17 maio 2018

- HAJA CORAGEM!... SPORTING SEMPRE...

O que ontem se passou na Academia do Sporting, em Alcochete é gravíssimo e pode querer dizer que a loucura em que se transformou o futebol em Portugal bateu no fundo - se é que tem fundo. E não foi apenas “chato” como descarada e cinicamente referiu o ainda arrogante e louco Presidente do Sporting Clube de Portugal!... Foi isso sim, o dia mais negro que atingiu uma Instituição digna e centenária, que já o era antes de Bruno Carvalho e da seita donde provém lá terem chegado.  O legado que esta gente - se é de gente que se trata - deixa no clube, é o de um Presidente que fomenta o ódio e de um número restrito de adeptos que espalham o terror, agredindo jogadores dentro das instalações do clube que é de todos, e não apenas do “senhor” Bruno de Carvalho e dos seus correlegionários. O que se espera agora do sucedido, é desde logo e em primeira instância, que o Sporting “limpe a casa” e resolva os seus problemas, a começar por se livrar do clima INSUSTENTÁVEL QUE O SEU PRESIDENTE INSTALOU no seio do clube, e dele próprio.
Bruno de Carvalho premeditou tudo!... Premeditou o discurso bélico que vem usando e do qual fez eco no jornal Expresso antes do jogo com o Maritimo; premeditou a sua ausência na Madeira, para daí poder tirar dividendos se as coisas não corressem bem; e premeditou até a manipulação dos sócios e adeptos, ao afirmar que o SCP perdera 24 milhões que já estavam CONTABILIZADOS - contando com o ovo no cú da galinha -, quando toda a gente sabe, que o Clube estava tão próximo do 2.º, como do 4.º lugar da classificação, e que caso chegasse a 2.º, para chegar à Liga dos Campeões ainda teria que disputar a 3.ª pré-eliminatória e o play-off de acesso. A isto chama-se manipulação das “massas”…
Depois aquilo que se espera também, é que este caso venha a servir como exemplo!... E para servir como exemplo, é preciso que o poder político enfrente de vez as alarvidades que reinam no futebol, sancionando severamente todos os comportamentos socialmente inaceitáveis, criando instrumentos que impeçam o acesso aos recintos desportivos de todos os adeptos que façam da violência o seu modo de vida; não “fechar os olhos e os ouvidos” às declarações de incitamento à violência dos dirigentes; não ignorar a promiscuidade existente entre a política e o futebol; e finalmente, actuar através da regulação sobre as televisões, no que respeita à pouca vergonha dos programas de supostos debates sobre o futebol, que são transmitidos a toda a hora e a todo o momento, pondo em causa, se necessário for, as licenças que lhes estão atribuídas.
Se o que ontem se passou em Alcochete servir para isto, em VEZ DO DIA MAIS NEGRO DA HISTÓRIA DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, este poderá ser um dos dias mais importantes da História do Futebol no país – por sinal hoje Campeão da Europa e em vésperas de disputar o mundial na Rússia. O desafio é grande!... Haja coragem…

