pequeno intróito, vamos então ao essencial!... E o essencial, diz-nos que Marcelo para além de superar todas as expectativas, passou com distinção este seu 1.º ano de mandato, ao ter capacidade para agir como Presidente de todos os portugueses.

Nunca pensei que volvido um ano, o actual inquilino de Belém que em campanha logo se apresentou como um homem que vinha da “esquerda da direita”, pudesse hoje merecer esta minha “homenagem”. A cultura, a inteligência, a proximidade com os cidadãos e o sentido de Estado, fizeram dele um referencial de estabilidade e patriotismo, apreciado pela grande maioria dos portugueses, como as mais recentes sondagens assim o deixam entender.

Dos múltiplos episódios que marcaram a sua agenda ao longo deste periodo, jamais poderei esquecer dois que me ficaram na retina: o sinal de respeito dado a todo país, quando da sua deslocação na noite de consoada ao Hospital de São José em Lisboa, onde não se inibiu de dar uma palavra de conforto a doentes, médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar, policias e a todos quantos por inerência das suas funções estiveram privados do ambiente familiar naquela data, e a visita aos sem-abrigo, que haviam sido acolhidos num pavilhão gimnodesportivo durante os dias gélidos de Janeiro, manifestando-lhe não só a sua solidariedade, como também os recados deixados às Instituições e ao Governo, de que era necessário fazer mais por esta gente. Foram actos singelos, mas que por si só, valeram mais que 10 anos do seu antecessor. E ninguém venha agora dizer que estamos perante comportamentos “populistas”!... Trata-se isso sim, de uma indiscutível preparação para o cargo, à qual não estávamos habituados. A pedagogia cívica de Marcelo Rebelo de Sousa, sem jamais manchar as suas funções ou envergonhar os portugueses, é um serviço que lhe devemos, e as acusações de vocação “peronista” não fazem qualquer sentido, antes pelo contrário, como recentemente o provou ao devolver à Assembleia da República a sua centralidade na política portuguesa, facto demonstrado no caso recente da polémica que envolveu TSU -Taxa Social Única.

Mas nem só de afectos tem vivido Marcelo Rebelo de Sousa!... Enfrentando um quadro de bipolarização resultante das eleições legislativas, o antigo Presidente do PSD teve não só a ousadia e a dignidade de colocar de lado as suas origens partidárias, defender desde o início que o Governo minoritário do PS suportado por acordos de incidência parlamentar à sua esquerda deveria cumprir o seu mandato, como também não criar obstáculos, e no essencial, apostar num diálogo de convergência com o executivo chefiado por António Costa.  Pena que a sua relação com a direcção do PSD tenha vindo a registar alguma tensão, ao demarcar-se da ideia de que faltava legitimidade ao Governo de Costa, e do discurso negativo da oposição sobre a trajectória das contas públicas, muito embora nunca tenha deixado de fazer os devidos reparos sobre a necessidade de captação de investimento e de crescimento económico.

Marcelo limita-se por isso – mesmo que a direita não goste - a fazer o seu trabalho e a contribuir à sua maneira, para que o país siga o seu curso imperturbável. Foi aliás o primeiro a contrariar a tese romana, de que “há na parte mais ocidental da Ibéria um povo muito estranho, que não se governa nem se deixa governar”, e a recusar uma nova edição cavaquista, baseada no cinzentismo, na intriga e no autoritarismo. Perguntar-me-ão: estará Passos a pagar a factura pela sua ousadia?!... Talvez, mas esse não é um problema de Marcelo enquanto Presidente de todos os portugueses. Esse é um problema de Passos e do PSD, isto, sem prejuízo de “àmanhã” poder acontecer o mesmo a Costa, a quem não hesitará em tirar-lhe o tapete se tal se tornar necessário.  Porém e até lá, depois de dez anos de cinzentismo politico, uma lufada de ar fresco sabe sempre bem.

Para terminar e apesar de todas estas considerações, direi que nem assim me tornei correligionário deste Presidente!... Nem deste, nem de nenhum outro. Exercer uma presidência não é uma ciência exacta e há sempre a possibilidade de alguém poder vir a fazer melhor, mas justiça lhe seja feita. Conhecendo-o desde os tempos em que frequentei a Faculdade de Direito de Lisboa, passei a admirá-lo ainda mais. A legitimidade e a dignidade com que tem exercido as suas funções assim o exigem. Para já, nem Obama lhe ganhou…
A Minha Crónica no Noticias de Barroso de 31JAN17 
Domingos Chaves

01 fevereiro 2017

A ESQUERDA DAS ESQUERDAS, ATRAVÉS DE BENOIT HAMON, VENCE AS PRIMÁRIAS FRANCESAS

As eleições primárias para o candidato do Partido Socialista Francês à presidência da República Francesa têm um enorme significado político e Benoit Hamon ainda que contra a expectativa de uma franja significativa do eleitorado francês, venceu-as com uma margem confortável de votos sobre Manuel Valls.

Mas estas não foram umas eleições quaisquer!... Foram pelo contrário um confronto entre a Esquerda liberal e a Esquerda social. Venceu esta última.
 Mas este foi também um momento, em que a Esquerda, num país europeu, se esforça por clarificar a sua posição política. Parafraseando Marcelo Rebelo deSousa, não se trata simplesmente da “Esquerda das Esquerdas”, mas antes da Esquerda política, económica e social, que assume as matrizes ideológicas da social-democracia, modernamente conhecida como socialismo democrático.

