19 setembro 2017

A ESPANHA SOBRE “BRASAS”!...

Sem que a gente se aperceba muito bem da situação, aqui ao lado em Espanha a coisa está a arder. Não no sentido literal do termo, como durante o verão aconteceu um pouco por todo o Portugal, mas num fogo ainda mais destrutivo.
Quando em 1 de Outubro próximo estivermos a caminho das urnas para eleger os nossos representantes autárquicos, na Catalunha, 8 milhões de catalães estarão a fazer o mesmo caminho, mas para dizerem que não querem ser espanhóis.
Tal como as aspirações separatistas da Galiza – as quais me foram ainda hà dias confirmadas por organizações galegas que passaram pela Festa do Avante – também as reinantes na Catalunha não são um problema recente!... Porém nos últimos anos acentuaram-se com os movimentos independentistas a reclamar um referendo sobre a independência daquele que consideram ser o seu país - a Catalunha. Assim, os desafios ao poder de Madrid têm sido constantes e as duas posições têm-se extremado sem que haja diálogo.
E tanto assim é, que recentemente o Parlamento catalão aprovou a realização de um referendo sobre a independência no próximo dia 1 de Outubro, numa sessão a que não compareceram os deputados dos maiores partidos nacionais, caso do Partido Popular, do Partido Socialista Operário Espanhol e dos Cyudadanos. Ainda assim, a Generalitat da Catalunha acabou mesmo por assinar o Decreto que convoca o referendo independentista na comunidade autónoma da Catalunha.
Enquanto isso, o Governo espanhol chefiado por Mariano Rajoy declarou esta decisão inconstitucional e recorreu para o Tribunal Constitucional para que todas as decisões tomadas pelo Parlamento e pelo Governo Regional da Catalunha relativamente ao referendo fossem anuladas. O Tribunal Constitucional espanhol deu-lhe razão e suspendeu a lei aprovada pelo Parlamento da Catalunha que permitia a realização do referendo independentista, ou seja: declarou o referendo ilegal.
Entretanto, o Ministério Público espanhol já ameaçou com processos judiciais contra a Generalitat e os seus membros!... Porém, através de um dos seus ministros, a Generalitat da Catalunha anunciou que não será respeitada a decisão do Tribunal Constitucional espanhol de suspender a lei do referendo, e dessa forma anular o referendo marcado para o dia 1 de Outubro, acrescentando ainda, que se for essa a vontade popular, a Catalunha declarará a sua independência unilateralmente.
Dizem as sondagens que tem diminuído o número de catalães que defende a independência, mas o Governo espanhol, garante que o referendo não se realizará. Só que o “caldo está a entornar-se” quando é a própria imprensa a destacar em manchetes de primeira página - a do jornal El Periódico é exemplo - a palavra desobediência, o que configura o apontar de um caminho aos independentistas.
Estamos portanto perante um grande imbróglio na Catalunha!... Um imbróglio que funcionará  também como um balão de ensaio para a região da Galiza, onde se diz a pé firme que – “Galicia no es España”.

