22 julho, 2026

REFORMAS : a nova Banha da Cobra da Extrema-Direita...

 

A vida pública e a demografia têm uma virtude inflexível: não se vergam ao populismo, nem a cartazes VAMOS SALVAR PORTUGAL. Hoje, a fatia de cidadãos com mais de 65 anos cresce cinco vezes mais depressa do que a proporção dos que estão em idade de trabalhar. Somos o terceiro país mais envelhecido da U.E. - contabilizando 182 idosos por cada 100 jovens. Mas é, perante este quadro dramático de sustentabilidade que o Chega e o seu líder — o "Trump Lusitano" de serviço — surge a vender o CONTO do VIGÁRIO: a promessa de baixar a idade da reforma para os 65 anos, que pediam como contra-partida, à aprovação do Pacote Laboral. Uma proposta, que soa àqueles anúncios manhosos em que já ninguém cai: "Ligue agora e fique rico em seis meses." Contudo, quando o assunto é o Estado — essa entidade tratada por muitos como um saco sem fundo —, há quem prefira fechar os olhos à matemática e abraçar o ilusionismo.


Já se sabe, que a demagogia de André Ventura é uma máquina bem oleada de caça ao voto imediato, guiada pelo lema "que se lixe quem virá atrás" - o que lhe intressa é “facturar”. O que o líder do Chega esconde com mestria nos seus cartazes de propaganda, é o preço real do seu "presente“ envenenado. Baixar a idade da reforma para os 65 anos - numa altura em que a idade legal caminha para os 67 - significaria, em termos práticos, um gasto público adicional e permanente na ordem dos 2,6 mil milhões de euros por ano. E como se financiaria este rombo?!... Na prática, o cálculo é simples e cruel: significaria o corte do 14.º mês e uma redução superior a 30% no valor das futuras pensões, daqueles que hoje trabalham e descontam. Ou seja: o ilusionista promete o descanso mais cedo, mas omite a factura da miséria na velhice.

É muito fácil alimentar a ilusão quando se ignora o funcionamento elementar do nosso sistema de Repartição. O dinheiro que hoje entregamos à Segurança Social não fica guardado num cofre com o nosso nome!... Serve, para pagar no imediato as pensões de quem já as venceu e pagou para elas. Assim, como esses as pagaram a quem os antecedeu – o ritmo é este. Confiar que os excedentes conjunturais recentes — impulsionados em grande parte pelo aumento das contribuições de imigrantes — vão durar para sempre, é de uma irresponsabilidade criminosa, até porque a extrema-direita rejeita essa mesma imigração.


Um líder com responsabilidade e vergonha na cara, não enganaria os portugueses com promessas que colapsam a Segurança Social. Em vez de acenar com facilidades irrealistas, do que o país precisa, é de quem pugne pela transformação profunda da economia: subir os salários miseráveis através da produtividade e do sucesso empresarial, apostar na literacia financeira, aliviar a sufocante carga fiscal sobre a classe média e incentivar se necessário regimes complementares de poupança privada. Reduzir a idade da reforma sem antes criar riqueza é condenar o país à falência.

Sem dinheiro não há redistribuição, não há saúde, não há educação e não haverá reformas para ninguém. O "salvador da pátria", que até hoje nada deu à sociedade e nem para a demografia contribuíu, aquilo que prefere é distribuir ilusões vendáveis em vez de encarar a realidade. Só que a matemática não vota, e a história não perdoará a quem por simples sede de Poder, aceita vender o futuro dos portugueses a troco de um punhado de votos.

DO CIRCO POLITICO À JUSTIÇA DO PELOURINHO...

 

Há pecados que a Bíblia não cataloga com nome próprio, mas que a consciência comum reconhece sem hesitar!... E há também uma regra não escrita na política, que a história e a experiência nos ensinam com precisão: quando um partido populista passa do ruído habitual para o ataque cerrado a instituições essenciais do Estado de Direito, não estamos perante uma simples chicana parlamentar. Estamos perante o desespero... A recente e insidiosa ofensiva de André Ventura e do Chega contra o Ministro da Administração Interna, Luís Neves — um servidor público de carreira rigorosa, tecnicamente irrepreensível e de idoneidade amplamente reconhecida —, bem como as pressões exercidas sobre o Primeiro-Ministro e sobre o Ministério da Justiça, ultrapassam todos os limites do razoável e do debate democrático.