A Esquerda francesa, não devia por isso lamentar o ocorrido em detrimento de Manuel Valls baseando-se em cálculos contabilísticos, devia envergonhar-se isso sim, de ao longo das últimas décadas ter oferecido aos eleitores, um modelo de gestão da trama capitalista, ainda que adocicado – ou usando uma expressão popular, ter vendido a “alma ao diabo”.

Provavelmente Benoit Hamon, dificilmente irá ter um bom resultado eleitoral frente a Le Pen, mas a relevância da sua candidatura e do seu combate, verá nele a capacidade e a oportunidade gerada para proceder a uma clarificação da postura do PS francês, de forma a reencaminá-lo para a sua História e a sua Doutrina.

Desde os malabarismos sócio-liberais da 3ª. via encenados por Tony Blair e seguidos por outros dirigentes europeus que habitavam, ou ainda habitam o campo social-democrata europeu, que a Esquerda se descaracterizou profundamente, e tem perdido sucessivamente capacidade de intervir no campo político e social, com evidentes custos eleitorais.

É por issi significativo que este sobressalto tenha acontecido agora, em França!... Há poucos meses atrás, sucedeu algo de semelhante no Partido Trabalhista britânico quando alguns “blairistas” tentaram escorraçar Jeremy Corbyn por este estar a combater a deriva sócio liberal do Labour em curso desde Blair.

O facto de dois dos grandes países europeus - França e Grã-Bretanha - estarem a rectificar o percurso partidário das últimas décadas no âmbito da social-democracia e do socialismo-democrático, não trará resultados imediatos, mas é uma lufada de ar fresco que a médio e a longo prazo oxigenará a Esquerda, fazendo-lhe bater o coração e capacitando-a para eliminar os resquícios neo-liberais que ainda perduram, e finalmente combater eficazmente o populismo emergente.

31 janeiro 2017

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS - ZANGAS E AMÚOS!... SERÁ QUE É MESMO ASSIM?!...

Só os próprios o poderão confirmar, mas fazendo fé num jornal que lhes é muito próximo e sempre pronto a enviar os “recados da praxe”, a ilação que se pode retirar desta noticia, é que não há “fumo sem fogo”.
Noticia, que destaca a situação que se vive no seio do PSD e do CDS, que governaram o país entre 2011 e 2015, mas que agora parecem desavindos por causa das eleições autárquicas que se aproximam.
Segundo dizem as “más línguas”, terá havido uma aliança nacional entre os dois Partidos, no sentido de poderem optimizar os seus resultados eleitorais, e dessa forma levar o PS a uma derrota autárquica, conquistando-lhe a maioria das Cãmaras que actualmente detém e quem sabe a provocar-lhe um “rombo politico”, de consequências imprevisíveis, ou quem sabe até, qualquer coisa semelhante ao que aconteceu com António Guterres em 2002.
É normal que assim seja, porque a luta política para o bem ou para o mal, em Portugal é mesmo assim!... Porém as coisas não correram de feição, e antes que fosse tarde, a “centrista” Assunção Cristas decidiu de uma penada, candidatar-se não só a Presidente de Câmara, como escolher desde logo a capital, sem dar cavaco a Passos Coelho, que pelos vistos não terá gostado nada de ter sido posto de lado.
O problema é que como ninguém conhece a dita Assunção – uma amadora ainda que com salário de profissional, o que ela queria mesmo, era aparecer nas televisões a troco de publicidade "barata", esquecendo porém que o seu pequeno Partido – o quinto do “actual arco da governabilidade” - não tem estatuto político para estas jogadas.
E depois veio o pior: a astúcia da Assunção, talvez ainda inspirada no esperto que a antecedeu, alastrou por muitas outras localidades do país onde se estavam a preparar eventuais coligações entre ambos os Partidos, mas onde também se terão verificado os mesmos tipos de esperteza do CDS, que sem noção das realidades exigia paridades.
Evidentemente que o clima tinha que azedar, e... azedou , ocorrendo amuos de norte a sul, com particular realce para Lisboa, onde uma vez confrontado com esta realidade, o PSD já vai na sexta tentativa de arranjar um candidato, sem o conseguir.
Dito isto uma conclusão se pode tirar: os debates parlamentares que as televisões transmitem, têm mostrado a qualidade desta gente!... Sentados nas primeiras filas sob a orientação do cinico Montenegro e do imbecil Magalhães, outra coisa não têm feito senão usado vezes sem conta uma linguagem despropositada, provocadora, agressiva e até injuriosa. Parece não contarem para o país e a sua preocupação é baterem no tampo das mesas que não são deles, gritarem, gesticularem, e sabe-se lá mais o quê por “entre-dentes”. Coisas mal digeridas...
Comportamentos que com o "devido respeito", não diferem muito dos praticados pelas claques do futebol, e que revelam uma completa distorção daquilo que é a democracia. E sendo assim, como é que gente desta se pode entender?!...
Quanto a Coelho, tal como um qualquer líder da oposição, por norma não concorre a Presidente de Câmara!... O seu alvo será sempre o de Primeiro-Ministro. Porém face a tanta dificuldade, porque não imitar Jorge Sampaio, quando em situação semelhante concorreu e ganhou a Câmara de Lisboa?!... Uma oportunidade talvez para mostrar o que vale…