O dia da Europa ou dia da União Europeia, é uma data
comemorativa celebrada anualmente no velho continente a 9 de Maio. A data
escolhida, reflecte o dia em que o estadista francês Robert Schuman avançou com
a proposta de uma entidade europeia supranacional, proposta essa que viria a
ficar conhecida como a "Declaração Schuman", e é hoje considerada
como o embrião da actual União Europeia.
Também a 7, 8 ou 9 de Maio, consoante os países aliados e
vencedores, se assinala o dia da rendição da Alemanha que pôs fim à Segunda
Guerra Mundial, e se declara o fim formal da guerra mais trágica e mortífera de
todas as guerras que há cem anos a esta parte, haviam tido origem numa Europa
em permanentes convulsões, e se traduziram nas guerras entre 1914 e 1918 na qual
Portugal participou, e posteriormente entre 1939 e 1945.
Em ambos os casos, o país na génese dos conflitos foi o
mesmo. Houve muitas causas e ainda mais explicações para tudo o que aconteceu.
Há culpas de todos os protagonistas, mas a responsabilidade principal cabe à
Alemanha considerada num sentido cultural, pois formalmente até as fronteiras
eram diferentes. Por isso e por mais que se pretenda usar de tolerância, não se
pode nem deve passar uma esponja sobre o que aconteceu, sobretudo no segundo
grande conflito, com os horrores dos campos de concentração e do holocausto.
Uma coisa é procurar perdoar, outra bem diferente é esquecer...
Mas seguindo em frente, e passados que foram todos estes
anos, o que nos oferece então essa nova Europa saída do holocausto e das cinzas
da guerra, que se pretendia ou se pretende solidária?!... Actualmente muito
pouco!... Tal como no passado, hoje é outra vez a Alemanha, agora reunificada,
que procura a hegemonia se bem que sob a tutela económica e financeira,
procurando recuperar por aí o que perdeu pelas armas.
Reconstruída com a ajuda dos aliados e dos neutrais,
beneficiando de perdões de dívida e evitando até saldar contas de guerra, a
Alemanha continua a ter dentro de si quem não aprenda, quem não procure
emendar-se e "até olhe com alguma nostalgia para territórios que chegaram
a integrar o Reich". Churchill terá dito, citando um general romano, que
“os germanos ou estavam prostrados aos nossos pés ou nos estavam a apertar o
pescoço”. A sua profecia foi tão natural como evidente, e hoje, já ninguém pode
duvidar das suas palavras...
Antes do seu falecimento, Helmut Schmidt terá afirmado que
"se estivesse no lugar de Merkel o que mais o preocuparia seria a
hostilidade que a Alemanha vem gerando por toda a Europa". Tinha razão o
antigo chanceler, mas infelizmente até entre nós, e lá pelo "norte",
há ainda quem não pense assim, argumentando que a Alemanha de hoje, não encerra
os perigos do passado, louvando até a capacidade de organização e trabalho do
país e do seu povo, em contraste com os países do sul, que só pensam em
"copos e mulheres".
Ora sendo assim, a pergunta que se impõe, é das razões
objectivas porque tal acontece ou deixa de acontecer?!... E a resposta pode
hoje ser dada, por gregos, portugueses, espanhóis, italianos, irlandeses e mais
recentemente até por cipriotas e franceses.Todos em maior ou menor grau, são
coagidos pelo poderio germânico.
É evidente que a dimensão económica, geográfica e demográfica
da Alemanha a torna um factor essencial no eixo europeu, mas uma coisa é essa
realidade e outra bem diferente é tentar ditar as regras que regem os outros
Estados, nomeadamente os da União e especialmente os da zona Euro.
E sendo assim, esta não é, nem pode ser nos termos em que são
desenvolvidas as suas politicas económicas, a EUROPA SOLIDÁRIA de que os
europeus devem dispõr e lhes foi prometida. Para que a paz e a estabilidade
perdurem e haja progresso, é preciso realinhar os equilíbrios.
Os políticos de hoje não têm - nem andam lá por perto - a
dimensão histórica e política da geração de De Gaulle e de Churchill e também
não estão à altura das de Mitterrand, Delors, Soares, González, Schmidt,
Andreotti, ou de Kohl. De Macron, recentemente eleito e que se prepara para
substituir Hollande, também pouco se poderá esperar, que não seja a tentativa
de “arrumar uma casa”, que tudo o indica ficou feita em “fanicos” após o último
acto eleitoral.
E o que aflige quem tenha um mínimo de memória histórica, é
exactamente essa falta de dimensão, que permite constatar, que realmente a
Europa está hoje perigosa – mesmo muito perigosa, e desprovida de princípios e
de meios que barrem o populismo reinante e a utilização de "novas
armas", sem que haja alguém que lhe faça frente.
Junho e Setembro, serão pois peças-chave para vermos como param
as modas!... Uma coisa é porém certa: se nada fôr feito, a profecia decorrente
do relatório Maldague que alguém se encarregou de destruir – poque não
convinha, será uma realidade 42 anos depois. Tal como o mesmo referia, a
escolha é clara: ou a comunidade e os Estados Membros têm a necessária lucidez
e coragem para estar à altura da tarefa, ou continuando a aplicar as políticas
que vêm desenvolvendo, resultarão numa série crescente de crises económicas,
sociais e politicas, e num grande risco de que métodos autoritários possam
gradualmente vir a controlar as nossas sociedades democráticas. A ver vamos…