A Oposição de direita está em
brasa e doente!... Mais: pior do que isso, e em vez de curar as suas maleitas,
resolveu pelo contrário utilizá-las para propagandear valores que há muito
vimos varrer da Europa e do nosso país, com o claro intuito de obter para já mais uns
votinhos, e quem sabe no futuro poderem servir também, como teste para outros
vôos.
Dirão alguns, que estes são
apenas umas andorinhas e que uma andorinha não faz a primavera. Não!... Estes
não são apenas andorinhas. São pelo contrário os tais dissimulados que
fazem a apologia do antigo regime, e se acoitam num Partido ao qual ainda
chamam de social-democrata. E tanto assim é, que no caso do "Le Pen de
Loures", o problema até poderia ter sido sanado rapidamente e não foi - o candidato pedia desculpa, e o Presidente do Partido demarcava-se claramente do
discurso.Certo é, que depois do apoio dos fascistas do PNR, o
primeiro ainda ensaiou um esclarecimento, mas quando percebeu que Passos o
apoiava e que o seu populismo criava um ambiente aparentemente favorável à sua
candidatura, rapidamente retrocedeu e insistiu no seu palavreado, como se em
Portugal existisse uma questão judaica, baseada no principio de que toda uma
etnia vivia de forma parasitária e se comportava à margem da lei.
André Ventura teve porém um
mérito!... Mostrou a verdadeira face deste PSD, quando pela primeira vez um
político da extrema-direita e que nele milita, assumiu claramente ao que vinha e
quais eram as suas ideias. Hoje, já não restam dúvidas de que o sujeito fala
verdade, quando afirma que sente um grande apoio dos portugueses. Claro que
sente, embora não da esmagadora maioria, como irá ficar provado quando da
disputa eleitoral. Porém e até lá, se vier defender que os gays deviam ser
capados, ou que Portugal devia exigir às ex-colónias que indemnizassem todos os
que perderam as suas propriedades coloniais, se calhar não deixaria de
conseguir ainda mais uns votinhos, o que diga-se em abono da verdade, se duvida
pudessem resolver o seu problema e fossem suficientes para subir ao púlpito.
Afinal de contas, apesar de não terem decorrido muitos anos, em que num
programa de televisão que escolhia o maior português de sempre, o eleito tenha
sido António de Oliveira Salazar, não foi por isso que os portugueses
deixaram de viver em democracia.
Estes, são pois os jovens
deserdados de valores, que se perfilam para liderar os Partidos da direita e
mais tarde a Nação – claro está, se os democratas deixarem. E André Ventura é
um deles. Sabe bem o que diz, porque o diz, e para onde quer ir. Para já, vai
no sentido de interpretar o pensamento corrente de alguns sectores da sociedade
que estão a ser contaminados por certos vírus partidários de cariz social,
racista e étnico, e que inoculam cada vez mais vírus, em vez de procurarem antidotos para os eliminar.Depois logo se verá. No presente imediato, o alvo são os
ciganos, àmanhã serão os africanos, depois os emigrantes, e depois ainda o que mais haja. Para esta gente
da política feita às “três pancadas" e apologista daquele velho lema do
"pão numa mão e pau na outra”, serão todos eles causa dos males sociais.
Gente, que também não se inibe de se colocar à parte dos princípios que
regem a sociedade portuguesa e a Lei Fundamental deste país que se chama Constituição da República, onde se refere que – (...) “todos os cidadãos têm a mesma
dignidade social e são iguais perante a lei”, e onde (...) “ninguém pode ser
privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento
de qualquer dever, em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de
origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação
económica, condição social ou orientação sexual” – e que ao colocar-se à parte,
atenta também ela, de forma deliberada e consciente contra o Estado de Direito - (Cf. artigo 13.º da CRP) -, tal como atenta todo o tipo de marginalidade, venha
ela de ciganos, pretos, brancos ou amarelos. Por muito menos, solicitou António Costa o afastamento do Partido Socialista do deputado europeu Manuel dos Santos.
Mas voltando ao tema em si, não foi por acaso que o
dirigente do CDS-PP Francisco Mendes da Silva tenha afirmado, que já deseja que o
candidato perca, e passo a citar: “Não há praticamente nada que André Ventura
diga que eu não considere profundamente errado, ligeiro, fruto da ignorância e
de um populismo que tanto pode ser gratuito, telegénico ou eleitoralista. Já o
vi falar de tudo e mais alguma coisa, em muitos casos de assuntos que conheço
técnica e/ou factualmente. Nunca desilude na impreparação e no gosto em ser o
porta-estandarte das mais variadas e assustadoras turbas. Se perder, tudo bem:
que nem mais um dia o meu Partido fique associado a tão lamentável personagem”
– Partido que posteriormente como se sabe lhe viria a retirar o apoio.
Infelizmente porém, este não é
caso inédito!... Também em 2013, um elemento do PPD/PSD, Carlos Peixoto de seu nome, ao tempo deputado por este Partido, num artigo de opinião referindo-se ao aumento da
população idosa, não hesitou em afirmar que “a nossa Pátria foi
contaminada com a já conhecida peste grisalha“. Quer isto dizer e citando
Camões, que "se mais mundo houvera lá chegara" - isto é: que o PSD está de facto
“minado”, que enquanto Partido social-democrata que foi, já não
é, e que nele milita a pior direita, que pela vóz de alguns dos
herdeiros ideológicos de famílias do passado, o levam a caminhar
tendencialmente para a criação de fenómenos de ostracização e de exclusão de
sectores da população. Descansem porém!... Quem resistiu no passado, resistirá
no presente e também no futuro.
Em jeito de conclusão, direi
apenas que a protecção de Passos ao seu correligionário da extrema-direita não
aconteceu por acaso!... Se os resultados eleitorais vierem a favorecer esta
opção, não me admirará que no futuro não venha a eleger Loures e a questão
cigana como a bandeira de um Partido que à sua pála teve já o condão de entrar
em decadência moral, e que no futuro se poderá acentuar ainda mais dando vóz
aos “Trumps” e aos “Le Pen`s” cá do burgo. Depois do que se passou ao longo de
quatro anos e meio da sua governação, dos apelos à vinda do diabo após ser
arredado do “trono”, do aproveitamento politico da tragédia de Pedrógão Grande
e da forma oportunista como abordou o assalto a Tancos, é de esperar tudo de um
politico desesperado e sem escrúpulos na hora de conseguir “ressuscitar”.





