AINDA NÃO FOI DESTA, QUE O
"PARTIDO QUE GANHOU AS ELEIÇÕES" CONSEGUIU DERRUBAR O QUE AS
"PERDEU"...
Como sempre, segui atentamente
o debate na Assembleia da República sobre o Orçamento de Estado para 2018!...
Ao fim do dia de hoje foi o mesmo finalmente aprovado com os votos favoráveis
do PS, BE, PCP e Verdes, a abstenção do PAN, e como se esperava e não poderia
deixar de acontecer, com os votos contra da “geringonça de direita”.
“Geringonça de direita” que ainda não se convenceu que já não é Governo, que o
seu tempo já passou e que a disputa de umas eleições legislativas não ocorre
para eleger um Primeiro-Ministro.
Apesar disso, quer ontem, quer
hoje, PSD e CDS continuaram a bater na mesma tecla, tendo tido até a distinta
lata de acusarem o Governo e a Maioria Parlamentar que o suporta, de promoverem
um brutal aumento de impostos, quando no passado recente ambos foram os
“”campeões na matéria” ao promoverem em conjunto a maior carga fiscal de que há
memória em Portugal. A maior carga fiscal, acompanhada também que foi pelo
corte de salários, de reformas e pensões, de falências de pequenas e médias
empresas, de desemprego em catadupa, de emigração forçada, de uma maior
dificuldade no acesso aos cuidados de saúde, de degradação da escola pública à
custa das benesses concedidas aos colégios privados, e de menor proteção
social, tudo em nome de um empobrecimento assumido como necessário pelo ainda
líder da Oposição, o qual não hesitou em juntar uma crise a outra crise, mesmo
que isso violasse os mais elementares preceitos constitucionais, como mais
tarde se veio a verificar. Esta era pois a deprimente situação que esta direita
saudosista e retrógrada nos oferecia e que agora pretendia reactivar em nome –
como dizem, de “preparar o futuro do país”.
Dito isto e em resultado desta
postura, as principais ilações a retirar do debate parlamentar, foram os
confrangedores argumentos desta direita que teima em não “tomar tino”, através
de um discurso cujo objectivo assentou no ataque ao Governo – trazendo para o
debate e ao arrepio daquilo que verdaddeiramente estava em questão, mais uma
vez a questão dos incêndios, e na crítica ao BE, PCP, Verdes e até ao PAN, por
serem demasiado “macios” nas exigências em relação às medidas constantes no
documento.
Mas para uma análise mais
pormenorizada, comecemos então pelos argumentos desta “geringonça de direita”:
ao longo do debate, a palavra de ordem foi sempre a de que iriam votar contra o
Orçamento!... Até aqui tudo normal, tendo em conta que não é usual a oposição
votar o Orçamento de um Governo.
Só que disseram sempre ir
votar contra, apenas “porque sim”!... Tudo o resto e ao longo do debate, foi um
“mar de contradições” enumerando todo um conjunto de críticas, que se
contradizem a si próprias. Ora vejamos:.
Uma das criticas que PSD e CDS fizeram no plenário, foi a de que este Orçamento se destina a favorecer a função pública – seguindo o seu já velho lema de colocar portugueses contra portugueses!... Porém cá fora, quem é que afinal apoia a função pública em tudo que é luta contra o Governo, designadamente quando se exige a redução de horários de trabalho ou aumentos das remunerações, que sendo aspirações legítimas, parte delas são incomportáveis – como é o caso dos enfermeiros especialistas, cuja luta é liderada por uma senhora membro do Conselho Nacional do PSD?!...
Uma das criticas que PSD e CDS fizeram no plenário, foi a de que este Orçamento se destina a favorecer a função pública – seguindo o seu já velho lema de colocar portugueses contra portugueses!... Porém cá fora, quem é que afinal apoia a função pública em tudo que é luta contra o Governo, designadamente quando se exige a redução de horários de trabalho ou aumentos das remunerações, que sendo aspirações legítimas, parte delas são incomportáveis – como é o caso dos enfermeiros especialistas, cuja luta é liderada por uma senhora membro do Conselho Nacional do PSD?!...
