13 março 2017

- JUSTIÇA DEIXA MARCELO DESCONFORTÁVEL!...

Quem se mete com a Justiça leva!... Que o diga Sócrates, que enquanto Primeiro-Ministro cortou férias e outras mordomias a Juízes e Procuradores. Desse modo, tornou-se num alvo do ódiozinho de estimação dos senhores Magistrados.
Perante este caso de exemplar retaliação - Sócrates já está destruído politicamente para todo o sempre, seja ou não culpado de qualquer ilícito, porque a Justiça já o enforcou e condenou na praça pública antes de o condenar em julgamento - todos os actores políticos temem pronunciar-se sobre as reiteradas e cirúrgicas quebras do segredo de Justiça patrocinadas pelos senhores Magistrados, e sobre a conivência e promiscuidade com certa comunicação social. Chega-se ao ponto de os arguidos serem confrontados com factos acusatórios pelos jornais antes destes lhes serem apresentados, permitindo-lhes fazer em sede de inquérito a sua defesa, antes da divulgação pública dos mesmos factos.

Deste modo, quer os partidos, da direita à esquerda, quer o governo actual quer o anterior, evitam pronunciar-se na praça pública. Temem ser acusados de se quererem imiscuir na acção da Justiça, e serem desse modo acusados de atacar a independência da mesma, um dos pilares cruciais do Estado de Direito. No caso da Operação Marquês, envolvendo Sócrates, o PS especialmente, foge do tema como o diabo foge da cruz, temendo ser acusado de querer defender o ex-Primeiro-Ministro e seu militante.

Mas não são só essas as razões que levam os actores políticos a não se pronunciarem sobre o tema. A questão é que os políticos temem a Justiça, e sabem que hostilizar a corporação dos senhores Juízes, pode levar a que a ira destes e a sua sanha persecutória se volte contra quem lhes aponte o dedo.
No fundo, políticos, partidos e companhia, todos tem telhados de vidro, e caso fossem sujeitos ao escrutínio e devassa que foram usadas contra Sócrates, provavelmente poucos cumpririam a cem por cento todos critérios de legalidade e transparência.

Nesse sentido, é de sublinhar as declarações feitas hoje por Marcelo Rebelo de Sousa, (Ver notícia aqui) que veio a público colocar o dedo na ferida e mostrar o seu desconforto com o estado da Justiça em Portugal, trazendo a debate especificamente a problemática da quebra do segredo de justiça, a realização de julgamentos na praça pública e a justiça de pelourinho.
Marcelo parece que é o único que não tem telhados de vidro e que não teme as represálias dos senhores Magistrados. Não deve dever nada a ninguém, nunca deve ter pedido dinheiro a amigos - coisa de que nem todos os Juízes se podem orgulhar, como se viu com juiz Alexandre.

E mesmo nas variadas vezes que passou férias e Natais no Brasil com o Dr. Ricardo Salgado, deve ter pago o hotel do seu próprio bolso e guardado as facturas.É que se não guardou, Marcelo pode estar em sarilhos: depois do recado que mandou hoje aos senhores Juízes, ainda se arrisca a ser o próximo arguido da Operação Marquês.

09 março 2017

- O PRIMEIRO ANO DE MANDATO DE MARCELO REBELO DE SOUSA!...

Declaração de interesses: não votei em Marcelo!... Mas o paradoxo, é que provavelmente, como muitos que nele não votaram, me sinto hoje muito mais confortável com o seu primeiro ano de exercício, do que a maioria dos que nele votaram.

A direita anda amuada com Marcelo, esperava um Presidente conspirador, uma versão mais refinada - e por isso mais perigosa - da mão atrás do arbusto,  um fazedor de cenários políticos,  e saiu-lhe um Presidente colaborante com o Governo, prezando a estabilidade acima de tudo. Esperava um Presidente que lhe desse boleia para o regresso à governação conseguida à custa do regresso do diabo e das sete pragas do Egipto nos cornos do mafarrico, e saiu-lhe um Presidente que diz e defende, que tudo o que for bom para o país terá a sua bênção, mesmo que seja a esquerda a consegui-lo.

