14 julho 2017

PLAGIAR É FEIO SENHOR PASSOS COELHO...

O debate do Estado da Nação não foi brilhante para os partidos da direita, centrados apenas que estavam na ideia do enfraquecimento do Estado depois de Pedrogão e Tancos. Em bom rigor, ninguém estaria verdadeiramente à espera de um discurso brilhante por parte de Passos Coelho ou de Assunção Cristas, mas não era necessário plagiar, não era preciso chegar a esse ponto. Mas foi precisamente isso que Passos Coelho fez, ao socorrer-se de passagens de um texto colocado por Poiares Maduro nas redes sociais. Passos Coelho, copiou oito parágrafos de um texto do seu antigo Ministro.
Dir-se-á que esse facto não merece importância, que se trata de mais um exercício de crítica pela crítica e que tudo ficou em casa, tendo até em conta que Poiares Maduro foi Ministro do Governo de Passos.  Os seus apaniguados referem que se tratou de um contributo, e que aparentemente é natural que esses ditos contributos prescindam de qualquer referência ao nome do contribuidor.
Contudo, importa relevar que criticar Passos Coelho não é um desporto nacional. Trata-se pelo contrário, de sublinhar a importância que os Partidos da Oposição têm no actual contexto democrático.E sendo assim, será pois pacifico pensar que o país precisa de um outro líder da Oposição!... O país prescinde já de tanta mediocridade, que não necessita de alguém empenhado em aproveitar tudo politicamente, incluindo hipotéticos suicídios; o país prescinde de tanta mediocridade, que não precisa de alguém que recorra  ao ponto de copiar pura e simplesmente o que não é da sua autoria, sem sequer citar o autor. Este gesto do ex-Primeiro-Ministro, por muito inócuo que possa aparentar ser, não deixa de revelar toda essa mediocridade que inquinou a Oposição, inviabilizando os equilíbrios de que as democracias também se alimentam. Não!... Criticar Passos Coelho não é um desporto nacional. Nem tão-pouco é suficiente pedir mais do Governo enquanto se esquece a importância dos Partidos da Oposição. A democracia só tem a ganhar com esse escrutínio e com essa maior exigência. Passos Coelho mostra estar manifestamente aquém do que se exige do líder do maior Partido da Oposição. De resto, não se pode esperar muito de quem anseia pelo Diabo.
Ora é exactamente por tudo isto, que a direita não consegue estar de acordo com o país!... Quer demissões e os portugueses não querem. Quer novos Ministros e os portugueses não querem. Diz mal do Governo e a maioria do país não diz. Ataca a Geringonça e a maioria do país bate palmas a Costa. Em suma, com esta oposição António Costa pode dormir descansado por muitos berros que a direita dê em toda a comunicação social que domina e controla, mesmo a pública como a RTP, e a qual usa e da qual abusa de forma cada vez mais descarada. 

FRANÇA | 14 DE JULHO DE 1789 – REVOLUÇÃO FRANCESA COMEÇA COM A QUEDA DA BASTILHA EM PARIS.

A tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789, foi o dia da vitória do povo francês contra a monarquia e o início de uma nova era. De então para cá, a data passou a ser consagrada como o dia da liberdade e de festa da República Francesa. A história é já por demais conhecida!... O que não é assim tão conhecido, é que foram as respectivas consequências, que modelaram o pensamento moderno. O 14 de Julho é ainda hoje festejado em toda a França com toda a pompa e circunstância, e a herança do Iluminismo que daí adveio, constituíu-se como património de todos os cidadãos que se revêem nas instituições democráticas e republicanas.
República Sempre

