Apesar dos incêndios
florestais continuarem a devastar o país, o incêndio de Pedrógão e a tragédia
que então aconteceu, ainda estão bem presentes na memória dos portugueses.
Tragédia, que deveria funcionar como um factor de unidade nacional, de reflexão
crítica sobre soluções a adoptar no futuro, e de coesão em torno da tarefa de
reconstrução emocional e material daquela região.
Porém e ao invés, a dita
tragédia tem sido usada isso sim, como oportunidade politica por um conjunto de
caceteiros e caceteiras, incapazes de conhecerem o significado da palavra
"solidariedade" para com as pessoas, designadamente para com aquelas
que mais estão a sofrer os efeitos dos incêndios, e porque não dizê-lo também,
para com todos quantos estão no terreno a combatê-los.
O que tem sido dito por Passos
Coelho e por Assunção Cristas, e depois repetido por alguns dos seus mais fiéis
seguidores, é a maior aberração politica alguma vez vista em Portugal e revela
a enorme mediocridade e insensibilidade desses dirigentes ambiciosos, que pouco
ou nada têm para oferecer ao país.
Nunca por nunca o
aproveitamento político de uma tragédia foi tão longe e tão miserável!... Desde
a exigência da demisssão da Ministra da Administração Interna, passando pela
queda de um avião que nunca caíu, pela tese dos suicídios inventada por Passos
Coelho, pela insistência na revelação do número de bombeiros feridos, até ao
recente ultimato para publicação das listas das vítimas e da ameaça de uma
moção de censura ao Governo, tudo tem servido para insultar governantes e
governados, com a repetida insinuação de que escondem a verdade aos
portugueses.
Tem sido um vale tudo!... A
partir de um simples boato, de uma declaração ou de uma notícia não confirmada
que a comunicação social repete, repete, volta a repetir e amplifica
acriticamente, Assunção Cristas e Passos Coelho têm-se revelado como dois
oportunistas sem escrúpulos, de que não há memória igual.
Pegam nos microfones, e como
se os portugueses tivessem memória curta e desconhecessem o mal que lhes
fizeram quando foram subservientes à Tróika e andaram a vender o país a pataco,
não hesitam ainda assim em tratar de aproveitar a terrível conjuntura do fogo
florestal para servir os seus interesses pessoais e políticos.
É verdade que ninguém com bom
senso poderá negar que a dimensão dos incêndios é preocupante e que têm que ser
tomadas medidas drásticas para pelo menos atenuar os seus efeitos. Mas esse
papel cabe a todos!... Cabe ao Governo, cabe a quem o apoia, cabe a cada um
denós, e como é óbvio, cabe também à Oposição. Só que quanto a esta, bem cedo
se percebeu que a tragédia iria ser objecto de aproveitamento político. E cedo
se percebeu igualmente, que o "diabo" anunciado para o verão passado
estaria para chegar, muito embora com um ano de atraso, ainda que no seu
habitat natural - nas chamas do inferno em que o país se tornou.
A notícia dos suicídios dada
pelo próprio profeta do "diabo", a que se sucedeu a inacreditável
série de artigos publicados no jornal de direita espanhol El Mundo, vomitados e
assinados por um cobarde virtual que dá pelo nome de Sebastião Pereira - que
continua a monte sem que ninguém se preocupe muito em encontrá-lo, foi o
prenúncio do que estava para acontecer.
É verdade que o Governo não
tem feito apenas coisas boas!... Sabe-se que como qualquer outro Governo não
está imune ao "pecado" e vários erros haveria a apontar-lhe. Porém,
seria bom que os profetas da desgraça não fizessem dos portugueses ingénuos.
Todos estes ataques políticos perpretados pela direita mais à direita desta III
República, têm apenas um objectivo: a pretensão de a todo o custo, e “custe o
que custar”, descredibilizar o Executivo e a maioria parlamentar que o apoia,
sem se preocupar com o sofrimentos das pessoas. Esta é a Oposição dos SMS´s,
das listas e afins. Nem o exemplo do Presidente da República os trava no seu
alarido social!... Vivem politicamente do fogo, para o fogo e da desgraça de tanta
gente.
Como muito bem disse António
Lobo Xavier, um homem que toda a gente sabe ser um destacado membro do Partido
de Assunção Cristas e membro do Conselho de Estado, o CDS e o PSD devem um
pedido de desculpas ao país e aos portugueses pela conduta que ambos vêm
adoptando.