10 abril 2018

A CORRUPÇÃO MORAL QUE REINA NO FUTEBOL PORTUGUÊS


Não sei se houve ou não dinheiro envolvido naquilo que o árbitro Luís Godinho fez no último jogo Setúbal – Benfica!... Suponho que não. Pelos mails, percebemos que esse não é o “modus operandi” do Benfica. Ou pelo menos, não é o principal. O esquema é tão simples que corre por si próprio sem que sejam necessários contactos entre as partes. O Conselho de Arbitragem é apoiado pelo Benfica e dele depende para se manter no cargo – do qual fazem parte José Fontelas Gomes, que pelos ditos mails sabemos que tinha um camarote privativo no Estádio da Luz nos tempos da APAF e João Ferreira, o tal que “pode ser” numa das escutas que a equipa do Apito Dourado decidiu ignorar Luís Filipe Vieira, que então negociava, com Valentim Loureiro, a escolha do árbitro para um jogo do Benfica. Sabendo que está nas mãos do Benfica, que por sua vez tem nas suas mãos um conjunto alargado de clubes, conseguidos através de diversas “prendas” que vão desde o empréstimo de jogadores, ao pagamento de verbas avultadas pelo direito de opção de um determinado jogador “a escolher” que nunca chega a ser exercida, o Conselho de Arbitragem faz as nomeações dos árbitros que mais interessam ao clube. Era assim no tempo de Vítor Pereira e nada mudou com Fontelas Gomes. Neste processo, têm um papel fulcral os classificadores de árbitros, e entre eles, o seu responsável máximo. Até há dois anos, era Ferreira Nunes – com pseudónimo de Franck Vargas, a quem o Benfica pagou pareceres jurídicos, bilhetes e noites em hotéis. Hoje em dia, deve ser um outro Ferreira Nunes qualquer. É que os árbitros sabem que se quiserem ter uma boa nota dos seus classificadores, têm de favorecer o Benfica. Melhores notas são o garante de nomeações para mais jogos, o que significa mais dinheiro. Não é por acaso, que Luís Godinho é o líder das nomeações nesta temporada.
Exactamente!... Um dos internacionais-proveta do tempo de Vítor Pereira, que na época passada foi contra um jogador do FC Porto, Danilo Pereira, e expulsou-o por causa disso, num episódio anedótico que correu mundo. Aliás, nesse jogo em que era preciso arrumar o FC Porto da Taça da Liga, conseguiu-o: expulsou Danilo e Brahimi e escamoteou um penalty descarado ao clube azul e branco.
A recompensa pelo bom trabalho que tem feito aí está!... Na presente época, foi nomeado para mais jogos do que todos os seus colegas de profissão. Entre eles, tocaram-lhe três jogos do Benfica, dois dos quais contra o Setúbal. Jornada de pré-clássico é pois jornada de Godinho – Fontelas Gomes sabe-a toda.  Nestas duas últimas semanas, foi o que se viu: em Braga arredou definitivamente o Sporting da corrida para o título ao escamotear-lhe um penalty flagrante por falta do guarda-redes Mateus sobre Bas Dost e logo a seguir manteve o Benfica em primeiro lugar com a pouca-vergonha que se viu no Bonfim em Setúbal. Luís Godinho chegou à cidade do Sado com a lição bem estudada!... Sabia que Jardel e Fejsa não poderiam ver cartões amarelos, caso contrário não jogariam contra o FC Porto, e o resultado viu-se: nem que arrancassem os olhos aos seus adversários, os iriam levar. E não levaram, mesmo que tivesse havido razões mais do que suficientes para isso. Isto, para além de Rúben Dias não ter sido expulso como devia ter sido. Até –  pasme-se, o sectário Duarte Gomes o disse. Depois o penalty inventado aos 90 minutos foi apenas a cereja no topo do bolo. Alguém acredita que ele marcaria aquela falta se fosse na grande área do Benfica, ou numa grande área qualquer de um adversário do FC Porto ou do Sporting?!... Alguém esquece que em Outubro, no Benfica – Feirense, que terminou com 1-0, o mesmo senhor não marcou um penalty contra o Benfica  ainda que mais flagrante que o de Setúbal?!... E que dizer do de Dost em Braga?!... Não os marcou, nem  nunca os marcaria, porque conhece as regras do jogo. Da mesma forma que as conhece Rui Costa, aquele a quem temos de dar cabo da nota, quando também aos 90 minutos não marcou um penalty escandaloso a favor do FC Porto na Vila das Aves.
Corrupção é isto!... Marcar-se a favor de uns o que não se marca a favor de outros. Luís Godinho sabia que devia dar cartões, mas não o fez porque prejudicava os interesses do Benfica no próximo jogo. Sabia que não era penalty, mas marcou para dar a vitória ao Benfica. Não recebeu certamente dinheiro por isso, mas vai dar ao mesmo. Deu cabo da verdade desportiva, mas a sua carreira vai de vento em popa. Aos 32 anos, é hoje o mais digno sucessor de Bruno Paixão. esse árbitro que tem espalhado magia pelos relvados portugueses desde os tempos de Campo Maior. Quanto a Luís Godinho, é o futuro da arbitragem portuguesa. É por isso que árbitros portugueses em Mundiais e Europeus, nem vê-los. Mas isso é o que menos lhes importa. Dito isto e perante tantas evidências, acredito por isso  que a corrupção existe e dá títulos. No final, muitas vezes, não ganha o que jogou melhor, ganha o que corrompeu mais. Os benfiquistas sabem disso e a prova de que sabem é que mal são acusados de corrupção, vêm logo com a conversa do Apito Dourado. Reparem: os mesmos que acham mal o FC Porto ter pago putas a árbitros, são os mesmos que não vêm mal nenhum no facto de o Benfica ter pago vouchers, bilhetes, pareceres jurídicos e noites em hotéis ao chefe classificador dos árbitros.
Sei o que o Sporting andou a fazer nos anos 50 e porventura 60, sei o que o Porto andou a fazer nos anos 90, e sei também o que andou a fazer durante o Apito Dourado. Coisas que não só não me agradam, como me incomodam – e sinto ainda hoje vergonha, pela forma como alguns jogos foram ganhos durante esses anos. Mas também sei o que o Benfica tem andado a fazer. E ao contrário de mim, não vejo nenhum benfiquista incomodado com a forma como ganhou em Setúbal e como ganhou este campeonato - sim, porque é impossível não ganhar, nem o sistema permitiria um desfecho diferente. Nem vejo nenhum benfiquista incomodado pela forma como ganhou o campeonato da época 2014/2015. Para esses, existe o Apito Dourado e existem os anos 50, 60 e 90. O resto é um mar de rosas e de gente impoluta. Os portistas são corruptos, os sportinguistas idem, e os benfiquistas são sérios. Pobre futebol que tão mal tratado és.
Como nota final, repare-se e comparem-se os conteúdos das fotos

