15 novembro 2017
TAL COMO OS SUBMARINOS...
O arquivamento e prescrição de crimes parecem sofrer de uma inclinação partidária que sendo certamente aparente, deixa os portugueses perplexos. Podem ser até coincidências, mas o silêncio que se abateu sobre a investigação da revista Visão a Câmaras do grande Porto, onde altos dignatários do PSD estavam comprometidos, ou à gestão danosa de bancos que enlamearam políticos do bloco central, especialmente da direita, é suspeito. Raramente se fala dos bancos GES/BES, Banif, BPN, BPP e BCP e o sentimento de desconfiança perante a impunidade que levará ao ressentimento é hoje bem visivel na sociedade portuguesa.Enquanto o Ministro da Saúde pede desculpa por mortes causadas por uma bactéria que mata, enquanto o Cardeal renuncia às rezas contra a seca e o PR acha em Lisboa os sem-abrigo que no tempo do antecessor seriam hospedados em hotéis, a comunicação social silencia o que pode lesar os interesses dos seus donos e reincide nas imagens dos incêndios.
Publicada por
Domingos Chaves
10 novembro 2017
- RUI RIO OU SANTANA LOPES?!...
O Estudo de Opinião efectuado
pela Eurosondagem para o Expresso a publicar àmanhã, dá um empate técnico entre
Rui Rio e Santana Lopes!... O homem do norte, segue na frente apenas com um
ponto percentual de vantagem.
Dito isto, vai ser com toda a
certeza uma boa disputa e acabará por vencer quem se libertar dos vícios da
velha política e dos sindicatos de voto. Para isso, ambos deverão fazer uma
campanha para os militantes de base e deixarem-se de nomes sonantes que
obviamente não passam disso – de nomes sonantes de jornais e televisões.
Para descanso da “geringonça”
e terminada que foi a época dos fogos, durante os próximos três meses a
política vai estar centrada no PSD e na substituição do seu líder e seria muito
bom para o país, que daí saísse uma alternativa pujante a António Costa e à sua
maioria parlamentar, um facto que com Passos Coelho, sempre enraizado nas suas
politicas neo-liberais nunca aconteceu.
O que está portanto aqui em
jogo, não é somente a próxima liderança do PSD, mas isso sim a construção de um
projecto que rivalize com o do PS – um Governo é tanto mais forte, quanto mais
forte fôr a Oposição. Porém e para isso, o PSD tem que se emancipar do aparelho
do Partido e daqueles que têm a mania que mandam na sombra!... Precisa de gente
informada, activa e que não se deixe manipular.
Seria por isso desejável que
os candidatos percebessem, e à semelhança do que já aconteceu em eleições bem
recentes, que alguns apoios públicos, em vez de darem votos, tiram-nos. Santana
Lopes com mais apoios no aparelho e Rui Rio junto de alguns dos chamados
barões, vão ter muito que os trabalhar sob pena de o feitiço se poder virar
contra o feiticeiro. A realidade vale muito mais que o ilusionismo e as
aparências.
Há aparelhistas e barões
traficantes de influências que o cidadão comum – ou pelo menos aqueles que
estão de bem com a politica, não gostam, não apreciam e rejeitam. Cada
militante vale um voto e ninguém deve arvorar-se que acrescenta votos.
Repensar por isso o PSD,
modernizar os seus métodos de recrutamento, e reformular a sua organização e
operações, poderá contribuir para melhorar a imagem do Partido e torná-lo mais
merecedor da confiança da sociedade portuguesa, ao invés de continuar a cair
nas sondagens como vem acontecendo.
O PSD tem que perceber isto e
mudar de vida, se quer um dia constituir-se como alternativa. Para se chegar ao
poder tem que se ser inovador, criativo e pensar a política de outra forma.
Os militantes do PSD ao
escolherem o próximo líder do PSD estão a escolher quem querem como candidato a
futuro Primeiro-Ministro.
Publicada por
Domingos Chaves
REVOLUÇÃO DE OUTUBRO | TERÃO SIDO 100 ANOS DE UMA LUTA PERDIDA?!...