E o país está com o estilo Marcelo!.... A popularidade do Presidente atinge níveis quase estratosféricos. O estilo não é tudo, mas ajuda muito. Marcelo encarna várias simbioses de quase impensável casamento que só ele mesmo conseguiria alcançar. E aí, o mérito é só dele e das suas qualidades e defeitos pessoais. Ser da esquerda da direita, ou da direita da esquerda se preferirem, não é para qualquer um. Marcelo, tem conseguido até ao momento, desatar esses nós e juntar essas dicotomias e oposições.

Tal popularidade tem assentado em dois eixos cruciais!... Em primeiro lugar, Marcelo não tem tido que gerir grandes conflitos políticos, por uma simples razão: é perito em evitar que os conflitos surjam e segue uma estratégia de medicina preventiva de forma a não ter que os arbitrar. Como se sabe, os árbitros são sempre os maus da fita, sobretudo para aqueles que se sentem prejudicados pelas suas decisões, e Marcelo - acima de tudo - quer ser sempre o bom da fita, qual policia justiceiro e imparcial.

Nessa senda, o seu segundo eixo tem assentado na dessacralização da função presidencial!... O Presidente não está altaneiro e distante no alto do seu castelo a reinar. Está pelo contrário, sempre no meio do seu povo. Tanto recebe banqueiros como almoça com os sem-abrigo; tanto bebe sumos de laranja no bar do liceu que frequentou quando jovem, como usa com todo o à-vontade os talheres de prata em almoços de Estado com personalidades estrangeiras que nos visitam. Mas mais que  esta dualidade,  a causa maior para a popularidade de Marcelo, é ele interpretar tal dualidade de forma genuína e não forçada. Se não fosse genuína, mais tarde ou mais cedo iriam surgir gaffes de desempenho que o povo não perdoaria e a queda do pedestal seria inevitável. Mas não!... Antevejo que Marcelo não irá cair tão cedo, e talvez nunca chegue mesmo a cair, optando talvez pelo cúmulo da glória que seria sair de cena pelo seu próprio pé, não se recandidatando. Ele é one man show, uma espécie de artista que sem orquestra ou acompanhamento, enche só por si o palco sem desiludir o público.

Como disse acima, a direita anda amuada com Marcelo, e boa parte da esquerda ainda anda de pé atrás e desconfia. Mas - digo eu - em boa medida, não tem razão para desconfiar e por um simples motivo: Marcelo não tem alternativa senão apoiar o Governo e ajudá-lo a levar a nau da Geringonça a bom porto. Para o não fazer, teria que ter à direita do espectro político outras personagens, outras práticas e outros programas políticos. Mas o que se vislumbra à direita, é um grupelho de imbecis a lamber ainda as feridas do seu inesperado afastamento da governação. Gente sem ideias, sem postura ética, sem qualquer desígnio estratégico para o país, a não ser a satisfação de interesses pessoais e de grupos restritos. São demasiado cábulas e maus alunos para passarem no exame do Marcelo, que ao que consta, nunca deu notas aos estudantes de acordo com a sua cor política, nem para outorgar benefícios indevidos e injustificados. É por isso que, nesse aspecto, custa menos a Marcelo aceitar as contribuições para a governação do PCP e do BE, desde que vinda de gente competente - uma espécie de estudantes aplicados -, do que do PSD actual, onde ciranda uma manada de incompetentes - ou seja um grupo exemplar de alunos relapsos.

Não quero dizer com isto que Marcelo tenha denegado a sua matriz política identitária original. Essa matriz persiste e materializa-se na defesa de três pilares fundamentais que são as suas linhas, não direi totalmente vermelhas, mas pelo menos cor de rosa choque: a Nato, a União Europeia e o Euro. Mas como tais linhas são da ordem da macropolítica e da inserção do país na geopolítica europeia e mundial e não do foro da política interna corrente.Mas como o PS não se propõe para já ultrapassá-las ou sequer discuti-las - ainda que vá manifestando aqui e ali algum incómodo com tais temas -, a Geringonça, enquanto for este o cenário, terá a benção sincera de Marcelo.

Porque não é uma política de maior equidade na distribuição do rendimento, reposição de salários e pensões, que pode causar engulhos ao Marcelo-cristão praticante, longe disso. Ele que tanto elogia o Papa Francisco, voz que tem colocado grande ênfase na sua pregação nos temas da desigualdade. Logo neste aspecto, Marcelo tem razão, já que está à esquerda da direita, pelo menos da direita fundamentalista e neoliberal que temos a dominar o PSD e o CDS.