E sobre isto, não tenhamos dúvidas: trata-se de uma “receita” já velha! Uma receita que nos mostra, com clareza cristalina, que Ventura — tal como outros o fizeram no passado — não faz este caminho sozinho. Para que este ataque tenha eficácia, entra em campo o habitual "jogo sujo" de certa imprensa a coberto de um suposto jornalismo de investigação. E a esta, juntam-se os tais aliados de conveniência: sectores mediáticos, que em busca do clique fácil, das audiências famintas ou por cumplicidades indisfarçáveis, funcionam como verdadeiras caixas de ressonância da hipocrisia e da demagogia. Falo de gente que não questiona; falo de gente que não investiga e não cruza informação e se limita a plantar e a amplificar notícias sem qualquer aderência aos factos, ainda que a sua origem provenha das sarjetas do jornalismo de bordel, para normalizar o ataque pessoal. Estamos por isso, perante a simbiose perfeita: o populismo cria o circo e essa comunicação social fornece a lona, ajudando a erguer narrativas artificiais para desgastar quem apenas cumpre o seu dever com independência, com rigor e com espinha dorsal.

E sendo assim, pergunto: de onde vem afinal, este pânico e esta fúria desenfreada?!... A resposta é simples e límpida: Luís Neves foi o homem que com determinação e coragem, acabou com o "Movimento Zero" nas Forças de Segurança; e foi o homen que acabou com a instrumentalização dessas mesmas mesmas Forças de Segurança, onde determinadas franjas, movidas pelo ódio, pelo ressentimento e pelo racismo, deram naquilo que deram. Alguém tem dúvidas, que casos como os ocorridos em Esquadras da PSP, resultaram do “nada”?!... Alguém tem dúvidas, de que uma das principais figuras do partido Chega, chegou a afirmar, que “se os polícias disparassem mais a matar, o país estava mais na ordem"?!... E já agora, o que é que temos do outro lado?!...  Olhemos para os factos: mais de 20% do grupo parlamentar do Partido Chega esteve ou continua a estar sob a alçada da Justiça por suspeitas de crimes variados e processos judiciais. Análises mais alargadas elevam este número para 23 a 25 deputados se forem contabilizados casos que envolvem polémicas públicas graves, insolvências pessoais, irregularidades administrativas e questões fiscais. Isto para já não falar do partido que continua a funcionar com Órgãos inválidos, por decisão do Trbunal Constitucional.

E como se tal não bastasse, temos ainda os grupos de marginais que vários deputados do Chega apoiam sem qualquer reserva — e que, como recentemente se veio a saber, tinham vários alvos a abater neste país, entre os quais o actual Primeiro-Ministro. A estes, só escapava, veja-se bem, gente do Chega e da IL.

É evidente que tudo isto causa danos irreparáveis e um nervosismo incontrolável num neo-fascista e revisionista, como André Ventura!.. E sendo assim, é exactamente por tudo isto, que não admira que venha agora pedir a cabeça de Luís Neves, que por acaso foi Director da Policia Judiciária, é hoje Ministro e conhece todos os seus “podres”.

De malucos... nada se espera!... Podiam as suas maluqueiras dar-lhe para fazer o bem. Mas não!... As suas maluqueiras, só lhe dão para fazer o mal!

Mas como se este circo não bastasse, assistimos ainda à exibição impudica de juízos de valor que revelam uma vergonhosa política de dois pesos e duas medidas.

Relembro aqui, o caso de Miguel Macedo, que se demitiu perante acusações que lhe foram imputadas, submetendo-se a um longo calvário do julgamento público e da praça mediática, para no final vir a ser plenamente absolvido pela Justiça. Relembro aqui da mesma forma, o recente caso de António Costa, acusado pelos mesmíssimos intervenientes, de "à boleia" do processo Influencer, ter abandonado o país e desprezado quem lhe havia concedido uma maioria absoluta, acusando-o  de se ter demitido sem que nada o justificasse, apenas para "tratar da sua vidinha" em Bruxelas.

E o que vemos agora?!...

Os mesmíssimos que atacaram António Costa por se ter demitido, a pedirem a cabeça de Luís Neves por este não se demitir, respaldando-se nas mesmas parangonas e capas de jornais de sarjeta, sem que o Ministro se encontre sequer, sob a alçada da Justiça. Ou seja: a uns pedem a demissão só porque sim; a outros criticam-nos por se terem demitido.

Ora a isto, não se chama política!... Chama-se canalhice. Gente sem vergonha, sem coerência e movida estritamente pelo oportunismo do momento!

Termino por isso, com uma nota que quero que seja cristalina, inequívoca e audível em todo o lado: Nunca alinharei em "cercos"!... Sejam eles dirigidos a governantes em funções, a políticos, a autarcas ou a um qualquer "Manel da Esquina". Nunca alinharei na justiça de pelourinho, na retaliação, na condenação prévia pela praça pública ou na devassa da vida e da dignidade de quem quer que seja.

A minha postura será intransigentemente a de sempre: à Justiça o que é da Justiça e à política o que é da política...