Esta semana comemoraram-se os
100 anos da Revolução Russa, que levou ao poder o partido bolchevique de
Lenine. Nascia assim o sonho comunista num império agastado por uma guerra
violenta e socialmente fragmentado, que assentava numa vasta força de trabalho
de operários e camponeses explorados e mal pagos - as condições perfeitas para
fazer vingar o sonho idealista bolchevique.
E efectivamente foi vingando
embora aos trambolhões, e escondida atrás de uma Cortina de Ferro - a União
Soviética, que resistiu à máquina capitalista até 1991, altura em que Boris Ieltsin
anunciou o seu fim.
Para trás ficaram histórias
mal contadas, sucessos fabricados e décadas de resistência e de luta na
persecução de um ideal de justiça social que em confronto directo com a voraz máquina
capitalista, nunca teve verdadeiramente hipóteses.
O ideal comunista resistiu
como pôde, e por momentos, pareceu ter condições de se impor à escala global.
Nos momentos mais quentes da Guerra Fria, fez tremer os EUA criando o pânico
com a crise dos mísseis de Cuba.
Hoje, passados 100 anos, pouco
resta do ideal comunista e a sua reciclagem fica muito aquém do desejado. Sim,
do desejado. Os seus principais valores fazem hoje, mais do que nunca, falta no
sistema político mundial.
Não me vou perder a justificar
se esses mesmos valores existiram, ou existiam na União Soviética, porque o que
efectivamente importa é aceitar a sua existência enquanto matriz ideológica.
Hoje, mais do que nunca,
precisamos de olhar para a realidade do mundo e constatar que é preciso mais
justiça social, mais igualdade e sobretudo diminuir o fosso que se vai cavando
entre ricos e pobres. Na verdade, entre pessoas extremamente ricas e pessoas
muito pobres.
Não embarco também na ideia de
uma sociedade sem classes - é utópica e irrealista. A natureza humana é
contrária à igualdade social. Haverá sempre pessoas que procurarão sobressair
entre pares e que em última análise, determinarão as clivagens sociais.
A social-democracia, já aqui o
referi noutras oportunidades, não foi capaz - ou não tem sido capaz - de
responder aos excessos do desenvolvimento e de resolver os problemas sociais
criados pelas mais recentes crises financeiras, que têm dado espaço ao
populismo e aos extremismos, sobretudo de uma direita radical que floresce em
tempos de crise, de agonia e de desespero das pessoas - é um facto e para o
comprovar basta olhar para a História.
Mas será que existe um espaço
para uma abordagem comunista?!... Para uma abordagem moderna e adequada à
realidade social dos tempos modernos?!... Sempre defendi que sim e desde os
tempos de juventude que sempre foi com alguma mágoa que assisti à
irredutibilidade e à resistência à mudança dos principais líderes comunistas.
Em Portugal vamos
experimentando uma fórmula inédita de combinação experimental entre
social-democracia, esquerda revolucionária e ideais comunistas. Uma combinação
sobre a qual tive muitas dúvidas, mas que tem teimado em provar-me o contrário.
E ainda bem!... Ainda bem para Portugal, que parece desbravar uma nova
abordagem ideológica com resultados surpreendentes e perdoem-me a presunção, também
para a Europa e porque não para o mundo.
Passados 100 anos e
ideologicamente falando, abre-se uma nova janela de oportunidade para o
comunismo. Abre-se a possibilidade de se reinventar, de se adaptar aos tempos
modernos, contribuindo para o equilíbrio social. Haja essa consciência e 100
anos depois a luta poderá continuar.
Publicada por
Domingos Chaves
07 novembro 2017
CENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO DE OUTUBRO - QUEM FORAM AFINAL OS GRANDES VENCEDORES DA REVOLUÇÃO RUSSA?!...