Mas se a bandeira da luta contra a desigualdade passar por discutir as causas que a originam (a organização económica capitalista, as assimetrias entre os países europeus da periferia e os do centro, potenciadas por uma integração económica imperfeita e por uma moeda única que é o seu veículo), nesse caso Marcelo já não consegue ir tão longe, e os limites ideológicos da sua formação de homem do sistema, vem ao de cima e aí passa a ser, como bem disse o próprio, a direita da esquerda.

Portugal como nação antiga que é, talvez tenha uma sagacidade colectiva que só é apanágio das velhas estirpes, e por isso, talvez tenha produzido e escolhido o tipo e o estilo de Presidente que mais se adequa ao actual momento político, quer em tempos do cenário interno quer em termos do palco mundial. Um pequeno país, num mar infestado de tubarões, só unido e com uma liderança que empolgue e potencie o que têm de melhor pode subsistir e sobreviver. E nessa missão Marcelo, até ver, não tem desiludido.

03 março 2017

- OS DOIS PESOS E AS DUAS MEDIDAS DA MÁQUINA FISCAL DE PAULO NÚNCIO.

Fala quem foi trucidado pela máquina fiscal; quem foi obrigado a pagar impostos dos seus progenitores já falecidos, a quem o fisco havia declarado isenção com sêlo de garantia nas respectivas Cadernetas Prediais, mas que a "máquina trituradora" de Paulo Núncio, conseguiu reverter para ir buscar mais uns cobres. Era tudo assim, naqueles míseros anos em que nem sequer se pedia licença, para ir ao bolso dos contribuintes. Valia tudo, e a resposta para os contestatários, era a de que "primeiro pagava" e "depois reclamava". Um verdadeiro assalto a uns, e o estender da passadeira a outros.Só alguém masoquista, pode esquecer esta violência.

É por isso que volto ao tema offshores!... E volto porque não perdeu actualidade, antes pelo contrário. Ganhou ainda mais, depois do ex. Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Paulo Nùncio, ter dito tudo e o seu contrário no Parlamento, acabando a meter as mãos pelos pés e os pés pelas mãos.

Assim, e depois de ter começado por dizer que a publicação das estatísticas das transferências para as offshores era da responsabilidade da Autoridade Tributária e não dele, o senhor acabou a referir que tomou a decisão de não as publicar, para nas suas próprias palavras - "não beneficiar o infractor", o que significa, que trapalhada mais trapalhona não há.
Mas esta, é de resto uma trapalhada com muito de “pescada dos Panamás papers” : antes de o ser já o era.

Dito isto, e para além das perguntas que lhe foram feitas, haverá porventura outras, que os portugueses – os tais que não têm contas em offshores – gostariam de ver esclarecidas:

1.ª – Será verdade, que quando foi chamado por Paulo Portas para o Governo de Passos Coelho, Paulo Núncio ganhava a vida a tratar da vida das offshores?!...
2.ª– Será verdade que quando saiu do Governo, regressou naturalmente ao seu anterior modo de vida?!...
3.ª –  Será verdade que especializado em offshores como era – e possivelmente ainda é, criou várias empresas na Madeira e interveio no negócio ruinoso das viaturas blindadas Pandur, decidido por Paulo Portas, o qual objecto de uma Comissão de Inquérito no Parlamento para averiguar as aquisições de equipamento militar, viu a sua presença inviabilizada na AR, pela então maioria PSD e CDS/PP?!...
4.ª- Será verdade que Paulo Núncio, sabia que a amnistia fiscal RERT III que fez aprovar em 2012, era um mecanismo para branquear capitais, permitindo a criminosos e evasores fiscais limpar cadastro e nem sequer ter de repatriar capitais - como os da ESCOM e BES que receberam comissões pela compra dos submarinos?!...
5.ª- E será também verdade, que cerca de metade dos ditos 10 mil milhões que “voaram” sem se saber como, saíram do BES e que agora serão os contribuintes a pagar a factura?!...
6.ª- E será ainda verdade, que Paulo Núncio sabia que despachava em Outubro de 2011, contra parecer o da Inspecção Geral de Finanças, para dar isenções de milhares de milhões a grupos económicos que passavam a poder transferir lucros como dividendos de SGPSs para sociedades-mães, por exemplo, as sediadas na Holanda?!...
7.ª- E será verdade, que também sabia, que um artigo da IV Directiva BC/FT interessava aos offshores para continuarem a ofuscar beneficiários efectivos e que transformou esse : artigo na Lei n.º 118/2015, mesmo antes de transposta a dita Directiva?!...
8.ª- E será verdade que também sabia, que a Zona Franca da Madeira estava "fora de controlo" após conclusão da IGF, mas deixou-a em roda livre, o que permitiu que não fossem conhecidos os milhares de milhões que saíram em transferências transfronteiriças desde 2010, embora se saiba que não foram fiscalizadas pela AT nacional?!....

