25 janeiro, 2026

A SEMANA EM REVISTA – DA POLITICA À PORTUGUESA, À PIROMANIA... - LUIS, ISTO NÃO VAI LÁ COM VELINHAS!... OS POLITICOS ASSUMEM-SE E OS DEMOCRATAS TAMBÉM...

Para quem ainda não deu por isso, a grande verdade com que hoje nos deparamos, é que vivemos um tempo de asfixia ontológica!... Ao olharmos à nossa volta para o panorama político em Portugal e para o xadrez incendiário da conjuntura internacional, a tentação do “niilismo” é quase magnética.

Tal é o desânimo, que já não falta por aí quem confesse não se vislumbrarem frestas de luz. Olham para o Governo e veem um "Luís" que entoa hinos de auto-congratulação, enquanto o casco do país range e se inunda; olham para o mundo e testemunham o regresso dos pirómanos — Trump e Netanyahu — alimentando as chamas de um Médio Oriente que ameaça engolir a estabilidade global.

Daí à conclusão apressada - ressalta um veredicto da “morte”: Não há saída!... Claro que há saída – em democracia há sempre saída...

Ensina-nos a filosofia, que a leitura imediata da realidade, é muitas vezes uma ilusão de óptica provocada pelo fumo.

Assim sendo, e para melhor compreendermos a crise que nos apoquenta, urge como exemplo de vida, revisitar os fantasmas do nazismo.

Walter Benjamin, o filósofo da aura e da história, suicidou-se por acreditar que o nazismo era a vitória final do tempo. Morreu, sem saber que o "Reich Eterno" cairia quatro anos depois. Stefan Zweig, o humanista europeu, pôs fim à vida por não suportar o exílio e a suposta morte da cultura. Virginia Woolf afogou-se no Rio Ouse, incapaz de "carregar o peso do mundo" em falência.

Três mentes brilhantes que cometeram o mesmo erro metafísico: JULGARAM O FUTURO, PELA RIGIDEZ DO PRESENTE. O erro destes mártires do desespero, foi esquecer que o futuro, é por definição, o território do imprevisto. A derrota deles, não foi por isso militar!... Foi a capitulação da imaginação perante o terror. Porém, tal capitulação trouxe-nos um ensinamento: o desespero, não pode funcionar como uma cegueira cronológica.

Posto esta introdução, vamos então a factos também eles preocupantes: em Portugal, assistimos hoje a um fenómeno de erosão institucional, onde o "Luís" não apenas falha por omissão, mas permite que a agenda política seja sequestrada pelo "JAVARDO" costumeiro, com as suas fabulações odiosas. Não há como duvidar: estamos perante um Governo, que num misto de inépcia e de calculismo, PARECE ter abdicado de uma BÚSSOLA moral PRÓPRIA, para navegar na esteira de quem faz do espectáculo do pânico a sua única doutrina.

É a "porca miséria" da nossa política doméstica, a revelar-se no modo como este Executivo se deixa contaminar pelas LOUCURAS do BILTRE, validando pelo silêncio ou pela mimese, narrativas que deviam ser prontamente asfixiadas pela razoabilidade e pela força da razão, mas não são.

O "JAVARDO", especializou-se em transformar a trivialidade em fenómeno de desgraça!... Inventa ataques em superfícies comerciais para perseguir comunidades específicas; fantasia sobre burcas em mulheres portuguesas para sugerir a proibição da diferença; chega ao ridículo de denunciar proibições de consumo de carne nos Países Baixos, para não ofenderem a comunidade muçulmana que só existem na sua imaginação febril; apoia quem tortura e estimula quem mata, para dizer que é a toque de caixa que as coisas andam para a frente; inventa festas de hamburgueres na Alemanha para poder criticar o ex.Presidente Marcelo, e agora para cúmulo dos cúmulos, depois de CONVOCAR um debate no Parlamento sobre as Forças de Segurança, por não ter gostado daquilo que o Ministro da Administração Interna disse, resolve CHAMAR PARA LÁ OS POLICIAS.

Mas não se ficou por aqui: resolveu igualmente disponibilizar-se a APROVAR o PACOTE LABORAL (que alguns deputados do próprio PSD já rejeitaram em sede Concertação Social), em troca do populista aumento de férias e de uma redução da idade da reforma (impossível), tudo, porque o Tribunal Constitucional por UNANIMIDADE, declarou que retirar a nacionalidade portuguesa a um imigrante em razão de crimes cometidos é inconstitucional - e veja-se só, procurar convencer os incautos, ao afirmar ir SUJEITAR tal matéria a REFERENDO – como se tal fosse constitucionalmente permitido. É assim que funciona o ALDRABÃO...