14 março 2018

OUSAR LUTAR PARA VENCER...


Maquiavel considerava que um príncipe nunca deveria fazer uma aliança com alguém mais poderoso do que ele. E porquê?!... Porque assim, em caso de vitória, acabaria inevitavelmente como prisioneiro do seu aliado.
 Rui Rio e Assunção Cristas devem tê-lo lido!... É que nos últimos tempos, ambos andaram entretidos a tentar demonstrar quem serão os melhores "chefes" da gastronomia política nacional. No caso concreto, sabem também ambos, que para serem califas no lugar do califa António Costa, terão de conspirar contra este, como fez Iznogoud, mas também um contra o outro, para aquilatarem quem é o Mister ou Miss Músculo do centro/direita nacional. Assunção Cristas tem ideias, mas parte de um número de votos pequeno para conquistar o Evereste, e Rui Rio tendo o apesar de tudo sólido volume eleitoral do PSD, faltam-lhe ideias. Para já Cristas e Rio vão clamando, para quem os quer ouvir, que são os melhores candidatos a Primeiro-Ministro. No Congresso em Lamego, onde foi entronizada e afastou a sombra de Paulo Portas, Cristas disse mesmo que "não há impossíveis." Claro que existem, mas na política é bom não acreditar que o Pai Natal é uma figura de ficção.
 Só que os tristes não ganham eleições. Por isso, o Congresso do CDS foi por momentos, uma espécie de Ibiza das "balearic beats". Assunção Cristas convenceu os congressistas que é possível conquistar o mundo, agrupar a direita e o centro à volta do CDS e, claro, ultrapassar o PSD. Por isso não quer listas conjuntas: há que medir a musculatura e apostar na maleabilidade do CDS perante um PSD que parece neste momento um elefante numa sala de porcelana. Nikesh Arora dizia que: "A competência no futuro não será entre a grandes e pequenos, mas entre rápidos e lentos." Ou seja, um pequeno rápido (o CDS) pode ganhar a um grande lento (o PSD). Derrotar o PS virá depois.
Abriu a época de caça para saber quem, entre o centro e a direita, pode ser o líder da alternativa a António Costa. No Parlamento e no espaço público, o CDS já ganhou a contenda. Resta saber o que dirão os votos.