Aguardemos para ver…

17 setembro 2017

A DESERTIFICAÇÃO EM BARROSO - INTRODUÇÃO

Uma das principais conquistas do pós 25 de Abril de 1974, foi a implementação da democracia no seio das comunidades através das Freguesias e dos Concelhos - agora Municípios. A proximidade entre eleitores e eleitos, entre Poder e cidadãos, passou a ter a partir das primeiras eleições autárquicas de 12 de Dezembro de 1976, uma nova configuração e realidade democráticas.
Hoje, passados que são 41 anos e à beirinha de mais um acto eleitoral que terá lugar já no próximo dia 1 de Outubro de 2017, chegou o tempo de se repensar e reflectir sobre o Poder Local como pilar de um Estado de Direito Democrático que mais fez pela consolidação e reforço da democracia, e dentro da estrutura político-administrativa nacional, aquele que mais é escrutinado, seja pela referenciada proximidade com o cidadão e entidades, seja pelas próprias estruturas fiscalizadores do Poder Político, Administrativo e Judicial do país.
Curiosamente, depois do papel que as Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia tiveram no desenvolvimento do pais e das comunidades - faltava o saneamento básico, a rede de distribuição de água, as infra-estruturas rodoviárias municipais, a electricidade, o desenvolvimento empresarial e económico, os transportes públicos e até o apoio social e a escola - volvidos os tais ditos 41 anos, o Poder Local encontra-se hoje como a realidade político-administrativa do país mais mal tratada, mais desvalorizada, mais desajustada da sociedade, mais criticada e mais menosprezada. Isto, apesar de continuar a ser a mais escrutinada, a mais fiscalizada, a mais próxima dos cidadãos e das comunidades, e aquela a quem mais recorrem as pessoas nas “aflições e desesperos” do seu dia-a-dia.
Infelizmente, e como se tudo isto não bastasse, acresce ainda o alheamento dos cidadãos na participação activa da vida política das suas comunidades. À data de 1976, os cerca de 35% de abstenções registadas nas primeiras eleições autárquicas, podem ter sido justificados pelo facto de naquele ano terem ocorrido três processos eleitorais e se ter registado um vazio e desconhecimento face à realidade política autárquica.
Hoje porém, tendo em conta os valores das últimas eleições autárquicas realizadas em 2013 - cerca de 48% dos cidadãos que não votaram, e aqueles que em 1 de Outubro próximo seguirão o mesmo exemplo, levam-nos à necessidade urgente de repensar o panorama do Poder Local, relembrando sempre o papel dos pioneiros na implementação e no desenvolvimento da democracia nas comunidades.
Se é verdade que alguns políticos e a prática política em geral, têm contribuído para o afastamento dos cidadãos do momento privilegiado e único da decisão democrática que reside no direito ao voto, não menos verdade é, a responsabilidade que o Poder Central tem tido na desvalorização, na depreciação do Poder Local, das Autarquias, das Freguesias e de todos quantos aí vão resistindo. Se nada mudar, tudo se desmoronará com o fim das gerações de 30, 40 e 50.
Houve-se agora o Primeiro-Ministro António Costa, falar em descentralização e responsabilização!... Apesar de ser indiscutível, lembrando a própria história autárquica, o papel do Poder Local no desenvolvimento das comunidades e do país e a sua significativa importância na gestão das infra-estruturas e serviços, a afirmação assusta e preocupa. E assusta e preocupa pelo seguinte: como poderão os autarcas dos Municipios do interior fazer face ao drama da desertificação, quando o próprio Governo e à semelhança de todos quantos o antecederam, mais uma vez os esquece, e pelo contrário avança com investimentos de milhões a suportar pelo Orçamento de 2018, para financiar projectos em áreas como a aeronáutica, a energia, a industria dos moldes ou a industria automóvel, em distritos como Aveiro, Braga, Coimbra, Lisboa e Porto?!... Será que o bom momento que a economia portuguesa está a atravessar, não seria motivo suficiente para investir igualmente na revitalização do interior?!....