A Revolução de Outubro
mudou não só a Rússia como todo o mundo!... Olhar para o passado e pensá-lo, é
um exercício que se impõe de forma a tentar-se compreender um dos principais
acontecimentos do século XX. Posto isto e 100 anos depois, qual o legado da
revolução liderada por Lenine e Trotsky ?!... Vamos então aos factos: insatisfeitos
com o regime czarista, sucediam-se as manifestações e greves gerais contra o
poder de Nicolau II. Centenas de pessoas morreram na sequência dos tumultos da
Revolução de Fevereiro e o Governo Provisório de Alexander Kerensky segurou as
rédeas do poder até à Revolução de Outubro, quando a força dos
bolcheviques se impôs.
Estávamos então em 1917!... O Czar
Nicolau II já tinha sido derrubado em Fevereiro do mesmo ano. Um frágil Governo
Provisório encontrava-se no poder numa Rússia completamente desgastada pela
participação na Primeira Guerra Mundial. A 7 de novembro - 25 de outubro no
calendário juliano - precisamente há 100 anos, os bolcheviques liderados por
Lenine e Trotsky, tomaram o Palácio de Inverno e os principais centros de
poder. Estava consumada a Revolução de Outubro, que tinha começado a ser gizada
já há alguns meses.
Passados 100 anos, o
debate sobre os impactos da Revolução de Outubro sobre a sua essência e sobre o
seu legado permanecem, e os consensos sobre a política soviética nos seus
cerca de 70 anos de existência está longe de ser pacifica.
Consensuais, parecem ser no
entanto as análises de algumas das causas que estão na origem da Revolução de
Outubro de 1917, como o culminar de uma situação de grave crise política e
social que se vinha desenvolvendo na Rússia desde o final do século XIX e que
foi particularmente agravada com a desastrosa participação do exército russo na
Primeira Guerra Mundial e com Lenine, Trotsky e companhia utilizaram a
vagarosidade com que eram feitas as transformações para tomarem o poder através
de um golpe de Estado. E decisivo, foi também o facto dos bolcheviques
serem os únicos a oporem-se à participação da Rússia na Primeira Guerra
Mundial. Por isso, souberam explorar a vontade popular e foram conquistando
apoios para consumar a revolução inspirada pelos ideais marxistas. Além disso,
como grande parte da população russa era composta por camponeses, as políticas
da terra de Lenine e Trotsky tornaram-se muito populares. Uma conjuntura muito
especial que teve a ver com a falência do Império Russo na frente de combate, e
a agitação de objectivos que eram caros a um sector da população. Assim,
escolheram o momento oportuno para avançar e foi isso que lhe garantiu o
sucesso.
OS ANOS TERRIVEIS QUE SE
SEGUIRAM Á REVOLUÇÃO
O ano de 1917 chegara ao fim e
a transformação russa acabara de dar um salto gigante. Os ideais leninistas
inspirados pelo marxismo, prometiam transformar o mundo. No ano seguinte,
chegaria ao fim a Primeira Guerra Mundial com a Europa a ficar devastada e a
Rússia, além dos milhões de mortos e da destruição de parte do seu território, a
ter ainda de enfrentar um inverno rigoroso, o que dificultou a sua recuperação.
Neste cenário de grande
instabilidade e incerteza, os bolcheviques continuavam a sua revolução.
Contavam sobretudo, com apoios nos centros urbanos e industriais. O resto do
país preocupava-se essencialmente com a sobrevivência, muitos certamente à
margem do que se passava nas grandes cidades.
Por essa altura, continuou e
intensificou-se a expropriação das empresas industriais que passaram a ser
dirigidas por comités de trabalhadores. Foi implementada a política de
oito horas de trabalho, os bancos foram nacionalizados, a soberania dos
povos e o seu direito à auto-determinação foram decretados. As enormes
transformações começavam agora a sentir-se.
Foi então que começou a
violenta guerra civil no país, que durou entre 1918 e 1921 e que deram origem aos “anos
terríveis”que se seguiram à revolução. Forças conservadoras e leais ao czar,
com o apoio dos países ocidentais, iniciaram a sua tentativa de derrubar os
bolcheviques, particularmente os envolvidos na guerra, que não aceitaram a
alteração de poder na Rússia. Promoveram então uma invasão ao território
que contou com forças internas ligadas ao czar e desencadeou-se uma guerra
civil num país que já estava exausto pela guerra.