08 março 2018

O “PROFESSOR” PASSOS


No início de Janeiro, Passos Coelho informou o país que tencionava colocar a acção política em “banho-maria” e iria tratar da vida. Se exceptuarmos um ex-político que foi estudar para Paris após saída de cena, e considerando os usos e costumes do “reino”, também Passos Coelho, com base no seu “extenso e sólido currículo profissional” era suposto ir ocupar lugares de administração em alguma empresa onde desempenharia a emergente e relevantíssima função profissional de facilitador, tal como aconteceu com tantos outros. Mas não!... Estranhamente tal não se verificou. Supostamente por uma questão de tempo - talvez aquilo a que na gíria se chama de um pequeno período de nojo - que palavra mais desadequada nestes tempos. Surpresa das surpresas porém, é que essa de desempenhar funções numa empresa está fora de causa, mas poroutro lado – pudera - tem já lugar garantido em três universidades públicas e privadas como docente. É que como os amigos são para as ocasiões, não faltou sequer Manuel Meirinho – convidado de Passos e eleito como independente nas listas do PSD nas legislativas de 2011 que o levou ao Governo – a quem sabe, resolveu dar uma mãozinha. Meirinho que abandonou a AR em Maio de 2012, para assumir a presidência do ISCSP, onde aguardou Passos Coelho para o juntar ao catedrático Sousa Lara - o censor de Saramago - e ao também professor-auxiliar António José Seguro, formando na dita Universidade o defunto arco do poder, semi-círculo antidemocrático que o actual Governo converteu em círculo. Quer dizer: o Governo de Passos Coelho extinguiu as carreiras profissionais, mas pelos vistos não apagou completamente as “Novas Oportunidades”, e assim, em vez de iniciar um Mestrado decente que fizesse esquecer a vulgar licenciatura, começa por dar aulas em cursos de doutoramento, mesmo sem as necessárias qualificações. Mais: o Conselho Científico do ISCSP de que Meirinho fáz parte, não se ficou por aqui: reuniu e deu provimento, para Passos fazer parte da presidência da Universidade. Motivo invocado: O ISCSP valoriza a experiência de Passos como Primeiro-Ministro. Manuel Meirinho pagou assim e deste modo uma dívida, sem gastar um tostão. Mas a parte mais esquisita da coisa, nem sequer está na (falta de) competência académica!... Em última análise, quem serviu para governar o pais ainda que mal, também servirá para dar umas aulas ainda que sem cadeiras atribuídas e que alguém se encarregará de validar. A parte esquisita da coisa, está no “papismo mais papista que o papa” da qualificação que lhe foi entregue, isto é: professor catedrático, no escalão mais alto de vencimento, sem as exigências e as dificuldades que as Universidades colocam a quem nelas faz profissão e carreira. Um verdadeiro despudor e um insulto à generalidade dos docentes universitários. A polémica está por isso instalada!... Por um lado os professores universitários que acham que anda aqui proteccionismo a mais. Pelo outro, certos políticos que defendem esta “brilhante ideia” de ex-governantes irem para as universidades assim de repente. Antes isso do que irem para as grandes empresas para a prática do lobismo - dizem. Ou seja: a solução estará entre uma coisa e outra. Fazer pela vida é que está fora de questão. Conclusão: um cidadão sem grande qualificação académica, licenciado após arrastada frequência, pode, desde que passe por funções executivas, ingressar pela porta grande de uma universidade mesmo sem saber muito bem ler e escrever. Pergunta-se então: De que falamos quando tanto se propagandeia a qualificação do ensino no país Portugal?!... Alguém  fica muito mal neste retrato e o “professor-auxiliar” Tozé Seguro, também não foge à regra. E assim se cumpre o Portugal dos Pequeninos.

DIA INTERNACIONAL MULHER – 8 DE MARÇO | PARA QUE SERVE AFINAL ESTE DIA?!...

