Para quem pretendeu aumentá-la
de 11 para 18%, não podia ser de outro modo!... Passos, mostrou nesta matéria a
sua verdadeira face. Na primeira vez bateu contra uma parede; na segunda foi
abalroado pela manifestação de 15 de Setembro; na terceira vez foi atropelado
por Paulo Portas e na quarta acabou cilindrado pelo PS.
O PSD nunca se deu bem com a
TSU!... Estávamos em Maio de 2010 e Pedro Passos Coelho ainda nem
sequer era Primeiro-Ministro. O então líder social-democrata lançava a
ideia de uma “política de desvalorização fiscal” que consistia em baixar a taxa
social única (TSU) suportada pelas empresas para tentar espevitar a
economia.
Na altura, em campanha
eleitoral, Passos Coelho defendia a medida e convicção não lhe faltava: “se
alguém tem uma solução melhor do que aquilo a que tecnicamente se chama a
desvalorização fiscal interna, para ganhar competitividade, que o diga, eu não
conheço”.
Havia uma corrente na Europa
que defendia esta tese. Em França, a medida acabou por ser posta em
prática por Jean-Marc Ayrault que aumentou o IVA para ganhar folga orçamental
para baixar a TSU das empresas. Em Portugal, a ideia chegou a constar na
versão inicial do memorando assinado com a troika, e o Governo chegou
a encomendar um estudo a representantes do Banco de Portugal e dos Ministérios
das Finanças, Economia e Emprego e Segurança Social.
O estudo dizia que uma baixa
de apenas 3,7 pontos na TSU implicava uma perda de receita de 1,5 mil milhões
de euros. Passos “fez as contas” e chegou à conclusão que as contas
públicas que tinham sido depauperadas pela governação de José Sócrates não
lhe davam margem orçamental para tais veleidades e experimentalismos
económicos.
Tínhamos de “encontrar outras
alternativas” para estimular a economia, prometia Passos, sem se dar por
vencido. Era a primeira derrota de Passos contra a TSU. Passos 0 –
TSU 1.~
Em Setembro de 2012 e já Primeiro-Ministro,
entrou numa espécie de deriva neo-liberal!... Fez uma comunicação ao país para
anunciar não uma “desvalorização fiscal”, mas um choque fiscal brutal que iria
resultar numa monumental transferência de riqueza dos trabalhadores para as
empresas. Passos propunha então uma descida da TSU das empresas dos 23,75%
para 18% e um aumento da contribuição dos trabalhadores de 11% para 18%. A
ideia era tão descabida quanto radical e a monumental manifestação de 15 de Setembro
levou milhlhões de portugueses à rua para mostrar a Passos Coelho que a
política do “custe o que custar” tinha um custo e tinha um limite. Poucos dias
depois, a medida caía. Passos voltava a ser derrotado pela TSU. Passos 0 –
TSU 2.
Passos tremeu mas não caiu!... Um
ano depois, já não era bem a TSU, mas ficou conhecida como a “TSU dos
pensionistas”. Era um novo choque fiscal cujo alvo eram agora os pensionistas.
O Primeiro-Ministro queria substituir a Contribuição Extraordinária de
Solidariedade por uma contribuição permanente, provocando mais do que um
“cisma grisalho”, um cisma dentro da própria coligação com o CDS-PP. Paulo
Portas tanto barafustou, que no início de Outubro de 2013 a medida caía mais
uma vez por terra. A luta de Passos Coelho contra a TSU começava a assumir
contornos de goleada. Passos 0 – TSU 3.
Passos tremeu outra vez, mas ainda
não foi dessa que caiu. Resistiu e até foi capaz de ganhar as eleições.
Mas uma estranha e esdrúxula coligação entre “socialistas e a esquerda radical”
arredou-o do poder. E foi em Janeiro de 2017 que Passos Coelho, já na
oposição, resolve comprar a sua quarta guerra contra a TSU.
António Costa fechou um
acordo de concertação social com patrões e a UGT para aumentar o salário mínimo
nacional, e como moeda de troca promete aos patrões uma descida na TSU em
1,25 pontos para vigorar durante ano e meio. A ideia não era nova!... Já
tinha sido adoptada por Helena André no tempo de José Sócrates, e por Pedro
Mota Soares na coligação que o próprio Passos liderou.
Quando o PCP e o Bloco, discordaram
desta abébia dada aos patrões, anunciaram que iriam pedir a apreciação
parlamentar do Decreto-Lei do Governo que baixava a TSU e meio país ficou
surpreendido quando Pedro Passos Coelho veio anunciar que o PSD iria votar contra
a sua descida.
Para tentar demonstrar a
contradição que existe na actual solução governativa entre o “PS e a esquerda
radical”, que que para ele além das políticas de reversão nada têm em comum,
Passo Coelho expôs-se ele próprio a uma grande contradição: resolveu
chumbar uma medida, que percebe-se pelo que até aqui se escreveu, lhe é muito
cara.
Claro que existiu uma grande
hipocrisia do lado de Costa que criticou Passos Coelho e nem por um minuto
que seja se lembrou de ir pedir votos aos outros dois partidos que suportam o
Governo no Parlamento. Claro que existiu uma grande hipocrisia do lado do PS
que criticou o PSD, e não se lhe ouviu uma única palavra contra o também
socialista Correia de Campos, que pasme-se, sendo Presidente do Conselho
Económico e Social, também havia dito que discordava da baixa da TSU dos
patrões, já depois do acordo na concertação social estar fechado.
Uma coisa é porém certa: a
hipocrisia não deveria ter sido combatida com mais hipocrisia. Foi hipocrisia a
mais e Passos acabou por sofrer mais um golo. Resultado final, Passos 0 –
TSU 4.
Agora com o PEC a navegar em
águas serenas, resta a Passos encontrar soluções para o novo desafio – o candidato
à Câmara de Lisboa. Já com “cinco lesionados fora do combate”, a tarefa não se
afigura fácil para mais este desafio. Será que também irá dar goleada?!...