- A HISTÓRIA
Os parisienses exasperados pelas restrições e o imobilismo do rei Luis XVI revoltam-se. À procura de armas, invadem  o Hôtel des Invalides e depois  dirigem-se à prisão da Bastilha. O governador De Launay que possui as chaves da fortaleza é forçado a entregá-las aos insurgentes. Todavia, certos revolucionários conseguem atravessar as muralhas e De Launay ordena que se abra fogo. Mais de 80 parisienses são mortos. No final da tarde, o governador capitula e uma hora mais tarde é fuzilado. A tomada da Bastilha em 14 de Julho de 1789 assinala o ponto de partida da Revolução Francesa, uma década de distúrbios políticos e terror, em que o rei Luis XVI foi destronado e dezenas de milhares de pessoas inclusive a sua mulher Maria Antonieta foram executadas na guilhotina. O símbolo do arbítrio real cai. O Antigo Regime vai chegando ao fim.
A Bastilha foi originalmente construída em 1370 como uma fortificação para proteger as muralhas de Paris contra um ataque dos ingleses. Transformou-se mais tarde numa fortaleza independente e o seu nome “bastide” foi mudado para Bastille. A Bastilha foi utilizada primeiramente como prisão estatal no século XVII e as suas celas foram reservadas para os delinquentes das classes abastadas, para os agitadores políticos e para os espiões. A maioria dos prisioneiros estava ali sem que houvesse um julgamento sob ordens directas do rei. Medindo 35 metros de altura e rodeada por um fosso de quase 3 metros de largura, a Bastilha mostrava-se como uma imponente estrutura no panorama urbano de Paris. 
Por ocasião do Verão de 1789, a França movia-se rapidamente em direcção à revolução. Ocorreu severa escassez de alimentos naquele ano e o ressentimento popular contra o governo do rei Luis XVI transformara-se em verdadeira fúria. Em Junho, o Terceiro Estado que representava a plebe e o baixo clero, declara-se em Assembleia Nacional e clama pela redacção de uma constituição. Inicialmente parecendo ceder, Luis XVI legaliza a Assembleia Nacional porém cerca Paris de tropas e demite Jacques Necker, um ministro de Estado popular que defendia abertamente as reformas. Em resposta, multidões começam a manifestar-se nas ruas de Paris comandadas por líderes revolucionários.
Bernard-Jordan de Launay, o governador militar da Bastilha, temia que a sua fortaleza pudesse ser alvo dos revolucionários, tendo solicitado urgentes reforços. Uma companhia de soldados mercenários suíços chegou em sete de Julho a fim de reforçar a sua guarnição de 82 soldados. O Marquês de Sade, um dos poucos prisioneiros da Bastilha à época, foi transferido para um asilo de loucos após a tentativa de incitar uma pequena multidão que se encontrava em frente à sua janela ao gritar: "Estão a massacrar os prisioneiros; vocês precisam vir e libertá-los." Em 12 de Julho, as autoridades reais transferiram 250 barris de pólvora para a Bastilha do Arsenal de Paris, que era muito vulnerável ao ataque. Launay trouxe os seus homens para dentro da Bastilha, erguendo as duas pontes levadiças.
Em 13 de Julho, revolucionários empunhando mosquetes começaram a atirar aos soldados que montavam guarda às torres da Bastilha e procuraram abrigar-se no pátio da fortaleza quando os homens de Launay passaram a responder. Naquela noite, multidões irromperam no Arsenal de Paris e outro depósito de armas e tomaram milhares de mosquetes. Ao amanhecer de 14 de Julho, uma grande multidão armada de mosquetes, espadas e diversas armas improvisadas começou a reunir-se em torno da Bastilha.
Launay recebeu uma delegação de líderes revolucionários, porém recusou-se a entregar a fortaleza e as suas munições como lhe era exigido. Mais tarde recebeu uma segunda delegação e prometeu não abrir fogo contra a multidão. Para convencer os revolucionários, mostrou-lhes que os canhões não estavam carregados. Ao invés de acalmar a agitada multidão, a notícia de que os canhões não estavam activos encorajou um grupo de homens a escalar o muro externo, chegar ao pátio interno e baixar a ponte levadiça. Trezentos revolucionários invadiram a fortificação. Os soldados de Launay assumiram uma posição defensiva. Quando a multidão começou a tentar baixar a segunda ponte levadiça, Launay ordenou que os seus homens abrissem fogo. Cerca de 100 manifestantes morreram ou ficaram feridos.
Num primeiro momento, o contingente de Launay mostrou-se capaz de conter e afastar a multidão, contudo mais e mais parisienses convergiam para a Bastilha. Cerca de 3 horas da tarde, chega uma companhia de desertores do exército francês. Os soldados, ocultados pela cortina de fumo de uma fogueira alimentada pelos manifestantes, posicionaram cinco canhões e assestaram como alvo a Bastilha. Diante da circunstância, Launay ergueu uma bandeira branca de rendição numa haste da fortaleza. Launay e os seus homens foram feitos prisioneiros, a pólvora e os canhões foram tomados e os sete prisioneiros da Bastilha, libertados. Ao chegarem ao Hotel de Ville, onde a prisão de Launay deveria ser ditada por um conselho revolucionário, o governador da Bastilha foi afastado dos seus acompanhantes por gente do povo e morto.
A Tomada da Bastilha simboliza o fim do Antigo Regime e proporcionou à causa dos revolucionários franceses um irresistível momento. Apoiados pela esmagadora maioria do exército francês, os revolucionários assumiram o controlo de Paris e a partir daí dos arredores, forçando o rei Luís XVI a aceitar um governo constitucional. Em 1792, a monarquia foi abolida e Luís XVI e sua mulher Maria Antonieta foram levados à guilhotina por traição em 1793.
Por ordem do novo governo revolucionário, a Bastilha foi derrubada. Em 6 de Fevereiro de 1790, a última pedra da odiada prisão-fortaleza foi apresentada à Assembleia Nacional. Actualmente, - o dia 14 de Julho – dia da Queda da Bastilha – é celebrado como o maior feriado de França. 