Ou seja: em apenas uma semana, com três RAJADAS nos PÉS, o “mafioso”, acelerou o seu próprio processo de exterminação – só não vê, quem é igual a ele – mas o “LUIS” gosta e até tolera, dando gáz a um canalha, que já perdeu definitivamente qualquer réstia de credibilidade, e se resigna a apostar sobreviver, entre os PINGOS da IGNORÂNCIA e da CAMARILHA FASCISTA.

Tudo lhe serve para borrifar o espaço público com o ódio que ele próprio inventa. Um "anunciador de trivialidades", que até hoje não contribuíu com nada para o país e para a sociedade – nem sequer para a demografia - e um idiota que tem pesadelos com toda a gente, que diz rezar o terço, mas tem saudades de Salazar – que nunca conheceu.

Um “biltre” que dizendo coisas da boca para fora sem pedir licença à razoabilidade, das duas três: ou avança com a mentira sem rede, porque não tem paciência para se documentar, ou então sabe que é mesmo assim que os seus seguidores o querem - mentiroso, odiento, malcriado, ressabiado e invejoso, que esbraceja no vácuo, mas que sabe que encontra no Governo, alguém que o teme e por isso o protege.

A CAPITULAÇÃO DO LUIS

Por isso, o mais grave, nem sequer é a existência do BUFÃO e dos seus delirios – é a permeabilidade que lhe é permitida pelo Primeiro-Ministro. Pelo "Luís", que se deixa ir na onda, permitindo que a legislação produzida — como as tentativas de expulsão de imigrantes ou a perda de nacionalidade, travadas pelo Tribunal Constitucional, entre outras — tenha o cunho e o selo desta extrema-direita fascista.

O “Luis”, que permite mesmo, que a "fina-flor" do seu Governo seja atacada, e se instale a apologia do ódio, numa fila romana de "direitinhas" que clamam por 3 salazares. Não pode ser...

OU SEJA: enquanto o Governo se entretém a não "ficar atrás" do radicalismo, o país real afunda-se. A negociação laboral, sem ainda se saber quem a pediu, foi um nado-morto de nove meses; o SNS gasta mais para fazer menos; a AIMA paralisou sob a tutela de um "Lentão Amaro" que diz sim a tudo, mas nada resolve.

No terreno, as Polícias vivem escândalos que envergonham a Instituição e a gente de bem que as serve, e depois, temos ainda a “cereja no topo do bolo”, como é o CASO da Base Lages, colocada ao serviço do “PIRÓMANO”. Um caso que o JAVARDO SAUDOU e que teve cúmplice o “LUIS”, que ignorou – ou desconhece -, que a NATO é uma Aliança defensiva. Uma Aliança, com regras bem definidas e plasmadas no TRATADO FUNDADOR.

Devia por isso saber o “LUIS”, que o objectivo primordial da NATO é garantir a defesa MÚTUA dos seus MENBROS. Não é ATACAR ninguém, a pretexto seja do que fôr, e ainda por cima por decisão de alguém que agiu por conta prória como fez o “pirómano” americano, em concluio com o seu aliado israelita.

E esta não é opinião minha: é o que está escrito no Tratado do Atlântico Norte, que deu origem à NATO e funciona como sua base legal. E foi exactamente com esses termos que os signatários concordaram e debaixo dos quais colocaram a sua assinatura quando da sua fundação.

O que aconteceu no Médio Oriente, por muito que abominemos o regime iraniano - e eu abomino-o, foi um ataque dos EUA e de Israel contra o Irão e não o contrário. Os Estados Unidos não foram atacados, o que significa que não existe enquadramento legal para envolver a NATO em mais um conflito provocado no Golfo Pérsico, para encher os bolsos aos suspeitos do costume e a Vladimir Putin e XI, que são literalmente, o grandes vencedores desta guerra.

Só não viu isto, o “LUIS”, o seu secretário Rangel, e o CHEFE desse tal PARTIDO que já não EXISTE. E não viram, ou não quizerem ver, preferindo estender a passadeira aos invasores, e tornarem-se cúmplices de mais uma AGRESSÃO de consequências imprevisiveis.