Por muito que os autarcas façam para agradar aos seus municipes e às suas estruturas, a grande verdade, é que o Poder Local continua a ter um grave problema de estruturação, de definição administrativa, de poder, de responsabilidades e de definição legal nomeadamente no âmbito das atribuições financeiras que já vem de longe. Ora como já ficou dito no artigo anterior, das duas uma: ou o Poder Central se assume ou delega!... Sem ovos não se fazem omeletes, mas já que se fala em descentralização pergunta-se: para quando a revisão Lei Eleitoral Autárquica dando maior responsabilidades aos seus órgãos?!... Para quando a revisão da obsoleta Lei das Finanças Locais?!...
Pois é!... Não basta falar em descentralização. Com a aprovação do Orçamento do Estado para 2017 perdeu-se uma excelente oportunidade para revitalizar o sistema, mas pior do que isso, é que pelos vistos o Orçamento para 2018 também não tráz nada de novo. Para quando por exemplo, a atribuição directa de verbas dos Orçamentos para as Autarquias?!... Para quando a redefinição das competências e responsabilidades - independência administrativa e política - dos Municípios e Freguesias?!...
Descentralizar por descentralizar, incutindo responsabilidades acrescidas no Poder Local onde o Poder Central falha, não resolve o problema, antes pelo contrário. Sem qualquer reestruturação de competências e de governação/gestão dos órgãos autárquicos, a descentralização que se adivinha servirá apenas para tornar mais complexa a realidade autárquica e o papel dos autarcas no desenvolvimento das suas comunidades.
Em resumo!... Das duas uma: ou o Poder Central pega o “boi pelos cornos” e assume por ele a responsabilidade de acudir à interioridade, ou delega competências através de um pacote legislativo a quem o possa fazer. Portugal foi sempre ao longo da sua história um país essencialmente centralista. Durante a I e II Repúblicas, a própria expansão ultramarina contribuíu ainda mais para esse centralismo - os preparativos, a burocracia de apoio e as partidas e as chegadas, centraram-se sempre na “capital do Império”. Todo o poder administrativo foi aí desenvolvido e durou até ao final do periodo designado por Estado Novo. Hoje, ainda que tarde e a más horas, chegou o tempo de mudar!... O actual modelo de organização territorial, apenas ditou ao longo dos anos o desenvolvimento de assimetrias entre o Norte e o Sul, entre o Interior e o Litoral, de que são exemplos a fuga das populações para o litoral, a emigração, e fruto disso a desvalorização do próprio património.
O que eram, o que faziam e como viviam os nossos conterrâneos em tempos passados, foi já aqui dissecado no inicio deste trabalho e é por todos conhecido. Com a III República saída do 25 de Abril de 1974 nada mudou!... Ninguém quis ou foi capáz até hoje, de resolver ou até minorar este problema, antes pelo contrário. A tendência centralista acentuou-se e criou e continua a criar um país cada vez mais desiquilibrado, que levou já várias aldeias à “morte prematura”.
No sentido de contrariar esta tendência, chegou pois o momento de todos nós, cidadãos em geral, e autarcas em particular, trazerem à discussão pública o tema de uma DESCENTRALIZAÇÃO que sirva efectivamente as regiões do interior. Será a única via que poderá minorar este estado de coisas. Em época de eleições autárquicas, é preciso incluir este tema na agenda politica, sob pena de vermos o interior ser sufocado pelo tempo.
As aldeias estão a “morrer” e os nossos concidadãos que tão desamparados têm sido, assim o exigem. Aos autarcas, cabe interpretar a vóz dos cidadãos e aos “profissionais da politica” decidir o destino do país. Portugal, não é apenas LISBOA e PORTO!... Para além destas àreas metropolitanas, que são obviamente importantes, há também um país a precisar de ser visto com outros olhos...