Pois é:Paulo Núncio disse assumir a sua "responsabilidade política"!... Mas será que isso é suficiente?!... Não haverá questões, que por respeito aos portugueses, “triturados” que foram pela máquina fiscal durante o mandato do senhor Núncio, do senhor Gaspar e da senhora Albuquerque, que devem ser averiguadas para além da responsabilidade politica – cujo preço é zero?!... Será que quem chefiava o Governo e a pasta das Finanças - Passos, Portas, Gaspar e Albuquerque, eram simples figuras decorativas nesta matéria?!... Será tudo isto a grande dívida dos portugueses, que a infantilidade da senhora Assunção Cristas diz terem para com Paulo Núncio?!...

Estas são pois as dúvidas que todos os cidadãos contribuintes querem saber, e se tal não fôr possível e a culpa recair sobre as empregadas de limpeza, que por incúria desligaram os computadores, no limite, ficaria até com vontade de sugerir aos ex-delegados da Tróika em Lisboa - Passos Coelho e Paulo Portas - se porventura não querem mostrar também os seus sms a propósito de tão cadente assunto. 

E para terminar: quanto à Chefe do CDS, que anda a inundar as caixas de correio dos lisboetas com lixo propagandístico com o fito óbvio de conquistar alguns votinhos nas eleições autárquicas em Lisboa, aquilo que se lhe recomenda é que se deixe de infantilidades!... Com a sua atitude, defendendo o que não tem defesa, o que Assunção Cristas de forma quase criminosa adjectiva de "elevação de carácter" e de métodos no combate à fuga e evasão fiscal, significa na prática, o estender da passadeira para que essas fugas se façam sem que o Fisco as possa avaliar, e consequentemente cobrar o respectivo imposto de capitais em benefício da fazenda pública. 
Será que a senhora também já esqueceu a famosa lista VIP, que o senhor Núncio também começou por desmentir, criada que foi para que gente importante e certamente de bem, não fosse sequer incomodada com uma consulta ao seu cadastro fiscal?!... Chama a isto “elevação de carácter e divida ao seu pupilo”?!... Se é assim, então estamos entendidos. 

02 março 2017

- O LIVRO DE CAVACO!... UMA FRAUDE IGUAL A TANTAS OUTRAS...