Podiam até olhar para o lado e pensar!... Mas não, afinal quem "esteve errado", foi o Emmanuel Macron, o Pedro Sánchez ou até a Giorgia Meloni. É que nem sequer estamos perante uma questão ideológica. Estamos perante a lógica do BOM SENSO e da racionalidade, que nem o “LUIS”, nem o seu Governo tiveram. Esqueceram que para aprendizagem, já nos chegaram os desastres no Iraque e no Afeganistão - não aprenderam nada. Por isso, não convidem os portugueses para este “manjar”!... Convidem o Durão Barroso, o José María Aznar, o Tony Blair, e o JAVARDO , para quem esta questão não é ASSUNTO - Pudera...

Esta simbiose, é a prova de que a INCOMPETÊNCIA e o FASCISMO lactente andam de mãos dadas. Quando o Governo "assobia para o lado" perante todos os factos aqui espremidos e o custo de vida — ignorando que em Espanha se vive com combustíveis muito mais baratos e gás a metade do preço — está não apenas a “americanizar” o país, como está igualmente, a EMPURRAR o povo para os BRAÇOS de quem promete soluções de força.

O "Luís", ainda não percebeu que ao tentar cavalgar o tigre do ódio, acabará por servir-lhe a sua PRÓXIMA refeição, deixando para trás um país em escombros éticos e sociais.

Hoje, de dacto e de Direito, vão maus os tempos!... Parece que a vocação suicida vai tomando conta de nós. Os novos anseiam por um lugar e os velhos temem que os abandonem. A cultura é um luxo que a vida actual dispensa, a leitura um capricho que alguns teimosos ainda ousam, e a arte uma actividade supérflua à espera de outros dias.

As guerras que outrora eram castigos de um Deus vingativo e funcionavam como sinal de que bruxas, judeus e hereges ofendiam o nosso Deus, servem agora para nos distrair da governação, e o medo para nos remetermos ao silêncio - medo que viviamos no início de 1974, imposto pelo partido único.

Ao que vamos assistindo, não é mais nem menos, que ao refocilar na gamela do orçamento por parte dos filhos daqueles que nos reprimiam, denunciavam e prendiam. Dos que iam em bandos agradecer a Salazar a defesa das colónias e a morte de jovens soldados, e dos que conviviam com a ditadura e ovacionavam os seus próceres. Haja paciência!... Quem desrespeita todos os dias a Lei, não pode ser levado a sério...

O COLAPSO DE ORMUZ E A BARBÁRIE GLOBAL

Entretanto, enquanto o BILTRE DOMÉSTICO se baba da sua presença na tomada de posse do seu ídolo do outro lado do Atlântico – embora em frente ao ecrã nas imediações do Capitólio, o mundo aperta cada vez mais o cinto, e a geopolítica hoje refém de pirómanos, joga-se no Estreito de Ormuz.

Se nada se alterar nos próximos dias, estamos na contagem decrescente para o maior choque petrolífero que fará da Grande Depressão de 1929 um mero soluço estatístico. Que ninguém se iluda: a crise que nos verga, não é apenas uma curva num gráfico económico: é o colapso moral de um chamado império que EXPORTA DRONES e IMPORTA CAIXÕES.

Donald Trump – o PERIGO, PINTADO a OURO pelo biltre doméstico, ergue-se hoje como o homem mais perigoso do planeta. É o mestre da desestabilização, o jogador que rasga acordos enquanto finge negociar, e que utiliza o Direito Internacional como um farrapo para limpar as mãos sujas do "OURO NEGRO" roubado.

Só que por trás do marketing agressivo da "prosperidade", o que resta do sonho americano é um pesadelo de sobrevivência precária:

• Como pode a nação mais rica da história permitir que 37 milhões de pessoas dependam de bancos alimentares, enquanto Trump aloca quase um bilião de dólares ao Pentágono, e os idosos americanos racionam medicamentos para não morrerem de fome?!...

• Como pode a dignidade humana ser transformada num activo financeiro, com trabalhadores a enfrentarem doenças em silêncio, aterrorizados pelo despejo, enquanto a banca lucra com a sua desgraça.

• Como pode a nação mais rica da História – dizem, afirmar que o poder bélico é sagrado e que a licença de maternidade ou a educação gratuita são luxos dispensáveis.

• Como pode um país transformar o sistema prisional num negócio lucrativo – entregando as prisões e os centros de detenção de imigrantes a privados.

• Que país é este, onde os santuários do saber – as escolas, se tornaram campos de treino para tiroteios.