Nos dias que correm, por toda a Europa existem regiões administrativas ou instituições regionais equiparadas. Se quisermos “apanhar o comboio”, Portugal não poderá fugir a essa regra, porque se nada mudar e como já foi referido, tudo se desmoronará com o fim das gerações de 30, 40 e 50.

01 setembro 2017

A TRISTE RESSURREIÇÃO DE CAVACO…

Sem ter a noção de que o seu tempo já passou, de que nada tem de importante ou de interesse para dizer aos portugueses e ao país, Cavaco Silva não percebeu que o convite que lhe fizeram para falar na Universidade de Verão do PSD, foi apenas uma simples deferência que o próprio decidiu aceitar - e até aí nada a dizer.
O que há isso sim a dizer, é que na sua palestra, não vimos um antigo Presidente da República confiante, experiente, conselheiro e sábio, mas apenas um indivíduo ressabiado e ridículo.
Esperava-se de facto muito mais!... Esperava-se um comentário pequeno que fosse sobre a incerteza no mundo e sobre a nova “guerra-fria”, a evolução do país, ou mesmo uma palavra que fosse de incentivo e de confiança dirigida aos jovens que o ouviam. Mas não!... Aquela figura não foi capaz de sair da sua pequenez e dos seus complexos culturais profundos, ao não conseguir libertar-se da sua esfera de antigo contabilista.
Não realçou o crescimento económico nem a paz social, não mostrou contentamento pela redução do desemprego, não salientou a confiança dos agentes económicos, muito menos se referiu ao clima positivo que os nossos parceiros europeus vão demonstrando, face à recuperação do país no seu todo.
Como não podia deixar de ser, os alvos da critica de Cavaco Silva foram “os do costume”, chamando até a atenção para a "verborreia frenética" da maioria dos políticos e para as relações entre a política e o jornalismo, numa lamentável e pindérica referência ao actual Presidente da República que tanto tem agradado aos portugueses, mesmo daqueles que não votaram nele.
Terá Cavaco já esquecido as intrigas das escutas forjadas na sua Casa Civil contra um antigo Primeiro-Ministro, que Fernando Lima se encarregava de levar a José Manuel Fernandes nos encontros previamente marcados numa pastelaria da Avenida de Roma em Lisboa, para este as colocar no jornal Público onde era director e "referência ética do jornalismo e da política"?!... Afinal quem é o “pai” das relações entre a política e jornalismo?!...
Foi de facto lamentável ver um antigo Presidente da República fazer uma figura destas, num papel em que a ignorância e a mesquinhez se fundem na mesma pessoa. Porque razão nos veio Cavaco incomodar e não se ficou pelas praias algarvias a apanhar caranguejos?!...
Ao entregar a formação ideológica dos seus jovens a Cavaco Silva, o PSD prestou um péssimo serviço ao país e a si próprio, já que a história não volta para trás por muito que tentem. Depois do apoio ao candidato racista de Loures e do discurso xenófobo do Pontal, nada melhor do que uma aula de Cavaco Silva para compôr o ramalhete.
Dito isto, sempre ouvi dizer que quem tem telhados de vidro não deve andar à pedrada, mas enfim…

29 julho 2017

A PROVA DOS FACTOS: OS OPORTUNISTAS POLITICOS VIVEM DO FOGO.

Apesar dos incêndios florestais continuarem a devastar o país, o incêndio de Pedrógão e a tragédia que então aconteceu, ainda estão bem presentes na memória dos portugueses. Tragédia, que deveria funcionar como um factor de unidade nacional, de reflexão crítica sobre soluções a adoptar no futuro, e de coesão em torno da tarefa de reconstrução emocional e material daquela região.