Agora que já li as suas “confissões”, poderei afirmar que Cavaco Siva copiou Fernando Lima, que esperou a reforma para o “malhar” a si e à sua Maria. Ou por outras palavras: aguardou pelas várias reformas e um ano, para se revelar como pioneiro na divulgação dos pormenores das audiências que teve com um ex.Primeiro Ministro às quintas-feiras - José Sócrates - a quem, seguindo o método de Lima em relação a ele, resolveu “malhar” também.
Só que tal como o seu ex-assessor e com raiva tardia, em vez de explicar o caso das escutas, o negócio das acções dele e da filha, a cumplicidade com Oliveira e Costa e o BPN, a permuta de terrenos onde achou a vivenda Gaivota Azul, ou a razão para preencher a ficha na Pide, resolveu escrever 592 páginas, dois terços das quais, revelam um verdadeiro acto de vingança e ressentimento, ao dedicá-las apenas às ditas audiências, às quais diz, Sócrates chegar bem preparado, mas quase sempre atrasado. Um verdadeiro ajuste de contas, de quem diz não gostar da política espectáculo, refutando a imerecida alcunha de palhaço, com que Miguel Sousa Tavares no Expresso, o havia contemplado.
Cavaco Silva, revelando-se por assim dizer, como um redactor de terceira, mas com uma azia de primeira categoria, a quem não há bicarbonato que valha, mais não tenta fazer que a limpeza da apagada e vil tristeza a que o esquecimento e alívio dos portugueses o remeteu, apresentando-se como um epifenómeno da degradação ética do regime, e como o arquitecto desta direita que capturou o PSD e o CDS, encarando as funções presidenciais inspirado nos “pastorinhos” de Fátima, para salvar Portugal dos comunistas.
E o facto, é que a esquerda e em especial o centro-esquerda social-democrata se intimidou com o assédio destas concepções, ao ponto de permitir a tomada do poder dos neo-liberais, os quais mantendo as designações democráticas PSD e CDS, tinham como principal objectivo, a vingança das conquistas populares. Social-Democracia Sempre – dizia Pedro Passos Coelho, depois de expulso do Governo pelo PS, BE, PCP e PEV, e de ter feito o mais implacável ataque ao sector público e as mais ruinosas privatizações.
Cavaco Silva divulgou o seu livro, no qual como se referiu, dois terços do mesmo se referem  às 118 audiências com um ex.Primeiro-Ministro caído em desgraça!... Dois terços de ódio doentio e falta de coragem, de quem forjou o escândalo das escutas, culpando a vítima – Partido Socialista - e desmentindo o cúmplice - Fernando Lima - que zangado com ele e as suas tricas o denunciou de ter engendrado a notícia para o jornal Público, onde à época estava José Manuel Fernandes – o tal que percorreu o caminho ultra-esquerdista do maoísmo, até à agora ultra-direita.

Perante o facto inédito de revelar o conteúdo de audiências oficiais, sem testemunhas ou possibilidade de contraditório, é por isso essencial conhecer o carácter do delator e do narciso que olhava o mar e não vislumbrava submarinos à tona. Mas melhor do que a nebulosa vida privada ou as faltas injustificadas na Universidade Nova, para leccionar na Católica - mais lucrativa - definem-lhe o carácter as várias decisões políticas que aqui relembro:

 1 – A reintegração no serviço activo das Forças Armadas e a promoção a CEMGFA do General Soares Carneiro, ex-director do Campo de Concentração São Nicolau; 

 2 – A atribuição de pensões a dois destacados elementos da Pide, por relevantes serviços à Pátria, pensão que recusou ao heróico capitão Salgueiro Maia; 

 3 – A decisão de em 1987, terdado ordens para  Portugal votar ao lado dos EUA,  de Reagan e do Reino Unido de Thatcher, contra uma resolução da ONU, que exigia entre outras coisas, a libertação de Nelson Mandela. (Resolução da Assembleia Geral n.º 42/23A), facto que constituíu uma vergonha para os portugueses; 

 4 – O vetou pelo seu Governo à candidatura de Saramago ao Prémio Literário Europeu,1992, agraciou o seu homem de confiança e censor, Sousa Lara, com a Ordem do Infante D. Henrique, reservada a “quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro”;

 5 – E já no fim do último mandato, em completo desvario, quis dividir o Grupo Parlamentar do PS, com ameaças nocivas ao País, na tentativa de evitar o actual Governo, enfurecido que ficou contra a Assembleia da República, que o viabilizou através da maioria dos deputados, democraticamente eleitos.

Urge por isso defender a liberdade e a solidariedade. Cavaco é um inimigo, não pela relevância do sujeito, mas pelas cumplicidades que mantém e pelo desejo de vingança que o move. Este livro é um verdadeiro flopp.

01 março 2017

- UM EX.SECRETÁRIO DE ESTADO SEM UM MÍNIMO DE VERGONHA!...