Ciente de que era a sua
sobrevivência que estava em jogo e uma “questão de morrer ou matar”,
Lenine começou a impor a sua força. Sucederam-se as perseguições aos opositores
e foi instituído o sistema de Partido Único. Os bolcheviques só
tinham uma solução para manter o poder: ser implacáveis e impor a sua
autoridade à força. E sendo assim, vão ter então de o fazer, porque era uma
questão de vida ou de morte. Se não o fizessem, eram completamente liquidados.
Nesse sentido, proibir os restantes partidos para lá do comunista
assentava na política estipulada pelo conceito de ditadura do proletariado, ou
seja, “ditadura sobre a burguesia e democracia para as massas e para o
povo" e como os bolcheviques se apresentavam como os únicos representantes
do povo, não havia razão para haver outro Partido a representar estes sectores.
Mas nem só de repressão se
fizeram os três anos da guerra civil entre vermelhos (bolcheviques) e brancos
(leais ao czar). As experiências revolucionárias de grande profundidade
que alteraram desde a estrutura económica às formas de organização do trabalho,
nomeadamente no que diz respeito à actividade artística e cultural, à situação
das mulheres, à organização do trabalho da terra, à educação e à política
urbanística, faziam igualmente parte dos ideais dos bolcheviques.
A MORTE DE LENINE E ASCENSÃO
DE ESTALINE
Depois de três anos de uma
violenta guerra civil, Lenine morreu em 1924. Estaline, que já era Secretário-Geral
do Partido Comunista mas que desempenhou um papel secundário na revolução,
sucedeu-lhe na liderança e a União Soviética começou uma nova fase.
As transformações, assumem um
carácter irreversível a partir de 1928, sendo confirmadas em meados da década
seguinte. É precisamente nesta altura que se inicia um intenso programa de industrialização
e de colectivação no país, ao mesmo tempo que muitos revolucionários
bolcheviques, nomeadamente Trotsky, que foi acusado de traição, começam a ser
perseguidos e afastados, verificando-se desta forma enormes alterações às
propostas iniciais do Governo Revolucionário.
Entre as medidas tomadas na altura, destaca-se
o fim da ideia de uma “revolução internacionalista”, a “colectivização
forçada da agricultura com a destruição total da grande propriedade e dos
pequenos camponeses” e a “instalação de uma forte repressão política em larga
medida exercida contra membros do próprio Partido”.
Contudo, as transformações efectuadas
por Estaline foram sobretudo a continuação do que já fora começado na
Revolução de Outubro por Lenine. É errado pensar que o estalinismo nasceu
com Estaline. Não!... O estalinismo nasceu antes, é uma continuação do
leninismo, como o trotskismo seria a continuação do leninismo, que foi a
imposição de um regime social-totalitário através da força. Assim, ao
mesmo tempo que a União Soviética se recompunha da guerra civil e continuava o
seu processo revolucionário, o fascismo ia emergindo na Europa, nomeadamente em
Itália e na Alemanha, a grande derrotada da Primeira Guerra Mundial. É neste
cenário de humilhação que começa a ascensão de Adolf Hitler, que nos seus
escritos iniciais manifesta não só a vontade de eliminar os judeus, como também
de destruir a Rússia. Estaline teve então de reagir. No Mein Kampft está
evidente que a Rússia ia ser invadida. Por isso, Estaline percebeu que não
tinha grandes alternativas. Ou industrializava o país a que custo fosse, ou
sucumbia. Contudo, as consequências deste “custo” que foi preciso tomar,
mudaram para sempre a União Soviética. A opção que a direcção soviética fez foi
por isso uma opção terrível e teve custos elevadíssimos.
Neste cenário, com o nazismo
cada vez mais forte, uma nova guerra era inevitável e acabou por acontecer, à
custa de milhões de mortos. Estaline saiu como um dos grandes vencedores
da guerra, mas pagou um preço brutal em termos de perdas militares e civis.
