25 julho, 2022

O CONGRESSO DO PSD | “O que nasce torto, tarde ou nunca se indireita”…


Pelo Partido e pelo país, ainda hoje se lamenta o fraco entusiasmo verificado nas eleições internas do PSD. Nunca a tal desinteresse, alguma vez se tinha assistido.

E sendo assim, lamenta-se igualmente a fraca participação eleitoral dos militantes, o que significa, que a vitória eleitoral de Luís Montenegro, não foi assim tão expressiva como se pretende fazer crer. É verdade que ganhou com cerca de 73% dos votos, mas também é verdade que tal percentagem corresponde a apenas mais 11.972 votos que Jorge Moreira da Silva, num universo de apenas cerca de 17 mil militantes. 

Estamos por isso perante um resultado enganador!... tão enganador como o ocorrido em Montalegre. Em Montalegre, onde nos diz a concelhia local, que Luis Montenegro venceu com 59,26%!... Pois venceu, só que tal percentagem corresponde apenas a 16 votos.

Transpondo então estes números para os totais nacionais, aquilo que se verifica, é que o PSD, está a léguas daquilo que já foi, quer em termos nacionais, quer locais. Um Partido com 44.629 militantes em todo o país e além fronteiras, dos quais apenas 26.984 se dignaram ir às urnas, é um Partido que tem urgentemente de ser repensado, sob pena de colapso.   

E sendo assim, impõe-se desde logo uma pergunta: será Luis Montenegro o homem capaz de “virar a página”?!...

Não se sabe!... O que se sabe isso sim, é que a sua equipa de apoiantes, começou muito mal – os factos são conhecidos. Alguns exemplos: na Madeira, tivemos militantes com duplicidade de militância no Chega e no PSD, a votar em si;  e no Continente muitos dos eleitores que votaram Montenegro, eram fantasmas. Em Castelo de Paiva por exemplo, onde Jorge Moreira da Silva não tinha qualquer delegado na mesa, com 108 militantes, votaram 105 - todos em Luís Montenegro. Mas até aqui tudo bem - haveria apenas 3 militantes que não tinham votado, e os que votaram podiam todos ter votado no candidato vencedor. Só que se veio a apurar, que dezenas de militantes confirmaram que não tinham ido votar, uns por estarem fora nesse sábado e outros porque estavam isolados com Covid-19.

Mais: em Vimioso, no concelho de Bragança, houve pessoas que pretenderam votar sem apresentar o respectivo cartão de cidadão. Aí, já com a candidatura de Jorge Moreira da Silva representada na mesa, essas pessoas foram barradas, vindo a apurar-se que os nomes por que se identificavam correspondiam a emigrantes, ausentes da terra. 

Com tais episódios, pode lamentar-se o desinteresse por estas eleições no PSD, mas mais se lamenta estes exemplos de batota e caciquismo, fazendo-nos lembrar os tempos em que os mortos votavam ... 

Pelo pouco que foi dado a perceber nesta disputa eleitoral, havia alguma diferença de ideias entre os dois candidatos que disputaram a liderança. Diferença, que Jorge Moreira da Silva não quis explorar, tendo em conta que estávamos perante questões de perfil, de carácter e de comportamento, que estas notícias – hoje públicas - apenas confirmam e reforçam.

Por isso, Luís Montenegro bem pode anunciar-se como candidato a Primeiro-Ministro. Pode ser, basta que dure quatro anos e chegue às próximas eleições legislativas. Mas ninguém acredita muito que seja uma pessoa destas a levar o PSD de volta ao Governo. É que não há só fantasmas nos eleitores!... Depois destes episódios, COM QUE CARA SE APRESENTARÁ AO CONGRESSO,  a começar neste primeiro dia de Julho?!... 

07 junho, 2022

QUE É FEITO DO "VELHO PSD"?!...