• Que país é este, que asfixiou a Venezuela e pretende asfixiar Cuba em nome da democracia e da segurança, mas é incapaz de garantir a segurança de uma criança numa sala de aula.

O ARQUITECTO DO EXTERMINIO

Depois, a acompanhar esta deriva, temos o “colega” Benjamin Netanyahu. Se Trump é o combustível, Netanyahu é o fósforo. Igualmente sob o pretexto cínico da segurança, é o arquitecto de um genocídio que horroriza qualquer consciência humana que ainda não tenha sido lobotomizada pela propaganda.

Incendeia o Médio Oriente e massacra populações inteiras num exercício de barbárie pura, perante a passividade cúmplice de um mundo que parece ter esquecido as lições de Nuremberga.

Netanyahu e Trump são as duas faces da mesma moeda: o ataque frontal à soberania dos povos, à SACRALIDADE da VIDA e à violação constante do Direito Internacional.

Agora tiveram azar!... É verdade, segundo dizem os analistas, que a China - onde o pirómano se deslocou em busca de apoio – lhe estendeu o tapete vermelho. Só que a realidade é bem diferente: conhecedora do narcisismo e da vaidade de Trump, estendeu-lhe a passadeira, mas com a sabedoria chinesa a funcionar. Donald Trump não conseguiu convencer Xi Jinping!... Xi, que não HESITOU em AFIRMAR que vai continuar a APOIAR o IRÃO, e sem papas na língua, a alertá-lo para as consequências do seu apoio aos independentistas de Taiwan.

Foi por isso mesmo, que Donald Trump regressou a Washington de orelhas caídas, sem a sua habitual exuberância e sem resposta ao convite feito a Xi Jinping, para visitar os USA em Setembro próximo.

O PREÇO DO PÃO E O SANGUE ALHEIO

Não nos iludamos: a INFLAÇÃO que hoje nos CASTIGA, o preço dos bens alimentares de que precisamos nas nossas mesas e a garrafa de gás que se tornou quase num luxo, são a materialização directa do medo semeado por estes "senhores da guerra". São eles que negoceiam o sangue alheio em troca do OURO NEGRO.

Enquanto a vida humana tiver menos valor do que o lucro de uma PETROLIFERA ou de uma FÁBRICA DE ARMAMENTO, o império continuará a sua fragmentação. O verdadeiro perigo não vem hoje das fronteiras, mas de um modelo que CORTA na SAÚDE para alimentar o ódio. Era isto que o “LUIS” devia perceber e não quer ou não sabe – OS POLITICOS ASSUMEM-SE e os DEMOCRATAS também...

Não tenhamos por isso dúvidas: quem por cá silencia ou aplaude este espectáculo de horrores, não é um patriota!... É mais um discípulo do caos, esperando a sua vez de refocilar na gamela da miséria alheia. A resistência, começa por isso na denúncia desta barbárie.

É PRECISO DIZER "NÃO" AO MEDO

Perante tudo isto, porque não desistir?!... Porque a resistência não é um cálculo de probabilidades de vitória: é um imperativo de carácter.

Quando o medo nos tolhe e a insegurança se torna desmedida, a primeira vítima é o carácter. Perdemos o amor-próprio e passamos a aceitar a servidão como destino.

A resistência, é o acto de acender uma vela quando todos dizem que o sol morreu. É claro que a vitória não é garantida, mas a luta garante que a memória do humano persiste. Benjamin, Zweig e Woolf desistiram cedo demais. Nós, que ainda respiramos, temos o dever ético de permanecer “VIVOS”.

A solução não é a fuga, mas a presença!... é a DENÚNCIA dos FALSOS PROFETAS. É o CONFRONTO DIRECTO com a incompetência doméstica e a barbárie internacional.

Como escreveu o poeta, “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”. Esse "NÃO", que é a única matéria-prima capaz de forjar um amanhã que os pessimistas ainda não conseguem ver.

O futuro ainda não foi escrito. VIVA O PORTUGAL DEMOCRÁTICO

Fontes consultadas:

1 - Insegurança Alimentar nos USA:

A- USDA - Departamento de Agricultura dos EUA: Relatórios anuais sobre Food Security in the U.S., que confirmam que entre 34 a 47 milhões de americanos vivem em agregados com dificuldades em aceder a comida.

B- Feeding America: A maior rede de bancos alimentares dos EUA, que fornece estatísticas sobre o aumento da procura por ajuda alimentar.