O LEGADO DA REVOLUÇÃO DE
OUTUBRO
No rescaldo da Segunda Guerra
Mundial, emergem então duas superpotências que vão “dividir” o mundo entre si:
Estados Unidos e União Soviética.
É neste mundo bi-partido, que
os países do chamado terceiro mundo, nomeadamente as colónias dos países
europeus - de Portugal inclusive - começam a ganhar força para combater o
imperialismo e o capitalismo. Esse é um dos principais legados da Revolução de
Outubro, isto é, o despertar da consciência dos países do Oriente e de
África, algo que ia ao encontro das ambições soviéticas, que pretendiam que
esses povos se libertassem das situações coloniais.
Enquanto isso e durante a
Guerra Fria, os EUA e a União Soviética não olhavam a meios para atingir os seus
fins, e por sua vez o bloco ocidental quis responder a esse despertar, apoiando
regimes muito pouco aconselháveis do ponto de vista dos direitos humanos ou da
democracia.
Outro dos legados da Revolução
prendeu-se com as transformações no interior dos próprios países europeus, mais
concretamente no que diz respeito às mudanças sociais por parte da
população trabalhadora da Europa. Não estão na origem directa, mas contribuíram
decisivamente para a sua afirmação e para a aceleração do processo de criação de
estados sociais, em que os trabalhadores passam a ter condições de trabalho e
de vida muito melhores.
Passados estes anos, o próprio
socialismo teve de fazer uma catarse histórica para perceber as consequências
da Revolução de Outubro. Por um lado, a revolução trouxe a confirmação, pela
experiência negativa vivida de que o modelo socialista não pode ser imposto de
cima para baixo, mas harmonizado com um desenvolvimento da sociedade na qual se
insere. Pelo outro, porque a revolução bolchevique veio a demonstrar,
que a transformação revolucionária, no sentido da construção de um mundo
mais justo e igualitário, não é um mero devaneio de caráter utópico, mas pode
resultar da intervenção da iniciativa humana, constituindo sempre um factor de
esperança.
A RÚSSIA DE HOJE NO CENTENÁRIO
DA REVOLUÇÃO
Com a queda do Muro de Berlim
e o desmoronar da União Soviética, a ideologia que saiu da Revolução de
Outubro, e que foi sendo transformada pelas lideranças soviéticas ao longo de
cerca de 70 anos, sofreu um tremendo golpe, do qual nunca chegou a recuperar.
Hoje, na Rússia pouco mais resta do que as estátuas de Lenine e a nostalgia de
certos momentos da História. Outros foram esquecidos ou simplesmente não são
recordados.
No entanto, desde que o actual
presidente russo Vladimir Putin, começou a concentrar o poder na sua figura,
bem como a demonstrar uma intenção de reforçar o poder perdido da Rússia em
certas partes do globo, muitos analistas traçam algumas semelhanças entre a
Rússia de hoje e a União Soviética de ontem. O regime autocrático de Vladimir
Putin em que a oposição se vê limitada nas suas actividades e onde a liberdade
de expressão é também limitada, denunciam isso mesmo e a guerra na Síria, onde
Moscovo apoia o regime de Bashar al-Assad, ou no Leste da Ucrânia, que resultou
na anexação da Crimeia são os melhores exemplos. Hoje porém, alimentar desejos
expansionistas ou militaristas sem uma base económica sólida que o suporte, está
longe de ser conseguida . A Rússia tem demasiados problemas internos para
rivalizar com os Estados Unidos e até com o Ocidente. Na tentativa de
relativizar essa rivalidade e em vez de modernizar o seu país e de
aumentar a prosperidade da população, Vladimir Putin prefere gastar parte do
orçamento em aventuras militares como é o caso da Síria o que torna ainda mais
perceptível essa incapacidade.