A audição do ex-Secretário de Estado Paulo Núncio, hoje no Parlamento, acerca da transferência de dinheiro para offshores, foi um exercício atabalhoado de afirmações retorcidas que pretenderam justificar o injustificável. Vamos por partes:
Tentou justificar a não publicação da lista das transferências para offshores com base no facto de ter dúvidas relativamente a tal publicação poder, segundo ele, beneficiar o infractor. Não consegui perceber, nem ele explicou mas deve saber já que é um especialista em offshores, donde pode advir tal benefício. A lista, quando é publicada reporta a operações realizadas no ano anterior. Logo, como podem os infractores ser beneficiados se a infracção, a ter acontecido, já é um facto do passado?!... Mais: A lista contém informação sobre operações financeiras que os bancos reportam, mas que também devem ser informadas pelos contribuintes às autoridades ficais na declaração Modelo 38. Publicar a lista, portanto, não dá nenhuma informação adicional ao contribuinte infractor. Se ele declarou as suas operações financeiras no Modelo 38 e as vê reflectidas na listagem, já o sabia. Se não declarou e as vê na lista, também já sabia que tal iria acontecer, sujeitando-se portanto às decorrentes penalizações legais.
Depois tentou separar a não publicação da listagem do não pagamento de impostos. Ou seja, publicar a lista não implicaria que os impostos fossem pagos, e esse pagamento é que seria importante, tal como não publicar não levaria ao seu não pagamento. Assumiu a responsabilidade pela não publicação da lista, mas não pelo hipotético não pagamento de impostos. Ora, o que se concluiu da audição de hoje, é que a não publicação da lista pode ter permitido que haja não pagamento de impostos que não foi sancionado e que, pelo menos em parte, podem nunca vir a ser recuperados por não poderem ser liquidados em tempo útil. Logo, a não publicação da listagem, a haver infractores, só os beneficiou, pelo que é ridícula a defesa de Núncio, dizendo que não a tinha publicado para os não beneficiar.
Outra linha da argumentação de Núncio e da direita é que mandar dinheiro para offshores não é crime e que a maioria do dinheiro que é transferido corresponde ao pagamento de facturas que as empresas fazem quando importam bens e serviços do estrangeiro. Mas será que as empresas estrangeiras que nos vendem produtos não tem contas bancárias em bancos e contas bancárias normais, só tem contas em offshores?!... Compramos a empresas alemãs, espanholas, inglesas, chinesas ou seja lá de que nacionalidade for e mandamos por norma o dinheiro do pagamento para Jersey, para o Panamá ou para a Ilha de Man?!... Não terá o comprador sério o direito e o dever de exigir ao seu fornecedor que lhe dê uma conta bancária situada fora de uma jurisdição no mínimo esquisita?!... Ou será que as condições de venda e de pagamento serão mais benéficas caso o pagamento seja feito para um offshore, sendo esta a prática normal no comércio internacional?!... A ser assim, e se calhar é mesmo, a corrupção e a fraude fiscal está entranhada no âmago de todo o sistema económico, pelo que só uma crítica de fundo ao próprio sistema – que poucos se atrevem a subscrever a nível político, sendo de imediato considerados radicais -, poderá pôr fim a tais práticas.
Mas, a conclusão mais grave que resulta desta audição é de ordem política. Suponhamos que o PSD/CDS tinham continuado no Governo após as eleições de 2015!... O que aconteceria?!... Nada mais simples: continuaria a existir opacidade sobre as transferências para offshores, as listas de 2011 a 2014 continuariam na gaveta e a de 2015 não teria visto a luz do dia. As falhas no escrutínio aos 10.000 milhões de euros que saíram do país continuariam a ser ocultadas debaixo do tapete e quaisquer impostos que se venham ainda a apurar ser devidos nunca seriam liquidados.
O que só prova que estamos perante um caso de grave relevância política que revela a parcialidade do Governo anterior no que toca à repartição dos sacrifícios fiscais: espada e varapau contra os pilha-galinhas, passadeira vermelha para os tubarões.

A FUGA AOS IMPOSTOS VIA OFFSHORES, E A INFANTILIDADE E INVERSÃO DE VALORES DA SENHORA ASSUNÇÃO CRISTAS.