Tinha este rascunho de molho e entretanto passou um mês!... Mas ontem, tropecei numa notícia sobre as internas do Partido e a primeira coisa que me veio à cabeça foi esta absoluta imbecilidade que a figura ao lado mostra. Um facto saído das hostes do PSD, como se não existissem muitas maneiras de criticar um Governo ou um governante. Maneiras aliás, bem mais eficazes, inteligentes e dignas!... Chegar a isto, é politicamente bater no fundo. É inclusivé, um grande favor que se faz ao PS.

Óh… meus senhores!... Um “regime totalitário socialista”?!... Será que contrataram os estrategas de marketing do “Chega Montalegre”, paus que são para vociferar em todos os tabuleiros, ou fazem do povo ignorante?!...

É claro, que o PSD é livre para praticar o estilo de propaganda política que muito bem entende!... Vivemos felizmente em democracia e somos livres para exprimir as nossas convicções e opiniões sobre as realidades que observamos, uma coisa é porém certa: agora se compreende o facto, de umas eleições para eleger o líder de um Partido tão relevante para o futuro colectivo do país e para a manutenção do regime democrático, terem sido tão ignoradas pela imprensa, pelos militantes e até pela população em geral.

  • Um “regime totalitário socialista”?!... Será que contrataram os estrategas de marketing do “Chega Montalegre”, paus que são para vociferar em todos os tabuleiros, ou fazem de nós ignorantes?!...
  • Posto isto, uma coisa salta desde já à vista: Marcelo não confia nesta gente e procura desde já,  que Carlos Moedas cresça na Câmara de Lisboa para assumir aquilo que para já se nos apresenta como transitório.
  • E a razão é muito simples!... É preciso “ver ao longe”.

Aquilo que transpareceu, é que apenas os interessados na política sabiam que havia dois candidatos, e que por menos inspiradores que pudessem ser, o agora eleito Montenegro, protagonizará a Oposição ao Governo. E depois, são ainda menos os que sabem, que o mesmo nem sequer tem assento na AR, o que dificulta a sua afirmação mediática e o escrutínio das suas qualidades.

Afirmação e qualidades, que sucumbiram logo à partida, quando até por razões de promoção do próprio PSD junto do eleitorado e do País, se negou ao debate e a discutir o programa, se acaso o tem, com o seu competidor Jorge Moreira da Silva.

Posto isto, uma coisa salta desde já à vista: Marcelo tem razão ao não confiar nesta gente e por isso aposta tudo no crescimento de Carlos Moedas na Câmara de Lisboa para assumir aquilo que para já se nos apresenta como transitório.

E a razão é simples!... É preciso “ver ao longe”. É que se a ausência do CDS na AR faz falta à democracia e deixou espaço a Partidos extremistas, é de imaginar o que acontecerá se o PSD for definhando alinhando por este discurso, que apenas serve os incautos.

No que diz respeito ao CDS, há quem se alegre com o seu desaparecimento, e não veja qualquer diferença entre Nuno Melo e o comediante do Partido fascista. Não partilhando dessa ideia, aquilo que entendo, é que só por miopia alguém não tenha reparado que um Partido integrado no PPE é condicionado a respeitar os direitos humanos e as regras democráticas. A União Europeia é o “guarda-chuva” da Europa e aquilo que se espera, é que o PSD exerça a liderança da direita democrática com todo o vigor, mas sem ceder ao populismo. Se o não fizer, para além de deixar de ser um pilar fundamental da democracia, arrisca alienar para os demagogos, o espaço que de hà uns tempos a esta parte vem perdendo em favor dos liberais e dos extremismos anti-democráticos.

E já agora: com a desmoralização que se nota, com que energia chegará o PSD ao seu 40.º Congresso, que se realizará nos dias 1, 2 e 3 de Julho no Coliseu do Porto?!...

É que perante os factos, não é apenas o futuro do PSD que interessa, é isso sim o do regime e do País, onde a direita democrática é fundamental para a qualidade e perpetuação da democracia e onde não há alternativas ao PSD.

                                                                                         Crónica do mês - Revista A Barrosana

FINALMENTE TEMOS ORÇAMENTO. E… AGORA?!...