O futuro da Rússia é hoje
portanto incerto!... Passados 100 anos da Revolução de Outubro, pouco
parece restar no regime que hoje existe em Moscovo. No entanto, o debate sobre
a natureza da revolução mantém-se, e as discussões efusivas sobre os anos que
se seguiram à tomada do Palácio de Inverno também. Dificilmente haverá um
consenso. Muitos continuarão a ver o “diabo” nas transformações protagonizadas
por Lenine e Trotsky - continuadas ou destruídas por Estaline, e outros tantos,
continuarão a ver a Revolução de Outubro como um farol no combate ao
capitalismo. Divergências à parte, o centenário da revolução recupera um debate
que na verdade, nunca se esfumou.
Publicada por
Domingos Chaves
UM ORÇAMENTO DE ESTADO PARA O FUTURO
Incapaz de se tornar uma alternativa ao Governo, incapaz de
apresentar quaisquer propostas alternativas mobilizadoras e permanecendo na
esfera dos seus ideais neo-liberais - o que só por si a torna imobilizada no
tempo, e assim impossibilitada de qualquer proposta credível, teimando em permanecer
crente e fiel às suas crenças da austeridade e do empobrecimento, a direita
radical PSD/CDS, depois de apostar tudo no fracasso da actual solução
governativa e das suas políticas orçamentais, financeiras, económicas e
sociais, nada lhes resta a que se possam agarrar para contestarem a governação
de António Costa.
Apostaram tudo na estratégia do diabo e saíram derrotados -
completamente derrotados. Agora encontram-se sem rumo!... E encontram-se sem
rumo, porque o modelo social que preconizam e tentaram impôr ao país - o seu
modelo neo-liberal de empobrecimento e “mais austeridade para sair da
austeridade” - ruiu estrondosamente à vista de todos. Por essa razão, tornam-se
agora incapazes de o assumir e de o defender, ainda que lhe permaneçam
dogmaticamente fiéis.
É por essa razão, que agora deram em inventar um novo discurso.
Já não arriscam dizer que vem aí o diabo!... Agora o slogan é que o Orçamento
para 2018 não tem uma “visão de futuro” e não “prepara o país para o futuro”. Discurso
logo repetidamente difundido pelos seus serventuários comentadores e pela
comunicação social em geral, que declaradamente está ao seu serviço de modo
militante.
As estruturas do poder económico e financeiro desejariam
seguramente que o país regressasse às políticas neo-liberais “amigas” dos
mercados, com mais privatizações nos transportes, nas águas, nas pensões e
reformas, na educação, na saúde, com redução de impostos sobre o capital, particularmente
em termos de IRC, imobiliário, grandes lucros e com aumento de impostos sobre o
trabalho, e redução de salários e cortes nas pensões. Isto é, tudo ao contrário
do que este Orçamento contém. Orçamento que por isso e no dizer dessa direita
retrógrada “não tem futuro”, simplesmente porque diminui as desigualdades
sociais, reparte mais equitativamente a riqueza produzida e é socialmente mais
justo. Orçamento, que abandona a “economia que mata” como lhe chama o Papa
Francisco e por isso, por muito que lhes custe, é isso sim um Orçamento de
futuro.
E é um Orçamento de futuro, não apenas no campo social!...
Quando se prevê, como este orçamento prevê, a maior queda anual da dívida
pública da democracia portuguesa, quando dá continuidade à maior queda anual do
défice público, quando se assiste ao crescimento anual da economia como há décadas
não assistíamos, quando tivemos em 2017 e se prevê para 2018 o maior excedente
orçamental sem juros da Zona Euro, quem em seu juízo perfeito poderá afirmar
com honestidade que este não é um orçamento de futuro?!... Obviamente apenas e
só esta direita radical, que teima em não tomar caminho…
Publicada por
Domingos Chaves
04 novembro 2017
ORÇAMENTO DE ESTADO PARA 2018 APROVADO, COM VOTOS CONTRA DE PSD E CDS!...
AINDA NÃO FOI DESTA, QUE O
"PARTIDO QUE GANHOU AS ELEIÇÕES" CONSEGUIU DERRUBAR O QUE AS
"PERDEU"...
Como sempre, segui atentamente
o debate na Assembleia da República sobre o Orçamento de Estado para 2018!...