Fonte: Opera Mundi

13 julho 2017

- O QUE NOS DISSE O DEBATE SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO: AFINAL A “CRISE” MORA NO GOVERNO OU NA OPOSIÇÃO?!...

Decorreu durante toda a tarde de ontem na Assembleia da República, o debate sobre o Estado da Nação que coloca um ponto final nesta sessão legislativa.
Durante o mesmo, aquilo a que assistimos, foi por um lado, ao inequívoco apoio de PCP e do BE a António Costa e ao seu Governo assente no principio que governa para os portugueses e não apenas para alguns, e pelo outro, a um facto não menos importante que é o do clima de confiança reinante, que nos permite acreditar que no futuro próximo continuaremos a ter políticas que vão ajudar o povo a viver sem jugos e com esperanças num futuro melhor.
António Costa – como refere hoje a imprensa internacional, nem sequer precisou dos deputados socialistas para sair reforçado deste debate. E não precisou, porque no que à Oposição diz respeito, assistimos como já vem sendo hábito, a mais do mesmo: a um discurso populista de gente completamente desorientada, mal educada e sem o menor rasgo de clarividência e de propostas que visem um futuro melhor para o país e para os portugueses.
A tàctica foi simplesmente a do bota-abaixo, e o “campeão”- como não podia deixar de ser, foi o sempre cinico Luis Montenegro, quem sabe já a pensar noutras andanças, agora que irá ser relegado para as filas traseiras da bancada “social-democrata”.
Mas as contingências do “jogo” não se ficaram por aí!... Chamar “cobarde” a um Primeiro-Ministro, ou falar de assinaturas levianas de diplomas, esquecendo que foi Assunção Cristas quem admitiu ter assinado diplomas de cruz e sem ler enquanto "andava a banhos", só poderia mesmo sair da boca de quem porventura se tenha aproveitado do facto do bar da Assembleia da República ter estado aberto em permanência durante os trabalhos e em saldos.
Deixando porém para trás estes tristes exemplos, as estrelas da tarde, ainda que por motivos diferentes, acabariam mesmo por ser Assunção Cristas e Passos Coelho.
No que diz respeito à primeira - candidata à Câmara de Lisboa, deve ter aprendido (se a ganhar), que o simples facto de um qualquer municipe sair de casa, deixar a janela aberta e esta fôr assaltada, tal não é motivo suficiente para pedir a demissão do Chefe da Esquadra lá do do bairro. E o mesmo se aplica a Ministros!... Agora, desautorizada que foi, cabe-lhe o óbvio: apresentar uma Moção de Censura ao Governo tão depressa quanto possível para mostrar o que vale. Sob pena de ser considerada uma politica de "aviário", não lhe resta outra alternativa... 
Quanto ao segundo e como já vem sendo hábito, mais nada disse senão inanidades. Como sempre, o seu discurso apenas veio confirmar aquilo a que já nos habituou – navegação à vista.
Pior do que isso porém, foi utilizar um incêndio catastrófico e o roubo de material militar de um paiol, como armas de arremesso politico e presentear-nos com um discurso construído com frases rebuscadas na página pessoal de um seu antigo Ministro sem o citar.
É sobejamente conhecido, que Passos Coelho foi um “cábula” ao longo da sua carreira académica!... Porém, a um ex.Primeiro-Ministro e hoje chefe da Oposição, exige-se muito mais.
E assim vai o “reino da geringonça”, já com sêlo de garantia para mais uma sessão legislativa.

