Após três anos de Governo do
Partido Socialista, com o apoio parlamentar do PCP, Bloco e Verdes, a direita
chegou a uma conclusão que não pára de a atormentar – a ausência de antídotos.
Quando governou, estava tão convencida da inevitabilidade da austeridade, que
actualmente e face às politicas seguidas pelo executivo e seus pares, ainda não
se encontrou consigo própria, muito menos
com um programa que a possa guindar de novo ao Poder.
No PSD, Rui Rio tem consciência do
estado de alma do seu Partido, hoje acomodado, tanto a nível de direcção, como
localmente – aliás, localmente e em determinados lugares nem sequer sabe se
ainda existe. Resta-lhe estar burocratizado e disponível para lutas internas, e
por postos que assegurem a vidinha aos seus membros, designadamente àqueles que
se mobilizam em torno do líder, alimentando a esperança de não serem esquecidos
na hora de fazer as contas. Depois, vem a desconfiança!... A aproximação de Rio
ao PS - que por acaso até conta com alguma gente dentro dos socialistas,
constitui para os anteriores círculos dirigentes do PSD uma “traição á pátria”
e ao projecto “passista” que defenderam no passado recente, pois a tal se
verificar, sabem que não têm, num eventual bloco central, lugar reservado. E é
isso que os une - o galope contra essa possibilidade e a aposta na continuidade
da senda neoliberal.
Ora foi exactamente por tudo isto,
que Santana abandonou a “família”, para se arvorar em ser o único e legítimo
filho do que alegadamente - segundo o seu discurso populista - era o PPD de Sá
Carneiro. Esqueceu porém Santana, que os cismas foram já vários sobre o
verdadeiro pensamento do seu fundador, e que nenhum vingou, porque todos eles
eram falsos como Judas.
Mas como sempre “gostou de andar
por aí”, congeminou que pode ter um resultado eleitoral para lhe dar capacidade
de contar na cena política, o que obviamente não sucederia com Rio, que tal
como um dia aconteceu como já referido Sá Carneiro, sempre quis ver-se livre do
“menino”. É que a Santana não lhe basta – nunca lhe bastou - um cargo
proeminente em qualquer instituição pública. Não!... Santana quer sempre mais,
muito mais, e esse mais, o PSD de Rio não lho dava agora nem no futuro próximo.
Santana, Pedro Duarte, Carreiras, Hugo Soares, Montenegro e outros, largaram
por isso fogo no PSD, e agora, são já tantos os incendiários que o “chefe”
enfrenta, que só “com a ajuda de meios aéreos” vai conseguir – se conseguir -
resolver tais demandas. Enquanto isso e noutra onda, vai tentando de per si e a
custo, apagar outros focos, fazendo desta malfadada época dos incêndios, a sua
oposição ao Governo.
Mas o PSD não está só nesta onda!...
O CDS por sua vez, está também tolhido. Coitada da Cristas!... A visibilidade
que Portas lhe deu no Governo de Passos, vira-se agora contra o próprio
Partido, ainda que a senhora nos dias que correm, proclame tudo e o seu
contrário do que aprovou no Governo de que fez parte. Foram os cortes nos
salários, nos subsidios e pensões de reforma, foram os aumentos nas taxas
moderadoras, o corte nos dias de férias, o aumento da carga de horas de
trabalho na função pública, a extinção dos Guardas Florestais, os cortes nas
quotas do pescado, a malfadada lei do arrendamento que levou pessoas singulares
e colectivas à insolvência, a reforma dos tribunais afastando os cidadãos da
justiça, as privatizações sem rei nem roque vendendo tudo ao desbarato, e até o
pavor que era viver sob o chicote dos “mandarins” impiedosos, tendo em conta
que todos os dias os bilionários tinham boas notícias e o resto da população
tudo e o seu contrário. Foi o período em que uma ínfima minoria ficou mais rica
e a imensa maioria com menos rendimentos, e foi o período em que se espalhou
deliberadamente a pobreza, que poderia ter até reflexos ainda mais graves, se o
seu compromisso com Bruxelas relativo ao corte de 600 milhões de euros aos
reformados não tivesse sido travado pelo actual Governo. Tudo isto não pode ser
esquecido, e hoje, enquanto o PSD lambe as feridas, o CDS sem vergonha e
arrogantemente chega-se à frente sem qualquer nexo nas críticas ao Governo. Depois,
enquanto Rio ensaia o Bloco Central, o CDS preterido demarca-se, marcando o seu
próprio terreno, cavalgando a crise do parceiro de tantas ocasiões para ganhar
estaleca e procurar “namoriscar” outros que andam por aí. Porém, não parece que
venha a ter sorte, ainda que possa surpreender o facto de um Partido como o PSD
se encerre dentro de si próprio por falta de um programa que una quadros e
dirigentes. Rio bem tenta unir as suas “tropas” e fazer da aproximação ao PS um
guião rumo ao Bloco central, mas o terreno está minado.
Em conclusão: é algo inesperada a
incapacidade destes Partidos terem um programa e um guião para apresentarem.
Vivem dos incêndios, dos roubos de armas, da degradação da ferrovia que o
colega de Cristas, Manuel Queiró desbaratou, do que a imprensa publica para
chamarem Ministros ao Parlamento ou solicitarem a formação de Comissões de
Inquérito e pouco mais. Pobre Oposição, que nem sequer ousa ter vida própria.
Como dizia o seu protector Cavaco - chocam com a realidade…