Ao fim do dia de hoje foi o mesmo finalmente aprovado com os votos favoráveis
do PS, BE, PCP e Verdes, a abstenção do PAN, e como se esperava e não poderia
deixar de acontecer, com os votos contra da “geringonça de direita”.
“Geringonça de direita” que ainda não se convenceu que já não é Governo, que o
seu tempo já passou e que a disputa de umas eleições legislativas não ocorre
para eleger um Primeiro-Ministro.
Apesar disso, quer ontem, quer
hoje, PSD e CDS continuaram a bater na mesma tecla, tendo tido até a distinta
lata de acusarem o Governo e a Maioria Parlamentar que o suporta, de promoverem
um brutal aumento de impostos, quando no passado recente ambos foram os
“”campeões na matéria” ao promoverem em conjunto a maior carga fiscal de que há
memória em Portugal. A maior carga fiscal, acompanhada também que foi pelo
corte de salários, de reformas e pensões, de falências de pequenas e médias
empresas, de desemprego em catadupa, de emigração forçada, de uma maior
dificuldade no acesso aos cuidados de saúde, de degradação da escola pública à
custa das benesses concedidas aos colégios privados, e de menor proteção
social, tudo em nome de um empobrecimento assumido como necessário pelo ainda
líder da Oposição, o qual não hesitou em juntar uma crise a outra crise, mesmo
que isso violasse os mais elementares preceitos constitucionais, como mais
tarde se veio a verificar. Esta era pois a deprimente situação que esta direita
saudosista e retrógrada nos oferecia e que agora pretendia reactivar em nome –
como dizem, de “preparar o futuro do país”.
Dito isto e em resultado desta
postura, as principais ilações a retirar do debate parlamentar, foram os
confrangedores argumentos desta direita que teima em não “tomar tino”, através
de um discurso cujo objectivo assentou no ataque ao Governo – trazendo para o
debate e ao arrepio daquilo que verdaddeiramente estava em questão, mais uma
vez a questão dos incêndios, e na crítica ao BE, PCP, Verdes e até ao PAN, por
serem demasiado “macios” nas exigências em relação às medidas constantes no
documento.
Mas para uma análise mais
pormenorizada, comecemos então pelos argumentos desta “geringonça de direita”:
ao longo do debate, a palavra de ordem foi sempre a de que iriam votar contra o
Orçamento!... Até aqui tudo normal, tendo em conta que não é usual a oposição
votar o Orçamento de um Governo.
Só que disseram sempre ir
votar contra, apenas “porque sim”!... Tudo o resto e ao longo do debate, foi um
“mar de contradições” enumerando todo um conjunto de críticas, que se
contradizem a si próprias. Ora vejamos:.
Uma das criticas que PSD e CDS fizeram no plenário, foi a de que este Orçamento se destina a favorecer a função pública – seguindo o seu já velho lema de colocar portugueses contra portugueses!... Porém cá fora, quem é que afinal apoia a função pública em tudo que é luta contra o Governo, designadamente quando se exige a redução de horários de trabalho ou aumentos das remunerações, que sendo aspirações legítimas, parte delas são incomportáveis – como é o caso dos enfermeiros especialistas, cuja luta é liderada por uma senhora membro do Conselho Nacional do PSD?!...
Uma das criticas que PSD e CDS fizeram no plenário, foi a de que este Orçamento se destina a favorecer a função pública – seguindo o seu já velho lema de colocar portugueses contra portugueses!... Porém cá fora, quem é que afinal apoia a função pública em tudo que é luta contra o Governo, designadamente quando se exige a redução de horários de trabalho ou aumentos das remunerações, que sendo aspirações legítimas, parte delas são incomportáveis – como é o caso dos enfermeiros especialistas, cuja luta é liderada por uma senhora membro do Conselho Nacional do PSD?!...
Depois, afirmam ainda, que o
orçamento corta no investimento público, acusando o Governo de ficar à espera
que os privados invistam. Porém, vêm logo depois dizer, que a economia só pode
crescer, com base nas exportações e na iniciativa privada!... Afinal em que
ficamos?!... Que raio de argumentos são estes, que dão uma no “cravo e outra na
ferradura”?!...