10 julho 2017

. - EUROPEU DE FRANÇA AINDA MEXE!... VIAGENS GALP FAZEM "MOSSA" NO GOVERNO!...

Três Secretários de Estado pediram ontem a exoneração de funções do Governo de António Costa, uma vez que são suspeitos do “crime de recebimento indevido de vantagem”, em função do cargo que desempenharam.
A questão tem a ver com as viagens pagas pela Galp quando do Europeu de Futebol em França hà um ano!... Escrevi na altura, que o exercicio de funções públicas não se compadece com este tipo de situações, e que não compreendia as razões porque num evento como foi o Europeu de Futebol, a Galp tenha deixado de fora o Secretário de Estado dos Desportos, e convidado o seu homólogo dos Assuntos Fiscais, sabendo-se da existência de um litigio que ao tempo envolvia o Governo e aquela empresa por dividas ao fisco no montante de milhões de euros.
Hoje continuo a pensar do mesmo modo. Acredito que aceitar uma viagem para presenciar um jogo de futebol onde se discutia um título europeu, poderá ter sido uma imprudência de quem a aceitou, mas não foi certamente de quem a ofereceu. Não há “almoços grátis”, e os Secretários de Estado deveriam saber que para além disso “à mulher de César não basta ser séria - tem de parecê-lo”. E por uma razão simples: é que a ética republicana, para além de ser incompatível com a “aceitação de almoços”, o acto dos Secretários de Estado é também politicamente censurável.
Embora estejamos perante pessoas de excepcional competência técnica, particularmente Fernando Rocha Andrade, com quem privei quando da sua passagem pelo M.A.I., uma vez constituídos arguidos não lhes restava outra alternativa que não fosse o pedido de exoneração. Agora, caberá aos Tribunais decidir se há lugar ou não a sansões penais, embora com a certeza de que neste mundo para além de não haver insubstituíveis, de heróis estão os cemitérios cheios. António Costa saberá encontrar as soluções que mais interessam ao país e ao seu Governo.
Num àparte, o que não deixa de surpreender é a investigação tardia de um acto público ao tempo amplamente divulgado para que os alegados “prevaricadores” tivessem sido constituídos arguidos.
E surpreende ainda mais, o tratamento dado a este caso, comparativamente a outros que agora não cabe agora referir, mas que pelo menos os mais atentos a estas coisas da politica e aos meandros que a envolve conhecem.
Se estamos perante uma mudança de paradigma, ainda bem que assim é!... Se pelo contrário se trata de uma coincidência temporal com a campanha orquestrada pela direita salazarenta que prolifera aquém e além-fronteiras contra o actual Governo, então o azar chegou a dobrar.
Dito isto, será pois pacifico pensar, que a Justiça está agora também sob escrutínio.

TANCOS E A ENCOBERTA DIREITA MILITARISTA...

