Nota
prévia: Como decorre da letra da Constituição da República Portuguesa
– artigo 191 - os Secretários de Estado dependem dos respectivos Ministros. No
caso das offshores em que Paulo Núncio é o verdadeiro protagonista, os
Ministros das Finanças, ao tempo das transacções transfronteiras, eram, primeiro
Vitor Gaspar, e depois na sequência da sua demissão Maria Luís
Albuquerque.
- Ambos, de forma escandalosa
e irresponsável, ainda nada disseram acerca da responsabilidade política já
publicamente assumida por quem, de jure,
não a tem - Paulo Núncio, ainda que de facto tenha sido ele o agente responsável
da retenção do despacho na gaveta, a fim de que o mesmo não produzisse efeitos
no plano operacional ao nível da máquina fiscal, e por essa via, a fiscalização
da Autoridade Tributária ficasse paralisada e não actuasse sobre aquela maciça
transferência de capitais.
- Numa palavra, e antes que
Marcelo tenha que vir a terreiro dar mais uma lição de Direito Constitucional,
à semelhança do que aconteceu relativamente à Lei 4/83, que obrigava os
gestores públicos a entregarem a sua declaração de rendimentos e património ao
Tribunal Constitucional, seria curial que os hibernados ex-Ministros das
Finanças dessem à costa para explicar esta "colossal" transferência
de dinheiro sem que o Estado arrecadasse o devido imposto.
- No limite, ficaria até com
vontade de sugerir aos ex-delegados da Tróika em Lisboa, a dupla Pedro Passos
Coelho/Paulo Portas, se porventura, não querem mostrar também os seus sms a
propósito de tão cadente assunto.
Quanto à Chefe do CDS, que
anda a inundar as caixas de correio dos lisboetas com lixo propagandístico com
o fito óbvio de conquistar alguns votinhos nas eleições autárquicas em
Lisboa, veio a público defender e elogiar a demissão do ex-Secretário de
Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio - atribuindo ao dito, "elevação
de carácter" pelo suposto combate à fraude e evasão fiscais.
Todavia, o que os factos
parecem querer demonstrar é exactamente o contrário, ou seja: foi pela
conduta manhosa de Núncio - quer por acção quer por omissão - que aquelas
maciças transferências de capital foram feitas sem o conhecimento do fisco, já
que o então secretário de Estado manteve o despacho na gaveta, a fim de
permitir aos seus amigos - banca e grandes clientes -poderem realizar tamanhas
transferências sem serem detectados pelas malhas do sistema informático da
Autoridade Tributária, e desse modo escaparem aos impostos.
Será a isto que a Cristas
designa "elevação de carácter"?!...
Aquilo a que Assunção Cristas,
de forma quase criminosa adjectiva de "elevação de carácter" e de
métodos no combate à fuga e evasão fiscais, é na prática, estender a passadeira
vermelha, de modo a que essas fugas se façam sem que o Fisco possa avaliar
essas transferências, e consequentemente cobrar o respectivo imposto de
capitais em benefício da fazenda pública.
Este problema com a verdade de
Cristas, revela a inversão de valores que perfilha e é com base nesses
expedientes que esta pseudo-candidata se apresenta à Câmara Municipal de
Lisboa. Ela tenta endireitar a sombra duma vara torta, e parece ser essa a sua
doutrina da verdade, à espera que os lisboetas – incrédulos, através
desse modus operandi votem nela.
A desonestidade de Assunção Cristas,
é portanto um acto que não deixa qualquer dúvida, ao confundir deliberadamente
a acção irresponsável de Paulo Núncio - vendo nela uma acção de transparência -
quando se tratou verdadeiramente, de omissão dolosa de informação, a fim
de paralisar a máquina fiscal para que esta por seu turno, ficasse tecnicamente
impedida de taxar aquela brutal transferência de capitais para os paraísos
fiscais, e dessa forma, prestar favores à banca e a grandes clientes
particulares, que são na verdade, clientes de sociedades de advogados,
onde o senhor Núncio foi e é avençado.
Cristas, revelou por isso má
fé, ao jogar poeira para os olhos dos portugueses, através de uma
argumentação fraca e inconsistente com os factos, e uma perfídia sem
limites com o intuito de os enganar, tal qual fez o seu correlegionário de
Partido e ex-Secretário de Estado, Paulo Núncio, abusando dos poderes públicos
que lhe estavam confiados no aparelho do Estado.
Cristas, que não passa de uma
política infantil, não devia confundir as suas opiniões e gostos pessoais com
os factos, pois se assim prossegue, tenderá a confundir a verdade com a mentira
e a páz social com a guerra psicológica, e isso não é bom para ela nem para o Partido
que pretende continuar a dirigir.
A dona Assunção, deveria por
isso ler o 1984 de George Orwell - para evitar cair no mecanismo
do duplo pensamento e da nova língua de que abriu mão, para
safar o seu amigo agora em dificuldades - quando elogia aquilo que devia
ser fortemente censurado, senão mesmo CRIMINALIZADO, já que por acção e omissão
de Paulo Núncio, o Estado deixou de poder cobrar impostos que em condições
normais cobraria, e isso redunda num aumento de impostos globais sobre os
portugueses, e no limite um empobrecimento de Portugal e dos portugueses.
Deus nos livre de ter gente
desta no aparelho de Estado.