2 - Custos de Saúde e Medicamentos

A – KFF- Kaiser Family Foundation: Fonte de referência para custos de saúde, que documenta que as dívidas médicas são a principal causa de falência das familias nos EUA e que 1 em cada 4 americanos tem dificuldade em pagar receitas médicas.

B - OECD Health Statistics: Comparação de custos per capita, onde os EUA surgem sistematicamente com os valores mais altos por tratamentos como partos ou cirurgias.

3 - Orçamento Militar e Social

A - U.S. Department of Defense (Pentágono): Dados do Orçamento Federal que situam os gastos de defesa na casa dos 800-900 mil milhões de dólares.

B – ILO - International Labour Organization: Dados que confirmam os EUA como a única economia avançada sem licença de maternidade remunerada obrigatória por lei federal.

4 - Sistema Prisional e Justiça:

A - World Prison Brief: Base de dados que coloca os EUA com a maior taxa de encarceramento per capita do mundo.

B – ACLU - American Civil Liberties Union e Human Rights Watch: Relatórios sobre o lucro de prisões privadas e condições de detenção em centros do ICE - Imigração.

5 - Educação e Dívida Estudantil:

A – FSA - Federal Student Aid: Dados do governo americano sobre o total da dívida estudantil - que ultrapassa os 1,6 biliões de dólares.

B - Everytown for Gun Safety: Estatísticas sobre tiroteios em escolas e o impacto dos protocolos de segurança - active shooter drills - nas crianças.

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MEMÓRIA CURTA | OS PARADOXOS DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA...

 


Há perguntas que incomodam porque expõem feridas mal cicatrizadas da nossa história colectiva. Uma delas, impõe-se hoje com particular acuidade: como é possível que tantos emigrantes portugueses — que conheceram a humilhação, a exclusão e a miséria — se manifestem agora contra os imigrantes que procuram em Portugal exactamente aquilo que eles próprios procuraram lá fora?!... E mais ainda, porque votam tendencialmente na extrema-direita, que sempre desprezou quem chega de fora?!...

A história da emigração portuguesa na Europa não é uma narrativa romântica de sucesso imediato. É antes, uma história de bairros de lata, de bidonvilles, de trabalhos precários, de racismo quotidiano e de invisibilidade social. Em França, na Alemanha, no Luxemburgo ou na Suíça, milhares de portugueses viveram durante décadas em condições indignas, foram tratados como mão-de-obra descartável, chamados de “portugas”, mantidos à margem da cidadania plena, usados enquanto úteis — e esquecidos quando deixaram de o ser. Foram discriminados, explorados, menosprezados. Não eram “expats  - eram imigrantes pobres.

É precisamente por isso que a actual hostilidade de alguns sectores da emigração portuguesa face a novos fluxos migratórios constitui uma contradição moral profunda. Uma espécie de amnésia selectiva, em que a memória da exclusão é apagada, assim que se conquista algum conforto material ou estatuto social, como se a dignidade fosse transmissível apenas por herança e não por humanidade.

Mas esta contradição não surge no vazio. Ela é cultivada politicamente. A extrema-direita europeia, percebeu há muito que o ressentimento é um recurso político precioso. Ressentimento de quem sofreu, mas nunca elaborou politicamente esse sofrimento; de quem subiu um degrau e passa a temer que outros subam atrás; e de quem troca solidariedade por medo. É aí que entram figuras como André Ventura e os seus aliados internacionais, em busca de uma Europa das Nações e do fim da União Europeia.

A recente declaração do líder da extrema-direita francesa, Jordan Bardella, afirmando que uma eventual vitória de Ventura tornaria Portugal um “parceiro extremamente sólido”, não é um detalhe diplomático irrelevante. É uma confissão política. Significa que o projecto do Chega não é nacional nem patriótico — é transnacional, integrado numa rede europeia de forças que partilham a mesma agenda: enfraquecer o Estado de direito, normalizar o discurso do ódio e reescrever a história em chave autoritária.

Para essa extrema-direita, os emigrantes portugueses não são cidadãos com memória e consciência histórica. São reservatórios eleitorais úteis mobilizáveis contra outros ainda mais frágeis: africanos, brasileiros, asiáticos e refugiados das guerras. O truque é velho: dividir os de baixo para que os de cima governem sem sobressaltos. Ora é exactamente assim, que se transforma quem foi vítima em instrumento, ou seja: quem viveu em barracas passa a rejeitar quem vive em quartos sobrelotados e quem foi alvo de xenofobia passa a repeti-la - não por convicção profunda, mas por medo — medo de perder o pouco que conquistou, medo de voltar a ser descartável.