A Direita mais fervorosa e fossilizada resolveu reaparecer à volta da questão de Tancos e aproveitar a oportunidade para atacar tudo e todos a começar pelo 25 de Abril.
O ex-militar Brandão Ferreira -  e vou ignorar o posto que abandonou em 1999 para se dedicar às companhias áreas de charters - escreveu uma carta aberta a quem ocupa a função de CEME link onde tráz ao de cima tudo o que representa o enfeudamento da Direita militarista, que venera os condestáveis - sejam santos ou pecadores - e se encafuou na caserna, dedicando-se à malograda tentativa de ressuscitar um passado epopeico, reaccionário, colonialista e passadista, pululado de falsos valores e de um indeclinável patrioteirismo.
Brandão Ferreira tem aliás currículo afirmado nesta matéria de “insultos” e “difamações”!... Todos se devem lembram do soez ataque a Manuel Alegre candidato às presidenciais de 2011 link. que lhe valeu  uma condenação 25 mil euros de indemnização ao poeta socialista e ex.deputado, de traição à Pátria. 
Isto para dizer, que todas as situações, ocorrências ou dislates - que os há - e das quais Brandão Ferreira discorde ou não encaixam no seu ideário são automaticamente classificadas como traição à Pátria. 
Este homem, é dos tais que parece ter a Pátria no seu bolso e saca-a como se fosse uma pistola à mínima contrariedade. Mas acima de tudo é um serôdio adepto daquelas máximas salazarentas: “… a pátria não se discute”.
A gongórica carta–aberta de Brandão Ferreira é um verdadeiro manancial, e contém pérolas dignas de um verdadeiro museu de horrores. Desde ver o roubo de Tancos e o apuramento das suas condicionantes como um regresso ao PREC, até à insinuação de estar perante alguém sem moral nem princípios e a sugestão que as chefias militares estão envolvidas em conluios partidários e negócios obscuros, mostram o seu carácter. O recuo histórico tende a acantonar-se na ditadura onde reside a matriz do pensamento do seu autor e só lhe faltou invocar a velha expressão fascista de justificar todas as ocorrências como sendo a expressão daqueles que estariam a soldo de inconfessáveis interesses estrangeiros.
Na realidade, a autoridade reinante na ditadura e incensada pelos chefes e sequazes, não impediu por exemplo, o assalto ao quartel de Beja. Só que - neste caso - as chefias militares ficaram de fora da resposta à humilhação de então. A investigação e a feroz repressão foi entregue à PIDE e a hierarquia militar aceitou essa intromissão sem manifestar a mínima humilhação.
A situação ocorrida em Tancos começa nos quartéis mas não está confinada, nem se resume, a ser um assunto de caserna. A segurança é um assunto nacional de extrema relevância e diz respeito a todos os cidadãos e caiu na praça pública. Durante quase meio século, este alcance e estas características foram reprimidas, e agora quando voltam a entrar no domínio público os carrascos de então - ou os seus defensores - voltam à carga.
O material roubado em Tancos é uma porção de património nacional adquirido com dinheiros públicos e cuja guarda foi confiada a forças militares. O problema está aqui.
Usar as circunstâncias decorrentes de uma grave ocorrência, ainda longe do cabal esclarecimento para desestabilizar o regime democrático é um aproveitamento vil e oportunista. Resta perguntar utilizando a metodologia de antanho que se encaixa no personagem: a soldo de quem?!...
Na verdade, no tempo da velha senhora, invocado amiudadas vezes pelo autor da carta-aberta nos seus escritos, a autoridade das chefias não podia ser discutida em público e muito menos livremente.  Mas agora são possíveis todas as atoardas. Inclusive a de um ex-militar que abandonou as fileiras há 18 anos e agora se arvora na parada das vaidades, como credenciado conhecedor  do estado anímico das Forças Armadas e a partir daí passa a especular quem tem confiança em quem.
Quando Brandão Ferreira reivindica a liberdade de expressão adquirida com o 25 de Abril - como fez no caso Manuel Alegre - deveria carregar no mesmo bornal os deveres que a democracia impõe.

Sem querer ir mais longe - como a situação em investigação o exige - solicitaria por isso ao ex-militar para começar, um mínimo de decência, isto é, o exercício do dever de urbanidade.

07 julho 2017

CUIDADO COM OS OPORTUNISTAS!... ELES ANDAM POR AÍ...