Nota prévia: Como decorre da letra da Constituição da República Portuguesa – artigo 191 - os Secretários de Estado dependem dos respectivos Ministros. No caso das offshores em que Paulo Núncio é o verdadeiro protagonista, os Ministros das Finanças, ao tempo das transacções transfronteiras, eram, primeiro Vitor Gaspar, e depois na sequência da sua demissão Maria Luís Albuquerque. 
- Ambos, de forma escandalosa e irresponsável, ainda nada disseram acerca da responsabilidade política já publicamente assumida por quem, de jure, não a tem - Paulo Núncio, ainda que de facto tenha sido ele o agente responsável da retenção do despacho na gaveta, a fim de que o mesmo não produzisse efeitos no plano operacional ao nível da máquina fiscal, e por essa via, a fiscalização da Autoridade Tributária ficasse paralisada e não actuasse sobre aquela maciça transferência de capitais. 
- Numa palavra, e antes que Marcelo tenha que vir a terreiro dar mais uma lição de Direito Constitucional, à semelhança do que aconteceu relativamente à Lei 4/83, que obrigava os gestores públicos a entregarem a sua declaração de rendimentos e património ao Tribunal Constitucional, seria curial que os hibernados ex-Ministros das Finanças dessem à costa para explicar esta "colossal" transferência de dinheiro sem que o Estado arrecadasse o devido imposto. 
- No limite, ficaria até com vontade de sugerir aos ex-delegados da Tróika em Lisboa, a dupla Pedro Passos Coelho/Paulo Portas, se porventura, não querem mostrar também os seus sms a propósito de tão cadente assunto. 
Quanto à Chefe do CDS, que anda a inundar as caixas de correio dos lisboetas com lixo propagandístico com o fito óbvio de conquistar alguns votinhos nas eleições autárquicas em Lisboa, veio a público defender e elogiar a demissão do ex-Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio - atribuindo ao dito, "elevação de carácter" pelo suposto combate à fraude e evasão fiscais.
Todavia, o que os factos parecem querer demonstrar é exactamente o contrário, ou seja: foi pela conduta manhosa de Núncio - quer por acção quer por omissão - que aquelas maciças transferências de capital foram feitas sem o conhecimento do fisco, já que o então secretário de Estado manteve o despacho na gaveta, a fim de permitir aos seus amigos - banca e grandes clientes -poderem realizar tamanhas transferências sem serem detectados pelas malhas do sistema informático da Autoridade Tributária, e desse modo escaparem aos impostos. 
Será a isto que a Cristas designa "elevação de carácter"?!... 
Aquilo a que Assunção Cristas, de forma quase criminosa adjectiva de "elevação de carácter" e de métodos no combate à fuga e evasão fiscais, é na prática, estender a passadeira vermelha, de modo a que essas fugas se façam sem que o Fisco possa avaliar essas transferências, e consequentemente cobrar o respectivo imposto de capitais em benefício da fazenda pública.  
Este problema com a verdade de Cristas, revela a inversão de valores que perfilha e é com base nesses expedientes que esta pseudo-candidata se apresenta à Câmara Municipal de Lisboa. Ela tenta endireitar a sombra duma vara torta, e parece ser essa a sua doutrina da verdade, à espera que os lisboetas – incrédulos, através desse modus operandi votem nela. 
A desonestidade de Assunção Cristas, é portanto um acto que não deixa qualquer dúvida, ao confundir deliberadamente a acção irresponsável de Paulo Núncio - vendo nela uma acção de transparência - quando se tratou verdadeiramente, de omissão dolosa de informação, a fim de paralisar a máquina fiscal para que esta por seu turno, ficasse tecnicamente impedida de taxar aquela brutal transferência de capitais para os paraísos fiscais, e dessa forma, prestar favores à banca e a grandes clientes particulares, que são na verdade, clientes de sociedades de advogados, onde o senhor Núncio foi e é avençado.
Cristas, revelou por isso má fé, ao jogar poeira para os olhos dos portugueses, através de uma argumentação fraca e inconsistente com os factos, e uma perfídia sem limites com o intuito de os enganar, tal qual fez o seu correlegionário de Partido e ex-Secretário de Estado, Paulo Núncio, abusando dos poderes públicos que lhe estavam confiados no aparelho do Estado.
Cristas, que não passa de uma política infantil, não devia confundir as suas opiniões e gostos pessoais com os factos, pois se assim prossegue, tenderá a confundir a verdade com a mentira e a páz social com a guerra psicológica, e isso não é bom para ela nem para o Partido que pretende continuar a dirigir. 
A dona Assunção, deveria por isso ler o 1984 de George Orwell - para evitar cair no mecanismo do duplo pensamento e da nova língua de que abriu mão, para safar o seu amigo agora em dificuldades - quando elogia aquilo que devia ser fortemente censurado, senão mesmo CRIMINALIZADO, já que por acção e omissão de Paulo Núncio, o Estado deixou de poder cobrar impostos que em condições normais cobraria, e isso redunda num aumento de impostos globais sobre os portugueses, e no limite um empobrecimento de Portugal e dos portugueses. 

Deus nos livre de ter gente desta no aparelho de Estado.