Porém e ao invés, a dita tragédia tem sido usada isso sim, como oportunidade politica por um conjunto de caceteiros e caceteiras, incapazes de conhecerem o significado da palavra "solidariedade" para com as pessoas, designadamente para com aquelas que mais estão a sofrer os efeitos dos incêndios, e porque não dizê-lo também, para com todos quantos estão no terreno a combatê-los.
O que tem sido dito por Passos Coelho e por Assunção Cristas, e depois repetido por alguns dos seus mais fiéis seguidores, é a maior aberração politica alguma vez vista em Portugal e revela a enorme mediocridade e insensibilidade desses dirigentes ambiciosos, que pouco ou nada têm para oferecer ao país.
Nunca por nunca o aproveitamento político de uma tragédia foi tão longe e tão miserável!... Desde a exigência da demisssão da Ministra da Administração Interna, passando pela queda de um avião que nunca caíu, pela tese dos suicídios inventada por Passos Coelho, pela insistência na revelação do número de bombeiros feridos, até ao recente ultimato para publicação das listas das vítimas e da ameaça de uma moção de censura ao Governo, tudo tem servido para insultar governantes e governados, com a repetida insinuação de que escondem a verdade aos portugueses.
Tem sido um vale tudo!... A partir de um simples boato, de uma declaração ou de uma notícia não confirmada que a comunicação social repete, repete, volta a repetir e amplifica acriticamente, Assunção Cristas e Passos Coelho têm-se revelado como dois oportunistas sem escrúpulos, de que não há memória igual.
Pegam nos microfones, e como se os portugueses tivessem memória curta e desconhecessem o mal que lhes fizeram quando foram subservientes à Tróika e andaram a vender o país a pataco, não hesitam ainda assim em tratar de aproveitar a terrível conjuntura do fogo florestal para servir os seus interesses pessoais e políticos.
É verdade que ninguém com bom senso poderá negar que a dimensão dos incêndios é preocupante e que têm que ser tomadas medidas drásticas para pelo menos atenuar os seus efeitos. Mas esse papel cabe a todos!... Cabe ao Governo, cabe a quem o apoia, cabe a cada um denós, e como é óbvio, cabe também à Oposição. Só que quanto a esta, bem cedo se percebeu que a tragédia iria ser objecto de aproveitamento político. E cedo se percebeu igualmente, que o "diabo" anunciado para o verão passado estaria para chegar, muito embora com um ano de atraso, ainda que no seu habitat natural - nas chamas do inferno em que o país se tornou.
A notícia dos suicídios dada pelo próprio profeta do "diabo", a que se sucedeu a inacreditável série de artigos publicados no jornal de direita espanhol El Mundo, vomitados e assinados por um cobarde virtual que dá pelo nome de Sebastião Pereira - que continua a monte sem que ninguém se preocupe muito em encontrá-lo, foi o prenúncio do que estava para acontecer.
É verdade que o Governo não tem feito apenas coisas boas!... Sabe-se que como qualquer outro Governo não está imune ao "pecado" e vários erros haveria a apontar-lhe. Porém, seria bom que os profetas da desgraça não fizessem dos portugueses ingénuos. Todos estes ataques políticos perpretados pela direita mais à direita desta III República, têm apenas um objectivo: a pretensão de a todo o custo, e “custe o que custar”, descredibilizar o Executivo e a maioria parlamentar que o apoia, sem se preocupar com o sofrimentos das pessoas. Esta é a Oposição dos SMS´s, das listas e afins. Nem o exemplo do Presidente da República os trava no seu alarido social!... Vivem politicamente do fogo, para o fogo e da desgraça de tanta gente.

