Fala quem foi trucidado pela máquina fiscal; quem foi obrigado a pagar impostos dos seus progenitores já falecidos, a quem o fisco havia declarado isenção com sêlo de garantia nas respectivas Cadernetas Prediais, mas que a "máquina trituradora" de Paulo Núncio, conseguiu reverter para ir buscar mais uns cobres. Era tudo assim, naqueles míseros anos em que nem sequer se pedia licença, para ir ao bolso dos contribuintes. Valia tudo, e a resposta para os contestatários, era a de que "primeiro pagava" e "depois reclamava". Um verdadeiro assalto a uns, e o estender da passadeira a outros.Só alguém masoquista, pode esquecer esta violência.
É por isso que volto ao tema offshores!... E
volto porque não perdeu actualidade, antes pelo contrário. Ganhou ainda mais, depois
do ex. Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Paulo Nùncio, ter dito tudo e
o seu contrário no Parlamento, acabando a meter as mãos pelos pés e os pés
pelas mãos.
Assim, e depois de ter
começado por dizer que a publicação das estatísticas das transferências para as
offshores era da responsabilidade da Autoridade Tributária e não dele, o senhor
acabou a referir que tomou a decisão de não as publicar, para nas suas próprias
palavras - "não beneficiar o infractor", o que significa, que trapalhada
mais trapalhona não há.
Mas esta, é de resto uma
trapalhada com muito de “pescada dos Panamás papers” : antes de o ser já o era.
Dito isto, e para além das
perguntas que lhe foram feitas, haverá porventura outras, que os portugueses –
os tais que não têm contas em offshores – gostariam de ver esclarecidas:
1.ª – Será verdade, que quando
foi chamado por Paulo Portas para o Governo de Passos Coelho, Paulo Núncio ganhava
a vida a tratar da vida das offshores?!...
2.ª– Será verdade que quando
saiu do Governo, regressou naturalmente ao seu anterior modo de vida?!...
3.ª – Será verdade que especializado em offshores
como era – e possivelmente ainda é, criou várias empresas na Madeira e
interveio no negócio ruinoso das viaturas blindadas Pandur, decidido por Paulo
Portas, o qual objecto de uma Comissão de Inquérito no Parlamento para
averiguar as aquisições de equipamento militar, viu a sua presença
inviabilizada na AR, pela então maioria PSD e CDS/PP?!...
4.ª- Será verdade que Paulo Núncio,
sabia que a amnistia fiscal RERT III que fez aprovar em 2012, era um mecanismo
para branquear capitais, permitindo a criminosos e evasores fiscais limpar
cadastro e nem sequer ter de repatriar capitais - como os da ESCOM e BES que
receberam comissões pela compra dos submarinos?!...
5.ª- E será também verdade,
que cerca de metade dos ditos 10 mil milhões que “voaram” sem se saber como,
saíram do BES e que agora serão os contribuintes a pagar a factura?!...
6.ª- E será ainda verdade, que
Paulo Núncio sabia que despachava em Outubro de 2011, contra parecer o da
Inspecção Geral de Finanças, para dar isenções de milhares de milhões a grupos
económicos que passavam a poder transferir lucros como dividendos de SGPSs para
sociedades-mães, por exemplo, as sediadas na Holanda?!...
7.ª- E será verdade, que
também sabia, que um artigo da IV Directiva BC/FT interessava aos offshores para
continuarem a ofuscar beneficiários efectivos e que transformou esse : artigo
na Lei n.º 118/2015, mesmo antes de transposta a dita Directiva?!...
8.ª- E será verdade que também
sabia, que a Zona Franca da Madeira estava "fora de controlo" após
conclusão da IGF, mas deixou-a em roda livre, o que permitiu que não fossem
conhecidos os milhares de milhões que saíram em transferências transfronteiriças
desde 2010, embora se saiba que não foram fiscalizadas pela AT nacional?!....
Pois é:Paulo Núncio disse
assumir a sua "responsabilidade política"!... Mas será que isso é
suficiente?!... Não haverá questões, que por respeito aos portugueses, “triturados”
que foram pela máquina fiscal durante o mandato do senhor Núncio, do senhor Gaspar
e da senhora Albuquerque, que devem ser averiguadas para além da
responsabilidade politica – cujo preço é zero?!... Será que quem chefiava o
Governo e a pasta das Finanças - Passos, Portas, Gaspar e Albuquerque, eram
simples figuras decorativas nesta matéria?!... Será tudo isto a grande dívida
dos portugueses, que a infantilidade da senhora Assunção Cristas diz terem para
com Paulo Núncio?!...
Estas são pois as dúvidas que
todos os cidadãos contribuintes querem saber, e se tal não fôr possível e a
culpa recair sobre as empregadas de limpeza, que por incúria desligaram os
computadores, no limite, ficaria até com vontade de sugerir aos ex-delegados da
Tróika em Lisboa - Passos Coelho e Paulo Portas - se porventura não querem
mostrar também os seus sms a propósito de tão cadente assunto.
E para terminar: quanto à
Chefe do CDS, que anda a inundar as caixas de correio dos lisboetas com lixo
propagandístico com o fito óbvio de conquistar alguns votinhos nas eleições
autárquicas em Lisboa, aquilo que se lhe recomenda é que se deixe de
infantilidades!... Com a sua atitude, defendendo o que não tem defesa, o que
Assunção Cristas de forma quase criminosa adjectiva de "elevação de carácter"
e de métodos no combate à fuga e evasão fiscal, significa na prática, o estender
da passadeira para que essas fugas se façam sem que o Fisco as possa avaliar, e
consequentemente cobrar o respectivo imposto de capitais em benefício da
fazenda pública.
Será que a senhora também já
esqueceu a famosa lista VIP, que o senhor Núncio também começou por desmentir,
criada que foi para que gente importante e certamente de bem, não fosse sequer
incomodada com uma consulta ao seu cadastro fiscal?!... Chama a isto “elevação
de carácter e divida ao seu pupilo”?!... Se é assim, então estamos entendidos.






