Para quem gosta de
política, os próximos tempos prometem ser interessantes para as bandas do PSD.
Tivesse sido Santana Lopes o vencedor das directas e deparar-nos-íamos com o
nível rasteirinho a que nos habituaram Passos e a sua tralha nestes últimos
anos, não enjeitando usar a mentira, a manipulação grosseira e a exploração
populista para porem em causa o rumo definido pela governação de António Costa.
Rui Rio é manifestamente
diferente de Santana Lopes!... Poder-se-à
até não gostar do seu projecto para o país, mas pelo menos toda a gente
sabe que o tem e que sabe o que quer. Por isso mesmo se torna mais “perigoso”
para o actual Governo, porque se Santana obrigaria a usar os nem sempre
eficazes antídotos que o veneno populista exige, Rio retoma a estratégia
cavaquista de reduzir o peso do Estado na economia, pondo as empresas a pagar
menos impostos, limitando os direitos de quem trabalha e cortando nas pensões e
reformas em função do crescimento, para diminuir o peso da Segurança Social nos
custos orçamentais. Apesar de tudo e muito provavelmente até 2019, ver-se-á um
Grupo Parlamentar a agir de modo diferente do que tem sido a sua conduta até
aqui, dando pelo menos a aparência de querer discutir as questões substantivas
do país em vez de explorar apenas os casos mediáticos de lana caprina que fazem
manchete em jornais ou noticias de abertura das televisões. Nesse sentido, será
provável que mesmo contando com as peixeiradas mal-educadas de Cristas, os
debates ganhem outro tipo de dignidade na Assembleia da República.
O interesse não se ficará
porém por aqui!... Não sendo Rui Rio um político vocacionado para consensos -
ao contrário de António Costa, que logo após a vitória contra Seguro, soube
trazer para o seu lado muitos dos que haviam estado a militar no campo
contrário - encontrará por certo uma oposição cerrada por quem o pretende
condenar a um caminho pedregoso e facilitador do regresso à ribalta de quantos
se escusaram agora vir a jogo. Ora Rio já avisou o que se prepara para fazer: o
tom ameaçador com que disse aos jornalistas para estarem atentos ao que iria
concretizar internamente logo após ganhar as eleições, pressupõe que quantos
alinharam com Santana Lopes não terão vida fácil nos próximos tempos. Daí que
de fora, seja curioso olharmos para a contínua contagem das espingardas que se
irão fazendo de um e do outro lado, manietando o PSD nas suas lutas fratricidas
em vez de o orientar para os problemas do país.
Face às circunstâncias,
prevê-se por isso ser calmo o futuro do Governo socialista não só a médio
prazo, como também após as eleições de 2019. E porquê?!... Porque mesmo que Rio
neutralize as acções projectadas pelos opositores na sombra, poderá encetar
novo ciclo político com um Grupo Parlamentar mais consonante com a sua visão do
que deve ser o PSD do que o actual. Porém, tudo ficará dependente do resultado
das legislativas de 2019, que não sendo favoráveis a Rui Rio, poderão
precipitar o declínio de um Partido que dentro do seu campo ideológico, ainda
não conseguiu ultrapassar a aparência de nem ser carne, nem peixe. Luis
Montenegro e o exército Passista sob o Comando do “invisível” mas fundamental
Relvas, não deixarão de estar atentos.