Como muito bem disse António Lobo Xavier, um homem que toda a gente sabe ser um destacado membro do Partido de Assunção Cristas e membro do Conselho de Estado, o CDS e o PSD devem um pedido de desculpas ao país e aos portugueses pela conduta que ambos vêm adoptando.

26 julho 2017

A DECADÊNCIA ÉTICA E OS INIMIGOS DA VERDADE!...ELES ANDAM POR AÍ.

Há sociais-democratas, particularmente aqueles a quem ainda resta o ADN do verdadeiro PPD/PSD, que certamente se sentirão envergonhados com a postura dos actuais dirigentes de um Partido que orgulhosamente ajudaram a construir. E sentindo-se envergonhados, não desdenhariam, se pudessem, em devolver ao “garoto” Hugo Soares – actual Presidente do Grupo Parlamentar, o dislate político de dar ao Governo o prazo de 24 horas para publicar a lista de mortos da tragédia de Pedrógão: " Haja respeito!… V. Ex.ª tem 24 horas para pensar seriamente na sua vida política”- diriam eles certamente.
Só que hoje, o PPD/PSD que foi, já não o é – e esse é que é o problema!... E não o sendo, o que está à vista de todos, é que perante factos tão esclarecedores, o actual PPD/PSD, depois do estrondoso falhanço neo-liberal, se encontra agora em plena transformação num Partido populista, salivando raiva contra a decência politica perante uma alegada suspeita, ainda que a mesma tenha como fonte toda e qualquer teoria da conspiração, noticias desprovidas de factos, ou afiançadas por quem falsamente diz conhecer mais vítimas para além das oficiais, numa espécie de um concurso mórbido do "quem quer ter um minutinho de fama que avance com mais uma vítima mortal". Uma vergonha...
Mas face a tais desmandos, a resposta da Procuradoria Geral da República foi pronta e aí está, confirmando não só aquilo que já se sabia – 64 mortos e um 65.º em averiguação, como também a inventona da estória de "mais mortes", a que o PSD oportunisticamente se agarrou para fazer uma cena, revelando a miséria moral da polítíca no seu pior.
Agora perante os factos, o que terá Hugo Soares a dizer, depois do “circo” que montou à volta de um assunto tão humano e triste?!... Possivelmente nada, a não ser “engolir o sapo e enterrar a cabeça na areia”. Certo é, que o povo português não deixará de avaliar quanto mal ficaram na fotografia este PPD/PSD e o seu líder parlamentar.
Como é possível que um Partido que se diz responsável e que exigiu a constituição de uma Comissão Independente, que tem como missão apresentar em determinado prazo um relatório sobre os acontecimentos; como é possível que um Partido que deveria estar a discutir políticas de prevenção - florestação, desertificação, demografia e movimentos migratórios, bolsas de terras e emparcelamento, biomassa - e de combate aos incêndios, designadamente no que diz respeito às estruturas e papel dos bombeiros, da Protecção Civil, e da responsabilidade das Comunidades Intermunicipais; das falhas de segurança do SIRESP e da eventual revisão da moldura penal para incendiários; como é possível que um Partido que deveria estar a discutir se as ajudas e os subsídios estão a chegar ou não às pessoas, às famílias, às empresas e comunidades, entre tantos outros assuntos, se estenda completamente ao comprido, com um jogo de politiquice do gato e do rato, à volta de um valor estatístico, que em nada valoriza ou menoriza a tragédia e a lição futura para o país em matéria de incêndios?!...