O incêndio de Pedrógão e concelhos limítrofes, e o roubo de Tancos foram factos muito graves que têm provocado enorme pesar e um justificado alarme na sociedade portuguesa.
A onda de solidariedade que se gerou em torno da tragédia dos incêndios e a apreensão sobre as circunstâncias em que aconteceu o roubo em Tancos, têm assim marcado o nosso quotidiano e uma agenda politica onde quase todos querem saber o que realmente se passou.
Depois de muitos meses de euforia económica e de descontracção social, estes dois momentos foram autênticos murros no estômago que assolaram o país. Hoje porém, já ninguém tem dúvidas que quer num caso quer no outro, houve coisas que não correram bem e que têm e devem ser totalmente esclarecidas; que quer num caso quer no outro, há coisas em que todos os Governos desde hà muitos anos a esta parte, deram o seu contributo para que estas sinistras ocorrências se tivessem verificado; e que ninguém terá igualmente dúvidas – a não ser por má fé, que os Ministros que tutelam as Instituições envolvidas fizeram o que podiam fazer.
Que se saiba, a Ministra Constança não ateou qualquer fogo, não lhe compete “prender o bandido”, substituir-se às estruturas do SIRESP, às do Instituto do Mar e da Atmosfera ou à ordem de operações emanadas da Autoridade Nacional da Protecção Civil.
Porque tudo se passou em áreas sob a sua tutela, cabe-lhe agora isso sim enquanto Ministra tirar as devidas ilações. “Fugir”, deixar tudo na mesma e virem outros para demitir a seguir, seria a opção mais fácil!... Ficar e chamar a si a responsabilidade, alterar o que tiver que ser alterado, é pelo contrário um acto de coragem politica.
Quanto ao Ministro Azeredo, levantam-se várias questões!... Terá sido ele a furar alguma vedação?!... A não ordenar a deslocação de sentinelas para junto dos paióis?!... A estipular rondas com intervalos de 20 horas, sabendo-se que o sistema de vídeo-vigilância se encontrava inoperacional?!...
Ontem no Parlamento, o Chefe do Estado Maior do Exército “respondeu” a isto tudo!... A tudo que j´não era segredo para ninguém, e de que aqui dei conta em textos anteriores: a “SITUAÇÃO REFLECTE UM PROBLEMA DE COMANDO E ERROS ESTRUTURAIS INADMISSÍVEIS QUE SÓ PODEM SER ASSACADOS AO COMANDO” – afirmou o senhor.
Claro que estas declarações não deram jeito nenhum à Oposição!... Ser o Chefe do Estado Maior do Exército a afirmar que as responsabilidades são militares e não políticas, que as culpas devem ser apenas assacadas às estruturas militares intermédias e que as falhas na vedação e da vídeo-vigilância não justificam um furto desta dimensão, caíu junto daqueles que apostam no “tudo quanto pior melhor”, como um balde de água fria.
Mas estas declarações chamam-nos também à razão para outra coisa que é a seguinte: para a prova, de que a “chefe” do CDS Assunção Cristas disparou numa histeria sem pudor, não tendo procurado outra coisa senão fazer sangue no Governo e até no seu adversário directo. Adversário directo, que embora sem a histeria desta “politica de aviário e feita à pressa” e que quer governar Lisboa, também não se cansou de atacar o Governo e dar mostras à oposição interna, de que afinal existe. Tudo gente que resolveu chafurdar na politica, e para quem aquilo que aconteceu não parece ter sido uma tragédia, mas tão só uma oportunidade politica para fazerem a sua prova de vida.
Ao invés de se lembrarem dos que sofreram e do que é preciso fazer para os ajudar, a palavra de ordem era demitam-se!... Só faltou mesmo pedir a demissão do Presidente da República, que garantiu ter sido feito tudo o que era possível ser feito, e de Pedro Passos Coelho que não ligou patavina ao relatório da auditoria da KPMG ao sistema SIRESP em 2014 identificando as falhas, que meteu os pés pelas mãos e estas pelos eucaliptos, e que se apressou a cavalgar a tragédia acrescentando-lhe suicídios soprados por um correligionário, um dinossauro autárquico em trânsito pela Santa Casa lá do sítio, em tempo de fazer tempo para fintar a lei, e regressar em Outubro ao poiso.
A isto chama-se chafurdice, oportunismo e politica de esgoto!... Porquê este desregramento e esta histeria dos líderes da Oposição que ao verem o adversário político e o país debilitados pela tragédia, os esmurram e pontapeiam para colher dividendos, como se o que agora aconteceu não fosse também da sua responsabilidade política?!...

Desta vez sim temos que admiti-lo, o diabo chegou. E como chegou a palavra de ordem é, demitam-se. Mas demitam-se todos e venham outros para demitir a seguir. Quem ficar para trás que feche a porta…