Não sou adepto de que haja “dias de tudo”, que muitas vezes têm outros objectivos que não o de chamar a atenção para causas maiores. Sou adepto sim, de que as mulheres sejam tratadas com dignidade e sem a violência a que todos os dias assistimos e fazem noticia.
Gostava até, que o Dia Internacional da Mulher fosse um desses dias com “D” maiúsculo, o dia em que as mulheres do mundo inteiro pudessem comemorar os passos que foram dados ao longo de séculos, para que hoje tivessem os mesmos direitos que os homens. Infelizmente porém, ainda há um longo caminho a percorrer, não apenas em países do chamado terceiro mundo, como também nos países ditos desenvolvidos, como o nosso.
Em Portugal depois do 25 de Abril de 1974, foi-lhes estabelecido o direito universal de voto; lutaram durante décadas para poderem ingressar nas universidades; careciam da autorização do marido para transpôr a fronteira; não tinham acesso à carreira diplomática; à magistratura; à administração de bens próprios; e só em meados do século XX lhes foi autorizado acederem ao lugar de deputadas, embora com restrições e escolhidas a dedo pela então denominada União Nacional.
Apesar dos avanços verificados, existem ainda hoje um conjunto de factos que continuam a discriminar a mulher, alguns que de tão ridículos, se não fossem coisa tão séria nos fariam rir. Quem sabe por exemplo, que os homens após divórcio podem recasar mais depressa do que as mulheres se assim o desejarem?!... Trata-se de uma lei de 1967 que foi mantida na pós-revolução e que perdura até hoje. Após um divórcio, os homens podem voltar a casar 180 dias depois, as mulheres por sua vez, só ao fim de 300 dias, prazo “justificado” segundo os nossos legalistas, para evitar conflitos de resolução de paternidade, ou seja, para não haver dúvidas de quem é o pai da criança, em caso de gravidez.
Uma verdadeira aberração nos dias de hoje!... Que sentido faz ainda uma lei deste tipo, quando existem testes de paternidade simples, rápidos e eficazes?!... Outro exemplo: em 1954, a ceifeira alentejana Catarina Eufémia, na sequência de uma greve de assalariadas rurais, foi assassinada por pedir mais dois escudos por jorna. Sessenta e três anos depois, as mulheres portuguesas continuam a ganhar menos que os homens e a ter menos possibilidades de acesso a posições de chefia na administração pública, nas empresas privadas, como titulares de cargos públicos e claro está a nível salarial em geral.
Infelizmente, ainda hoje existe quem as procure subestimar e até humilhar só porque são mulheres, isto, apesar de muitas serem mais qualificadas que os homens - 59% das pessoas com diploma de ensino superior e 55% das pessoas doutoradas em Portugal são mulheres. Quer tudo isto dizer, que há ainda um longo caminho a percorrer para a sua verdadeira emancipação e que um século depois do direito à igualdade de remuneração ter sido reconhecido internacionalmente, ainda hoje não é cumprido.
Em Portugal, a diferença salarial entre homens e mulheres segundo as estatísticas oficiais, cifra-se nos 14,9% e no conjunto da União Europeia, a média é ainda maior – 16,7%. Mau de mais numa Europa que se diz civilizada e defensora e subscritora dos Direitos Humanos.
Estas são pois as razões que aqui me levam a evocar o dia 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher e com uma saudação muito especial para todas as mulheres do Mundo. Como homem, não me preocupa o seu avanço na sociedade, antes pelo contrário. O Dia Internacional da Mulher deve servir por isso, para chamar a atenção para a persistente discriminação de género em inúmeras sociedades. Não o desvirtuemos de modo a endeusar as mulheres um dia em cada ano e a pisá-las, activa ou passivamente nos restantes 364.
Numa perspectiva de futuro, devemos pensar-nos como espécie e como um todo que habita um planeta singular que nos foi legado. Não há países livres sem igualdade entre os sexos...

- UM PARTIDO, “PARTIDO AO MEIO”!... FOI O CONGRESSO QUE O DISSE…


O 37.º Congresso Nacional do Partido Social Democrata já era!... Foram três dias de discursos, de aplausos, de apupos e até de alguma tensão intercalada com momentos de alegada união que culminou na transição da liderança.
Pedro Passos Coelho saiu de cena e entrou Rui Rio. Na lista para o Conselho Nacional, Rio ficou sem maioria e só conseguiu 34 dos 70 eleitos, e no Conselho de Jurisdição conseguiu apenas 4 dos 9 lugares que o compõem. Pior só aconteceu mesmo com Luis Filipe Menezes em toda a História do PSD. Apesar de tudo, Rio deu um sinal de mudança de ciclo, o que quer dizer, que não muda apenas o líder, mas muda também o estilo, muda o posicionamento do Partido e muda o discurso e a forma de fazer Oposição. Durante o Congresso, foi porém patente a forma como as Distritais que apoiaram Rio se mostraram “magoadas” por terem ficado excluídas das suas escolhas – como em todo o lado, não há “almoços grátis”. Depois, ficaram os avisos de quem ainda não foi a eleições, mas parece querer ir agora, e pelo meio, muitos não acreditam nas palavras de Rio rejeitar a possibilidade de um bloco Central.
Um Rio, que perante todos os problemas que foram e são visíveis, se augura ter que vir a navegar em águas muito turvas. É que à Direcção chegaram também caras novas, que muitos nem sequer sabiam que eram militantes. É o caso de Elina Fraga, que juntamente com Luis Montenegro marcaram como toda a gente viu o Congresso. No caso da primeira, uma “imprudência” que os Passistas não perdoam a Rio pelas razões que são conhecidas, e no caso do segundo, um “risco” face à vóz dos órfãos de Passos, que disseram claramente ver em Rio, um líder de transição, olhando para ele como um pai em potência.
Se não lhes juntarmos a ausência para já de ideias, num contexto em que a esquerda continua a surpreender, estes serão os dois maiores problemas para o novo Presidente. Com Montenegro, Amorim, Soares e Marco António a encabeçarem o exército daqueles que não hesitaram em dizer ao que vinham, o regresso à matriz ideológica do PSD não se afigura por isso fácil.
As “teorias saídas das madrassas do neoliberalismo” ganharam força nos últimos anos, e quando assim é, tudo se espera de um Partido que nem em Congresso conseguiu evitar o “contar de espingardas” quando a procissão ainda vai no adro.