A grande verdade é esta: quando se procura o poder sem um projecto mobilizador, um programa para sufragar ou uma simples ideia construtiva; quando se espera que o dito Poder lhes caia nos braços à boleia do clube que se frequenta; e quando se fomenta a erosão do regime, o resultado só pode ser a decadência ética e politica. Exige-se por isso a quem se lhe opõe, que a desmascare sem a deixar à solta. O país agradece e os portugueses também…
Esta gente não presta…

24 julho 2017

UM PSD CONTRAFEITO E SOBRE BRASAS...

A Oposição de direita está em brasa e doente!... Mais: pior do que isso, e em vez de curar as suas maleitas, resolveu pelo contrário utilizá-las para propagandear valores que há muito vimos varrer da Europa e do nosso país, com o claro intuito de obter para já mais uns votinhos, e quem sabe no futuro poderem servir também, como teste para outros vôos.
Dirão alguns, que estes são apenas umas andorinhas e que uma andorinha não faz a primavera. Não!... Estes não são apenas andorinhas. São pelo contrário os tais dissimulados que fazem a apologia do antigo regime, e se acoitam num Partido ao qual ainda chamam de social-democrata. E tanto assim é, que no caso do "Le Pen de Loures", o problema até poderia ter sido sanado rapidamente e não foi - o candidato pedia desculpa, e o Presidente do Partido demarcava-se claramente do discurso.Certo é, que depois do apoio dos fascistas do PNR, o primeiro ainda ensaiou um esclarecimento, mas quando percebeu que Passos o apoiava e que o seu populismo criava um ambiente aparentemente favorável à sua candidatura, rapidamente retrocedeu e insistiu no seu palavreado, como se em Portugal existisse uma questão judaica, baseada no principio de que toda uma etnia vivia de forma parasitária e se comportava à margem da lei.
André Ventura teve porém um mérito!... Mostrou a verdadeira face deste PSD, quando pela primeira vez um político da extrema-direita e que nele milita, assumiu claramente ao que vinha e quais eram as suas ideias. Hoje, já não restam dúvidas de que o sujeito  fala verdade, quando afirma que sente um grande apoio dos portugueses. Claro que sente, embora não da esmagadora maioria, como irá ficar provado quando da disputa eleitoral. Porém e até lá, se vier defender que os gays deviam ser capados, ou que Portugal devia exigir às ex-colónias que indemnizassem todos os que perderam as suas propriedades coloniais, se calhar não deixaria de conseguir ainda mais uns votinhos, o que diga-se em abono da verdade, se duvida pudessem resolver o seu problema e fossem suficientes para subir ao púlpito. Afinal de contas, apesar de não terem decorrido muitos anos, em que num programa de televisão que escolhia o maior português de sempre, o eleito tenha sido António de Oliveira Salazar, não foi por isso que os portugueses deixaram de viver em democracia.
Estes, são pois os jovens deserdados de valores, que se perfilam para liderar os Partidos da direita e mais tarde a Nação – claro está, se os democratas deixarem. E André Ventura é um deles. Sabe bem o que diz, porque o diz, e para onde quer ir. Para já, vai no sentido de interpretar o pensamento corrente de alguns sectores da sociedade que estão a ser contaminados por certos vírus partidários de cariz social, racista e étnico, e que inoculam cada vez mais vírus, em vez de procurarem antidotos para os eliminar.Depois logo se verá. No presente imediato, o alvo são os ciganos, àmanhã serão os africanos, depois os emigrantes, e depois ainda o que mais haja. Para esta gente da política feita às “três pancadas" e apologista daquele velho lema do "pão numa mão e pau na outra”, serão todos eles causa dos males sociais. Gente, que também não se inibe de se colocar à parte dos princípios que regem a sociedade portuguesa e a Lei Fundamental deste país que se chama Constituição da República, onde se refere que – (...) todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei”, e onde (...) ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever, em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual” – e que ao colocar-se à parte, atenta também ela, de forma deliberada e consciente contra o Estado de Direito - (Cf. artigo 13.º da CRP) -, tal como atenta todo o tipo de marginalidade, venha ela de ciganos, pretos, brancos ou amarelos. Por muito menos, solicitou António Costa o afastamento do Partido Socialista do deputado europeu Manuel dos Santos.
Mas voltando ao tema em si, não foi por acaso que o dirigente do CDS-PP Francisco Mendes da Silva tenha afirmado, que já deseja que o candidato perca, e passo a citar: “Não há praticamente nada que André Ventura diga que eu não considere profundamente errado, ligeiro, fruto da ignorância e de um populismo que tanto pode ser gratuito, telegénico ou eleitoralista. Já o vi falar de tudo e mais alguma coisa, em muitos casos de assuntos que conheço técnica e/ou factualmente. Nunca desilude na impreparação e no gosto em ser o porta-estandarte das mais variadas e assustadoras turbas. Se perder, tudo bem: que nem mais um dia o meu Partido fique associado a tão lamentável personagem – Partido que posteriormente como se sabe lhe viria a retirar o apoio.
Infelizmente porém, este não é caso inédito!... Também em 2013, um elemento do PPD/PSD, Carlos Peixoto de seu nome, ao tempo deputado por este Partido, num artigo de opinião referindo-se ao aumento da população idosa, não hesitou em afirmar que “a nossa Pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha“. Quer isto dizer e citando Camões, que "se mais mundo houvera lá chegara" - isto é: que o PSD está de facto “minado”, que enquanto Partido social-democrata que foi, já não é, e que nele milita a pior direita, que pela vóz de alguns dos herdeiros ideológicos de famílias do passado, o levam a caminhar tendencialmente para a criação de fenómenos de ostracização e de exclusão de sectores da população. Descansem porém!... Quem resistiu no passado, resistirá no presente e também no futuro.

Em jeito de conclusão, direi apenas que a protecção de Passos ao seu correligionário da extrema-direita não aconteceu por acaso!... Se os resultados eleitorais vierem a favorecer esta opção, não me admirará que no futuro não venha a eleger Loures e a questão cigana como a bandeira de um Partido que à sua pála teve já o condão de entrar em decadência moral, e que no futuro se poderá acentuar ainda mais dando vóz aos “Trumps” e aos “Le Pen`s” cá do burgo. Depois do que se passou ao longo de quatro anos e meio da sua governação, dos apelos à vinda do diabo após ser arredado do “trono”, do aproveitamento politico da tragédia de Pedrógão Grande e da forma oportunista como abordou o assalto a Tancos, é de esperar tudo de um politico desesperado e sem escrúpulos na hora de conseguir “ressuscitar”.