Bulgária, Chipre, Hungria, Polónia, Roménia, Eslováquia, República Checa, ano de 1988; Suécia, 2014; Espanha, Irlanda e Eslovénia, 2024!... Agora pergunta-se: o que é que esta lista, que integra um leque muito mais vasto de Estados - mais de 140 dos 193 membros da ONU - tem a ver com Portugal, em 2025?!... Nada.
E sendo assim, mais uma pergunta se coloca: será que a Resolução 181 da ONU, de 29 de Novembro de 1947 diz alguma coisa a Portugal, em 2025?!... Nada - absolutamente nada.
Explicando melhor:
- em primeiro lugar, a lista de países que reconhecem, formalmente, a Palestina como um Estado;
- em segundo, a resolução da ONU que determina a partilha do território, após o fim do
denominado “Mandato Britânico“ na Palestina, em dois Estados independentes: um
Estado judeu e um Estado árabe, com administração da ONU para Jerusalém.
E porque é que nada disto tem
a ver com Portugal em 2025?!... Ora vejamos:
A Assembleia da
República, no passado dia 11 de Julho, chumbou 5 propostas
apresentadas, que recomendavam o reconhecimento da Palestina como um Estado e o
apelo ao fim da guerra em Gaza. E isto tem um significado: é que para além de demonstrar uma fragilidade
política - provavelmente, propositada - de um país que está sempre à espera dos
outros e das conjunturas para se afirmar e para se assumir, a Assembleia da
República tornou-se declaradamente conivente e cúmplice com todo este flagelo
humanitário e atentado contra o Direito Internacional, levado a cabo pelo Governo sionista de Israel, liderado por genocida Netanyahu e pelo radicalismo e ortodoxia judaicos.
Perante a realidade
iniciada em 2023, com a barbárie inqualificável concretizada pelo Hamas no dia
7 de Outubro e prolongada com a agonia dos reféns, e a despropositada e
desmedida resposta de Israel, perpetuada na devastação, no genocídio, na total
ausência de humanismo e de dignidade humana, e pelo desrespeito pelo direito
internacional, com total impunidade e conivência dos Estados Unidos e de muitos
dos aliados europeus, Portugal deitou assim fora a oportunidade de dignificar o
Direito Internacional, a Carta das Nações Unidas e os Direitos Humanos, de se
afirmar no quadro geopolítico e de se enobrecer enquanto Estado soberano e
livre. Mas nada disto se estranha face ao que é, e o que representa a actual
conjuntura política e ideológica nacional.
Esta oportunidade, nada tinha contra o povo judeu, nem contra a memória de todo o sofrimento do Holocausto e muito menos a favor dos terroristas do Hamas.
Esta era tão somente a oportunidade, para o país se afirmar enquanto tal, pelo direito à sua liberdade, à sua existência, à sua soberania e ao direito a determinar o destino colectivo de um povo. Mas não!... Infelizmente continuamos na cauda dos países civilizados e sempre a reboque das vontades do "dono"...
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