Depois, dizem-se também a
favor do cumprimento das nossas obrigações relativamente à Europa,
designadamente em matérias de dívida pública e défice!... Porém, quando o
Governo apresenta como previsão o défice mais baixo (1%) desde o 25 de Abril de
1974, PSD e CDS insurgem-se, mas mais uma vez não apresentam alternativas. Nada
que seja porém de espantar, tendo até em conta a sua politica do “bota-abaixo”
permanente, mas ao menos que dissessem mais qualquer coisa, que um qualquer
débil mental seria capáz de dizer.
Já há muito que se sabe, que
esta é a pior direita que a democracia pariu desde 1974!... O que não se sabia,
é que, já que não são sérios com os outros, pelo menos que o deviam ser consigo
próprios. Porém, com Passos Coelho a prazo e fora de combate, e com Assunção
Cristas feita rã mas a pensar em ser “boi”, outra coisa não seria de esperar. A
esta gente falta-lhe tudo, designadamente seriedade, ética e capacidade de
raciocínio para pensar em termos lógicos.
Mas o mais grave e revelando a
forma elitista e distante do seu pensar, foi nunca o PSD ou o CDS durante o
debate e pese embora todas as suas criticas, nunca terem falado numa coisa
muito simples: A VIDA DAS PESSOAS, o que é o mesmo que dizer, da vida de milhões
de portugueses.
Nunca falaram dos portugueses
que recebem o salário mínimo, dos pensionistas a quem queriam “sacar” 600
milhões de euros, dos desempregados, dos passes sociais para estudantes e
pensionistas a quem eles próprios los retiraram, dos abonos de família ou do
complemento social para idosos.
Desses nunca falaram e duvido
que com esta “tropa fandanga” alguma vez venham a falar. Os benefícios que um
Orçamento possa contemplar toda esta gente, não interessa a esta direita, e
quando os beneficia, votam contra. Para esta direita, esses são os tais
interesses a que chamam de “corporativos" para alimentarem PS, BE, PCP e
Verdes – terminologia usada por um senhor deputado do CDS, como se o seu
Partido não tivesse telhados de vidro, mas também aqui com o claro objectivo de
minar a coesão dos portugueses.
É bom por isso que todos
saibamos disto, para vermos quais os interesses que esta gente objectivamente
defende. Mas o mais ridículo ainda, é esta “geringonça de direita” ter acusado
o Governo durante o debate, de ter apresentado um Orçamento de austeridade!...
Austeridade, com a conivência dos Partidos à sua esquerda, que como se sabe
esta direita verbera por não se insurgirem contra o dito Orçamento. Eles que
foram os campeões da austeridade, tomam agora as dores dos sofredores da
austeridade, vindo com a ladainha já gasta dos cortes na saúde, nos serviços
públicos, e por aí fora.
Dito isto, é evidente que
perante tão contraditórios, confrangedores e bizarros argumentos, António Costa
não teve qualque dificuldade em anular todos os desvairados discursos que foram
surgindo ao longo do debate. Nem Assunção Cristas resistiu ao anúncio da divida
pública, que no final de Outubro passou de 130 para 126% do PIB. Desta vez,
Cristas não se fez acompanhar de gráficos relacionados com o assunto,
preferindo ao invés, abanar a asa com fotografias dos fogos e da destruição que
assolou o país.
Este é pois um Orçamento que
traduzido no número de deputados representantes dos portugueses, agrada à
maioria do país, agrada a Bruxelas - como já o demonstraram os responsáveis
europeus, agrada aos mercados financeiros - como se vê pela queda nas taxas de
juro, agrada às agências de rating que tem vindo a melhorar a notação do país,
e agrada aos credores que têm vindo a receber o que emprestaram - até
antecipadamente como é o caso do FMI.
Só não agrada aos interesses
desta direita retrógrada e bolorenta que se vê mais um ano afastada da condução
do Estado e sem perspectivas de lá chegar tão cedo quanto é o seu desejo.
Aguentem…
Publicada por
Domingos Chaves
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