O incêndio de Pedrógão e
concelhos limítrofes, e o roubo de Tancos foram factos muito graves que têm
provocado enorme pesar e um justificado alarme na sociedade portuguesa.
A onda de solidariedade que se
gerou em torno da tragédia dos incêndios e a apreensão sobre as circunstâncias
em que aconteceu o roubo em Tancos, têm assim marcado o nosso quotidiano e uma
agenda politica onde quase todos querem saber o que realmente se passou.
Depois de muitos meses de
euforia económica e de descontracção social, estes dois momentos foram
autênticos murros no estômago que assolaram o país. Hoje porém, já ninguém tem
dúvidas que quer num caso quer no outro, houve coisas que não correram bem e
que têm e devem ser totalmente esclarecidas; que quer num caso quer no outro,
há coisas em que todos os Governos desde hà muitos anos a esta parte, deram o
seu contributo para que estas sinistras ocorrências se tivessem verificado; e
que ninguém terá igualmente dúvidas – a não ser por má fé, que os Ministros que
tutelam as Instituições envolvidas fizeram o que podiam fazer.
Que se saiba, a Ministra
Constança não ateou qualquer fogo, não lhe compete “prender o bandido”,
substituir-se às estruturas do SIRESP, às do Instituto do Mar e da Atmosfera ou
à ordem de operações emanadas da Autoridade Nacional da Protecção Civil.
Porque tudo se passou em áreas
sob a sua tutela, cabe-lhe agora isso sim enquanto Ministra tirar as devidas
ilações. “Fugir”, deixar tudo na mesma e virem outros para demitir a seguir,
seria a opção mais fácil!... Ficar e chamar a si a responsabilidade, alterar o
que tiver que ser alterado, é pelo contrário um acto de coragem politica.
Quanto ao Ministro Azeredo,
levantam-se várias questões!... Terá sido ele a furar alguma vedação?!... A não
ordenar a deslocação de sentinelas para junto dos paióis?!... A estipular
rondas com intervalos de 20 horas, sabendo-se que o sistema de vídeo-vigilância
se encontrava inoperacional?!...
Ontem no Parlamento, o Chefe
do Estado Maior do Exército “respondeu” a isto tudo!... A tudo que j´não era
segredo para ninguém, e de que aqui dei conta em textos anteriores: a “SITUAÇÃO
REFLECTE UM PROBLEMA DE COMANDO E ERROS ESTRUTURAIS INADMISSÍVEIS QUE SÓ PODEM
SER ASSACADOS AO COMANDO” – afirmou o senhor.
Claro que estas declarações
não deram jeito nenhum à Oposição!... Ser o Chefe do Estado Maior do Exército a
afirmar que as responsabilidades são militares e não políticas, que as culpas
devem ser apenas assacadas às estruturas militares intermédias e que as falhas
na vedação e da vídeo-vigilância não justificam um furto desta dimensão, caíu
junto daqueles que apostam no “tudo quanto pior melhor”, como um balde de água
fria.
Mas estas declarações
chamam-nos também à razão para outra coisa que é a seguinte: para a prova, de
que a “chefe” do CDS Assunção Cristas disparou numa histeria sem pudor, não
tendo procurado outra coisa senão fazer sangue no Governo e até no seu adversário
directo. Adversário directo, que embora sem a histeria desta “politica de
aviário e feita à pressa” e que quer governar Lisboa, também não se cansou de
atacar o Governo e dar mostras à oposição interna, de que afinal existe. Tudo
gente que resolveu chafurdar na politica, e para quem aquilo que aconteceu não
parece ter sido uma tragédia, mas tão só uma oportunidade politica para fazerem
a sua prova de vida.
Ao invés de se lembrarem dos
que sofreram e do que é preciso fazer para os ajudar, a palavra de ordem era
demitam-se!... Só faltou mesmo pedir a demissão do Presidente da República, que
garantiu ter sido feito tudo o que era possível ser feito, e de Pedro Passos
Coelho que não ligou patavina ao relatório da auditoria da KPMG ao sistema
SIRESP em 2014 identificando as falhas, que meteu os pés pelas mãos e estas
pelos eucaliptos, e que se apressou a cavalgar a tragédia acrescentando-lhe
suicídios soprados por um correligionário, um dinossauro autárquico em trânsito
pela Santa Casa lá do sítio, em tempo de fazer tempo para fintar a lei, e
regressar em Outubro ao poiso.
A isto chama-se chafurdice,
oportunismo e politica de esgoto!... Porquê este desregramento e esta histeria
dos líderes da Oposição que ao verem o adversário político e o país debilitados
pela tragédia, os esmurram e pontapeiam para colher dividendos, como se o que
agora aconteceu não fosse também da sua responsabilidade política?!...
Desta vez sim temos que
admiti-lo, o diabo chegou. E como chegou a palavra de ordem é, demitam-se. Mas
demitam-se todos e venham outros para demitir a seguir. Quem ficar para trás
que feche a porta…