Depois, afirmam ainda, que o
orçamento corta no investimento público, acusando o Governo de ficar à espera
que os privados invistam. Porém, vêm logo depois dizer, que a economia só pode
crescer, com base nas exportações e na iniciativa privada!... Afinal em que
ficamos?!... Que raio de argumentos são estes, que dão uma no “cravo e outra na
ferradura”?!...
Depois, dizem-se também a
favor do cumprimento das nossas obrigações relativamente à Europa,
designadamente em matérias de dívida pública e défice!... Porém, quando o
Governo apresenta como previsão o défice mais baixo (1%) desde o 25 de Abril de
1974, PSD e CDS insurgem-se, mas mais uma vez não apresentam alternativas. Nada
que seja porém de espantar, tendo até em conta a sua politica do “bota-abaixo”
permanente, mas ao menos que dissessem mais qualquer coisa, que um qualquer
débil mental seria capáz de dizer.
Já há muito que se sabe, que
esta é a pior direita que a democracia pariu desde 1974!... O que não se sabia,
é que, já que não são sérios com os outros, pelo menos que o deviam ser consigo
próprios. Porém, com Passos Coelho a prazo e fora de combate, e com Assunção
Cristas feita rã mas a pensar em ser “boi”, outra coisa não seria de esperar. A
esta gente falta-lhe tudo, designadamente seriedade, ética e capacidade de
raciocínio para pensar em termos lógicos.
Mas o mais grave e revelando a
forma elitista e distante do seu pensar, foi nunca o PSD ou o CDS durante o
debate e pese embora todas as suas criticas, nunca terem falado numa coisa
muito simples: A VIDA DAS PESSOAS, o que é o mesmo que dizer, da vida de milhões
de portugueses.
Nunca falaram dos portugueses
que recebem o salário mínimo, dos pensionistas a quem queriam “sacar” 600
milhões de euros, dos desempregados, dos passes sociais para estudantes e
pensionistas a quem eles próprios los retiraram, dos abonos de família ou do
complemento social para idosos.
Desses nunca falaram e duvido
que com esta “tropa fandanga” alguma vez venham a falar. Os benefícios que um
Orçamento possa contemplar toda esta gente, não interessa a esta direita, e
quando os beneficia, votam contra. Para esta direita, esses são os tais
interesses a que chamam de “corporativos" para alimentarem PS, BE, PCP e
Verdes – terminologia usada por um senhor deputado do CDS, como se o seu
Partido não tivesse telhados de vidro, mas também aqui com o claro objectivo de
minar a coesão dos portugueses.
É bom por isso que todos
saibamos disto, para vermos quais os interesses que esta gente objectivamente
defende. Mas o mais ridículo ainda, é esta “geringonça de direita” ter acusado
o Governo durante o debate, de ter apresentado um Orçamento de austeridade!...
Austeridade, com a conivência dos Partidos à sua esquerda, que como se sabe
esta direita verbera por não se insurgirem contra o dito Orçamento. Eles que
foram os campeões da austeridade, tomam agora as dores dos sofredores da
austeridade, vindo com a ladainha já gasta dos cortes na saúde, nos serviços
públicos, e por aí fora.
Dito isto, é evidente que
perante tão contraditórios, confrangedores e bizarros argumentos, António Costa
não teve qualque dificuldade em anular todos os desvairados discursos que foram
surgindo ao longo do debate. Nem Assunção Cristas resistiu ao anúncio da divida
pública, que no final de Outubro passou de 130 para 126% do PIB. Desta vez,
Cristas não se fez acompanhar de gráficos relacionados com o assunto,
preferindo ao invés, abanar a asa com fotografias dos fogos e da destruição que
assolou o país.
Este é pois um Orçamento que
traduzido no número de deputados representantes dos portugueses, agrada à
maioria do país, agrada a Bruxelas - como já o demonstraram os responsáveis
europeus, agrada aos mercados financeiros - como se vê pela queda nas taxas de
juro, agrada às agências de rating que tem vindo a melhorar a notação do país,
e agrada aos credores que têm vindo a receber o que emprestaram - até
antecipadamente como é o caso do FMI.
Só não agrada aos interesses
desta direita retrógrada e bolorenta que se vê mais um ano afastada da condução
do Estado e sem perspectivas de lá chegar tão cedo quanto é o seu desejo.
Aguentem…






