A Procuradora Geral da
República, Joana Marques Vidal, anunciou o adiamento da conclusão da
investigação criminal da Operação Marquês, que envolve José Sócrates e outros
arguidos. É a sexta vez que tal acontece. O problema, é que na prática, Joana
Marques Vidal deixa aberta a porta para que a investigação continue para lá de
Junho e o fim da Operação Marquês passa a ser como o Natal - é quando um homem
quiser.
Neste caso, o homem é o Procurador
Rosário Teixeira, que pode sempre invocar a necessidade de mais investigações
ou de enviar novas cartas rogatórias, e aguardar pela respectiva resposta ou de
fazer novas investigações – como a que foi realizada esta semana aos
escritórios do GES, onde passados que foram mais de quatro anos depois do
inicio da operação, ainda nos quer convencer das imensas provas que haverá lá para
recolher – isto só para gente que não bate bem da bola.
E é aqui que se torna
irritante a maneira como o Ministério Público trata a inteligência dos
cidadãos!... Quarenta e dois meses depois de iniciado o processo, constituir
arguidos na última semana do prazo para concluir investigações, ou enviar novas
cartas rogatórias ou fazer buscas, só pode servir para justificar o pedido de
mais um adiamento da conclusão das investigações e não para alcançar nenhum
outro objetivo.
Convém lembrar, que José
Sócrates foi detido porque supostamente havia factos suficientemente graves
para o Ministério Público determinar a sua prisão. Entretanto, o ex-Primeiro-Ministro
foi libertado em 16 de Outubro de 2015, e desde aí já passaram 16 meses e as
tais provas sólidas e robustas para acusar e condenar Sócrates mantém-se em
segredo, continuando a investigação a colecionar documentos e arguidos e a
juntar casos ao caso inicial – do motorista de Sócrates foi-se para o Grupo
Lena, depois para Vale do Lobo, de Vale do Lobo para o BES, do BES para a PT e
agora é tudo junto.
Uma coisa é certa: se “àmanhã”
Sócrates for declarado não culpado, ninguém acreditará, e a voz do povo dirá o
que repete sempre em casos como estes: os poderosos safam-se sempre. Se for
condenado, ninguém se importará grandemente
Mas o que é interessante
no meio disto tudo, é que a Procuradora Geral da República quis fazer um
paralelo com o caso Madoff nos Estados Unidos, argumentado que o ex-milionário
foi investigado durante seis anos. Saiu-se mal!... É verdade que Madoff foi
investigado durante seis anos, MAS… sem que ninguém tomasse conhecimento do
caso. Nem os próprios visados, nem a imprensa tabloide – como aconteceu com
Sócrates e Carlos Santos Silva. Quando Madoff
foi preso, as provas eram tão avassaladoras que foi julgado e condenado
em seis meses. Compare-se então, com o que se tem passado na Operação Marquês e
constate-se quanto infeliz foi a comparação.
Dito isto, sublinho o seguinte:
eu não sei se José Sócrates é culpado ou não dos supostos factos de que é
acusado. Sei que ele tem seguramente muitas explicações a dar sobre a relação
financeira que mantinha com o seu amigo Santos Silva. Mas sei também, que
apesar de todas as informações que vieram de várias partes do mundo, não há uma
única conta em nome de José Sócrates onde tivessem estado os tais 23 milhões
que o Ministério Público diz que ele recebeu para ser corrompido. Mas sei ainda
mais: é que ele está há muito condenado pela generalidade da opinião pública. E
esse peso no julgamento será tão desmesurado que tudo o que não seja a
condenação de Sócrates em Tribunal, será um enorme escândalo e uma desmesurada
vergonha para o Ministério Público.
Por outras palavras, se
Sócrates for declarado não culpado, ninguém acreditará e a voz do povo dirá o
que repete sempre em casos como estes: os poderosos safam-se sempre. Se for
condenado, mesmo que só com provas indiretas ou indiciárias - o que se começa a
perfilar como uma enorme possibilidade - ninguém se importará grandemente. Em
resumo, qualquer que seja o resultado, a Operação Marquês vai sempre acabar
mal.