Com o voto a favor dos 120 deputados socialistas e a abstenção dos deputados únicos do PAN, Livre e de três deputados do PSD/Madeira, finalmente temos Orçamento de Estado para entrar em vigor ao sétimo mês do ano corrente.  E temos também um Governo do PS com maioria absoluta, e por isso mesmo, sem absoluta desculpa para não fazer o que deve ser feito: um Portugal melhor, com mais qualidade de vida, menos pobreza e preparado para o futuro.

Mas será que vai ser assim?!.. Não se sabe. O que se sabe, é que desta vez, António Costa não se pode desculpar com o Bloco ou com o PCP. Nem mesmo com a Europa. É que mesmo com o caso da famigerada  guerra na Ucrânia, a nossa situação não é mais grave que a dos outros. É quando muito igual. Ao Partido Socialista, foram dadas pelos eleitores portugueses todas as condições necessárias para governar e para aplicar o seu programa - todas. E para ajudar, até a Oposição está entre a fraquinha representada pelo PSD, e a moribunda pelo PCP e BE. E depois, ainda temos o Presidente da República que António Costa conhece muito bem, e sabe que não quererá representar o papel de líder da Oposição. Recuando no tempo e na História, nem Cavaco Silva em 1997 beneficiou de um cenário tão positivo.


“Nestes estranhos tempos em que vivemos, aguardemos pois com expectativa o que aí vem, e já agora porque não dizê-lo com um pedido: um olhar para a interioridade. Pessoalmente não acredito no Pai Natal mas estou sempre pronto a mudar de ideias”…


Nestes estranhos tempos em que vivemos, aguardemos pois com expectativa o que aí vem, mas já agora com um pedido: um olhar para a interioridade. Interioridade, que até pode conter em si mesma, todas as perspectivas românticas e telúricas de um lugar feito de ausência, de terna calmaria e de são alheamento das coisas complicadas que lavram os dias. Ou até um lugar onde a vida corre descomplicada e serena. É claro que podia ser assim, mas não o é. É isso sim, um acto de fé onde tudo se vai desvanecendo à medida que o tempo passa e as evidências do abandono e do “deixa andar” se foram adensando fruto de um Poder Central, que tudo nos “arrebanha” e nada nos dá em troca.

Será que é agora com todos os seus poderes, que Costa nos irá surpreender?!... Pessoalmente não acredito no Pai Natal mas estou sempre pronto a mudar de ideias…


O meu editorial na Revista A Barrosana

02 maio, 2022

Eleições em França, aliviam a Europa e o mundo…

Estaria a faltar à verdade, se dissesse que não ficaria preocupado, caso Marine Le Pen, tivesse chegado ao Eliseu. E ficaria preocupado, tal como qualquer pessoa que acredita no nosso modo de vida, no projecto europeu, na democracia liberal e na nossa segurança colectiva. É que ter esta mulher como líder da única potência nuclear da UE, cuja ascensão foi em larga medida patrocinada e financiada pelo Kremlin, ainda por cima num momento como o que vivemos, iria fazer soar todos os alarmes. E porquê?!... Porque ter uma emissária de Putin com poder em Bruxelas, na NATO e no próprio Conselho de Segurança da ONU, alterando a balança do Poder em favor do eixo Moscovo-Pequim, poderia ser o fim da História tal como a conhecemos. Mais: quando alguém assegura que a sua linha política é a de Trump e de Putin, tece rasgados elogios à intervenção russa na Síria que resultou na total destruição de Aleppo; que entende que a Federação Russa não representa uma ameaça militar para a Europa e para o mundo; que a Ucrânia faz parte da esfera de influência de Moscovo e que o governo de Putin é muito popular entre os russos, visto que é constantemente reeleito, está tudo dito. E esse alguém, é nem mais nem menos, que a senhora Marine Le Pen.

Pegando apenas neste último dado, qualquer pessoa que não se tenha convertido em avestruz sabe, que as eleições russas não são livres nem democráticas. São pelo contrário uma encenação, só que Le Pen prefere dar o peito às balas pela narrativa do Kremlin, porque os milhões que recebeu da oligarquia russa não se vão pagar sózinhos.

