“Aproxima-se uma festa feia e sem preceitos nem modos!,,,
Aproxima-se o regabofe da impossibilidade dos apoios sociais!.... O fascista
que entrou para o Parlamento já se baba de alegria e quando esta direita se
baba, teme-se o pior. Entretanto, o povo paga”…
Não sendo político,
tenho obviamente opinião!... E por isso, me dá prazer escrever, dizer
o que sinto, transmitir o que penso e pôr os outros a pensar. Se bem ou mal,
pouco me interessa. Não há maneira de abdicar disto. É uma forma de participar não só na vida da comunidade, como também procurar
entender os seus comportamentos, as suas motivações, as suas decisões, as suas escolhas
e os seus paradoxos.
Desta vez, e
ainda em jeito de rescaldo eleitoral, poderia vir a “terreiro”, e falar
de uma espécie de “golpe de estado” preparado ao longo de quatro anos na
nossa terra – está-me atravessado. Mas como dos fracos não reza a História, não
vale a pena “chover no molhado”. Prefiro ir por outro caminho!... Um
caminho que vai mexer nos bolsos dos portugueses e se revela muito mais
importante neste momento – o chumbo do Orçamento de Estado para 2022.
Assim, começo por dizer, que quando existem inúmeros
problemas económicos e sociais para serem resolvidos e se impõe a sua resolução,
afectados que foram pela crise pandémica – a maior desde a Segunda Guerra
Mundial -, o país vai envolver-se de novo em campanhas eleitorais e em
eleições antecipadas, que muito dinheiro vão custar, que muitas energias vão
consumir e que talvez nada resolvam - é “sina” nossa. Uma “sina”,
ditada por uma classe politica a roçar a mediocridade; num tempo até, em que as
alternativas políticas ainda estão por constituir; em que o chamado interesse
nacional afinal cede aos interesses partidários, corporativos e à demagogia; e
em que a ideia de “Portugal Primeiro” e do bem comum tão propalado, se
sobrepõem a visões e interesses egoístas. Mau de mais para ser verdade, mas é o
que temos. Dito de outro modo: uma factura de mais de mil milhões de euros,
a suportar pelos contribuintes.
“Excepto os políticos”, toda a gente sabe que a vida
dos cidadãos depende do OE!... Seguindo o mesmo raciocinio e num quadro de
necessidades ilimitadas e de recursos escassos, toda a gente sabe também, que a
sua preparação é um exercício muito complexo. Assim sendo, e porque não é
possível satisfazer as aspirações de todos com menos impostos e mais
rendimentos, com mais saúde, mais educação, mais justiça, mais segurança,
melhores estradas, melhores transportes, menor divida pública e por aí adiante,
há que fazer escolhas. E as escolhas foram feitas!... No entanto, nem todos
pensam assim e nesta discussão, veio ao de cima a sua verdadeira face. A face
de uma classe politica, que para além de nos mostrar aquilo que verdadeiramente
vale, nos deu ainda conta, de que afinal o que está em causa não é o país e os
portugueses, isso sim, os interesses e as estratégias partidárias que se movem
como se o país fosse um tabuleiro de poker. A tudo se sobrepôs, inclusivé a dar
trunfos de borla, à extrema-direita populista e fascista…
É verdade que o Governo que elaborou o OE 2022 é
minoritário e tem de procurar as alianças necessárias para conseguir uma
maioria que o vote favoravelmente. Por isso se deseja e até exige, que negoceie
e ceda à Oposição, o que é normal. Há sempre a possibilidade e é desejável, que
se aperfeiçoe um documento com esta importância !... O que já não é desejável, é
ir de cedência em cedência, desvirtuando a sua proposta e tornando-a na
proposta de outros. Intransigências –
diga-se, que uma vez concretizadas, levam a que por acréscimo, alguém vá também
perder e provavelmente muito – o país e os portugueses.
Agora, resta-nos esperar pela resposta, que se espera
adequada do nosso povo. Até lá, vamos ainda assistir a acalorados processos de
eleições partidárias internas, e ao benefício da dúvida que as novas lideranças
carregam. Já o discurso da campanha que se lhes seguirá, é fácil de prever: o
passa-culpas sobre quem são os responsáveis pelos portugueses serem chamados a
votos antes da legislatura terminar; por não existir durante quase meio ano um
orçamento do Estado; e por se adiar parcialmente a efectivação dos fundos da
“bazuca europeia”, num país a precisar deles como de pão para a boca.
Custos elevadíssimos, para que talvez tudo fique na mesma,
sobrando apenas a arrogante teimosia de
alguns interesses pessoais e minoritários, que nada têm para oferecer aos
portugueses, a não ser a sua própria sobrevivência. São palavras obviamente duras e talvez até elitistas, mas com uma
virtude: para além de traduzirem a realidade, não deixam de nos desafiar.
(Texto escrito segundo a antiga ortografia)