Só que há uma verdade que a propaganda não consegue apagar: ninguém escolhe nascer no lugar errado!... E ninguém merece ser tratado como ameaça por procurar trabalho, segurança ou futuro. Os portugueses provaram disso na pele. Esquecê-lo agora, não é apenas incoerente — é trágico. Quando um emigrante português vota na extrema-direita que criminaliza a imigração, não está a honrar o seu percurso — está a negá-lo. Está a alinhar com forças que se tivessem mandado no passado, lhe teriam também fechado as portas a eles. Está a trocar memória por ressentimento e dignidade por medo. A democracia vive de memória e a liberdade exige coerência moral.

Tudo o resto — slogans, inimigos inventados e “parceiros sólidos” da extrema-direita europeia — é apenas o caminho já conhecido para o empobrecimento cívico, político e humano. E esse caminho, a história já nos mostrou onde termina...

O ÓDIO NEM VESTE FARDA - NEM PODE TER ASSENTO PARLAMENTAR...

 

A operação desencadeada pela Polícia Judiciária no passado dia 20 de Janeiro, que levou ao desmantelamento de um grupo neonazi e à detenção de 37 suspeitos, não é apenas um caso criminal. É sobretudo, um alerta político e democrático que o país não pode fingir não ouvir.

Já não é novidade para ninguém que o partido Chega é um instrumentalizador das Forças de Segurança, tentando capturar o seu descontentamento, explorando dificuldades reais e transformando-as em combustível político para uma agenda assente no medo, no ressentimento e na exclusão. E André Ventura, o seu líder, é desde há muito, o seu principal veículo transmissor de um discurso de ódio, de racismo e de xenofobia, cuidadosamente embrulhado em retórica populista, mas com efeitos bem concretos na radicalização deste sector da sociedade.

Quando entre os detidos por crimes de ódio, surgem elementos ligados ao Chega, bem como um agente da PSP e um sargento da Força Aérea, não estamos perante coincidências isoladas. Estamos sim, perante o resultado de um discurso político persistente que normaliza o inaceitável, legitima a intolerância e insinua que a violência simbólica — e por vezes física — é uma forma legítima de intervenção cívica.

Importa contudo dizer com igual frontalidade, que as Forças de Segurança não se confundem com estes comportamentos. Pelo contrário!... O que esta operação demonstrou – tal como tantas outras, é que as Instituições policiais e judiciais estão a cumprir o seu papel constitucional — limpar do seu seio quem trai a farda, a lei e a democracia.

A democracia não se defende tolerando quem a corrói por dentro!... Defende-se com regras, com escrutínio e com acção. E é isso que a Polícia Judiciária, o Ministério Público e as próprias estruturas internas das forças policiais estão a fazer: separar o serviço público da militância do ódio, a autoridade legítima da violência ideológica e a farda do extremismo.

A resposta ao ocorrido numa esquadra policial de Lisboa, onde comportamentos e práticas atentatórias da dignidade humana e dos direitos fundamentais vieram a público, é prova de que o problema existe — mas também de que há mecanismos institucionais a funcionar, capazes de investigar, expor e sancionar. E perante os factos, não foi o silêncio que falou, foi pelo contrário o Estado de direito. É precisamente por isso que o discurso do Chega é tão perigoso!... Enquanto procura apresentar-se como defensor das forças policiais, na prática, expõe-nas, divide-as e fragiliza-as, associando-as a agendas que nada têm a ver com a sua missão constitucional. Mais: quem transforma agentes da autoridade em instrumentos políticos, não os defende — procura usá-los em proveito próprio. Num Estado democrático, não há espaço para organizações neonazis, nem para a infiltração do ódio nas instituições.

A segurança pública não pode ser refém de projectos autoritários, nem a democracia pode tolerar quem a quer destruir usando as suas próprias garantias. É por isso, que operações deste tipo, conduzidas pela PJ e pela PSP, constituem uma afirmação clara e inequívoca do compromisso das respectivas Direcções, com o Estado de Direito democrático, com a Constituição e com a defesa dos valores fundamentais da República. Ou seja!... Traçam com a devida clareza, uma linha vermelha que não admite ambiguidades: o ódio não tem lugar na sociedade portuguesa, não veste farda — e não pode ter assento parlamentar disfarçado de protesto.