Kremlin, que com muita pena, teve que fazer regressar ao frigorífico  as garrafas de champanhe que tinha preparado. A esperança deles, era proporcional ao medo do lado de cá, mas Putin acabou por ser o grande derrotado. Putin, Salvini, Orbán, Farage, Gauland, Wilders, Abascal, o comediante português, e todos os novos fascistas que sonham com uma Europa dividida à mercê de Moscovo.

Uma sugestão: aqueles que continuam a normalizar o partido do comediante, notem que Ventura e Putin estiveram no mesmo coro de apoio a Le Pen. E jogam todos na mesma equipa, diga o Chega o que disser no Parlamento. E quem tiver dúvidas e quiser sentir o pulso a esta extrema-direita fascista portuguesa, recomenda-se que leiam a “carta de amor” da senhora deputada Maria Vieira ao regime russo.

Nem Nuno Melo consegue descortinar, de onde lhe vêm os sete milhões de euros para comprarem a sede do “velho CDS” do Largo do Carmo.

Tal como Putin, Le Pen e os seus parceiros europeus, representam esses sim, um verdadeiro perigo para o “Velho Continente” e para o mundo…


Editorial escrito para a Revista A Barrosana

24 abril, 2022

Viva a Liberdade!... 25 de Abril Sempre…


Àmanhã, é dia de comemorar a data maior da liberdade num país com quase nove séculos de História. Nunca tantos devemos tanto a um exército que deixou de ser o instrumento da repressão da ditadura, para se transformar no veículo da liberdade conduzido, por jovens capitães.
Foi a mais bela página da nossa História!... Abriram-se, por magia, as prisões, neutralizou-se a polícia política, acabou a censura e não mais se ouviram os gritos dos torturados nas masmorras da Pide. 48 anos depois daquele “dia inicial inteiro e limpo”, só aqueles que hoje contam para além do meio século,  sabem o que foram os tempos sombrios da ditadura e das suas verdades indiscutíveis, das perseguições políticas e da emigração maciça, do obscurantismo cultural e do subdesenvolvimento económico, da intransigência salazarista-caetanista e da guerra colonial. Por isso, raros são aqueles que   ousam discutir a importância que tiveram para a sociedade portuguesa as portas que Abril abriu. 

As sociedades são dinâmicas, evoluem por ciclos, e os nossos quase nove séculos de história, mostram-nos isso mesmo, com ciclos como os tempos faustosos das índias e dos brasis, mas também com os tempos das humilhações da ocupação filipina e das invasões francesas. Mais recentemente, ao ciclo da repressão política e do conformismo em que vivemos desde 1926, seguiu-se depois de 1974 um esperançoso ciclo com a integração no espaço democrático europeu e a apressada recuperação do tempo perdido, com liberdade, bem-estar económico e paz social.

Hoje porém, nos tempos que vivemos, é imprevisível definir ou antecipar que outro tipo de ciclo nos espera. Por isso, a evocação do 25 de Abril não pode ser apenas uma referência histórica e um marco festivo e emocional para aqueles que viveram a alegria da libertação, mas tem que constituir um momento de reflexão relativamente aos princípios e valores que esse dia nos ajudou a adquirir, mas que carecem de aprofundamento no que respeita ao nosso sistema político e social, designadamente na defesa dos interesses e das causas públicas, no combate às desigualdades sociais e às assimetrias regionais, e no reforço da solidariedade nacional e na prevenção das alterações climáticas e dos seus efeitos. 

Princípios democráticos e de desenvolvimento que nortearam o 25 de Abril e que devem ser reafirmados a propósito da sua celebração, para mostrar aos cidadãos e aos que eles escolheram como seus representantes, que desejamos uma sociedade mais justa e mais solidária, sem corrupção e sem clientelismos. 

Será pois nesse espírito que deveremos celebrar o 25 de Abril.

Viva a Liberdade!... 25 de Abril Sempre…